80% dos habitantes de Luanda sentem-se inseguros sobretudo à noite

24/08/2018 12:48 - Modificado em 24/08/2018 12:48
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O nível do sentimento de insegurança entre os angolanos, em Luanda, é de 80%, sobretudo à noite, mesmo sem que, nos últimos seis meses, tivessem sofrido algum crime, revela um estudo realizado este mês e conhecido hoje.

Ainvestigação, lançada esta semana em Luanda, é de autoria do Instituto Superior Politécnico Sol Nascente e da Universidade Jean Piaget da província de Benguela, com a colaboração de alguns consultores, que inquiriu 2.600 pessoas para medir até que ponto os habitantes da capital de Angola se sentem ou não seguros.

Em declarações hoje à agência Lusa, o investigador David Boio, do Instituto Superior Politécnico Sol Nascente, disse que o que o motivou a realização do estudo foi a missão das universidades de produzir conhecimento e a atual questão da segurança, muito debatida e abordada pela comunicação social.

“Face à relevância do tema, procuramos investigar”, disse David Boio, salientando que o resultado da investigação dá conta que a generalidade das pessoas “sentem-se bastante inseguras, essencialmente no período noturno”.

Segundo o investigador angolano, para a escolha de Luanda concorreu a sua importância no contexto do país – Luanda tem um terço da população angolana, cerca de oito milhões de pessoas -, facto que pode facilitar a compreensão de outras realidades, a partir de uma outra mais complexa, a de Luanda.

David Boio referiu que foram inqueridas pessoas dos municípios de maior população, nomeadamente Luanda, Viana, Cazenga e Cacuaco, “onde o nível do sentimento de insegurança foi maior”, Maianga e Belas.

Para se garantir alguma representatividade, foram inqueridos os cidadãos de bairros mais complicados e de zonas mais calmas da baixa de Luanda.

Como constrangimentos na elaboração do estudo, o investigador apontou sobretudo questões de natureza técnica, tendo em conta que foi utilizado um “tablet”, através de um “software” “on-line” e algumas áreas da província possuem ainda uma baixa cobertura de rede de internet.

Neste momento está a ser concluído o relatório final do estudo, que pretendem disponibilizar à Polícia Nacional, ao Ministério do Interior e a outras instituições, entidades com as quais pretendem ver a possibilidade de, em conjunto, conceberem um observatório de segurança, com o fito de permitir que levantamentos desse tipo sejam feitos com maior regularidade.

“Como no país não há prática desse tipo de estudos, não há noção da variação. Por exemplo, o estudo indicou que mais de 80% das pessoas sentem-se inseguras, essencialmente à noite, portanto, o nível de insegurança é bastante alto. Não sabemos como é que foi o ano passado ou há dois anos, ou três. Não há termos comparativos”, adiantou.

“A ideia é, em colaboração com o Ministério do Interior, concebermos esse observatório de segurança. [Um estudo idêntico] pelo menos semestralmente, ia permitir saber melhor qual é a tendência”, indicou.

Esta sistematização de informação, segundo David Boio, iria permitir que as entidades com poder de decisão, prevenção e análise das causas do fenómeno possam tomar decisões “com base nos dados recolhidos cientificamente”.

De acordo com David Boio, às pessoas inquiridas se, nos últimos seis meses, foram alvo de crime, 2 “sim” foi de apenas 23%, taxa que levaria à perceção de que o sentimento de insegurança fosse proporcional à vitimização.

“Acontece, porém, que não. O que se passa é que há insegurança. O facto que faz as pessoas sentirem-se inseguras ultrapassa a experiência pessoal de ter vivido uma situação de crime”, disse, apontando que, para isso, “há uma série de fatores que se levanta”, como maior divulgação do assunto pela imprensa ou maior fluxo de informação, entre outros.

“Durante muito tempo, o país durante esteve focado na questão da guerra e todos os outros problemas eram relativizados. Quando isso, felizmente para o país, ficou resolvido, outros temas de natureza social começaram a ganhar relevância na comunicação social”, referiu.

Benguela e Huambo podem ser as próximas províncias escolhidas para a nova investigação, acrescentou.

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