Partido Cidadãos deverá abster-se e bascos apoiarão exumação de Franco

22/08/2018 11:29 - Modificado em 22/08/2018 11:29
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O partido espanhol Cidadãos deverá abster-se, enquanto o Partido Nacional Basco deverá apoiar, da validação no Congresso do decreto-lei que o Governo espanhol aprovará, para exumar os restos mortais do ditador Francisco Franco do Vale dos Caídos.

O presidente do Cidadãos (CS), Albert Rivera, avançou hoje, numa entrevista a uma rádio espanhola, que o seu partido não apoiará a validação, mas não clarificou se vai votar contra ou abster-se.

Contudo, fontes do CS explicaram que o seu voto será de abstenção, se a proposta do Governo pasar só por exumar Franco.

As mesmas fontes disseram que não conhecem o texto definitivo e sublinharam que, se houvesse um projeto para todo o conjunto do Vale dos Caídos como monumento de reconciliação, incluindo a exumação de Franco, o CS votaria a favor.

Rivera disse, na entrevista à rádio Onda Cero, que este assunto não foi debatido no partido e que “não é uma prioridade e nem tem caráter de urgência” para exigir um decreto-lei.

Já o porta-voz do Partido Nacional Basco (PNV) no Congresso, Aitor Esteban, disse que a tendência no seu partido é de apoiar a iniciativa porque “já era hora” de tomar-se esta medida.

“Vamos ver se é verdade, já era hora. O (ex-primeiro-ministro José) Zapatero poderia ter feito na época, mas não quis. Fico feliz que agora o Governo enfrente a questão com coragem e leve-a adiante. Acho que terá a maioria no Congresso, mesmo se houver a oposição do PP (Partido Popular, direita) e dos Cidadãos”, declarou Esteban.

Esteban disse que o Vale dos Caídos é, na sua opinião, “um monumento construído por um ditador que nenhum país democrático aceitaria”, então o PNV terá “sem dúvida” que apoiar a decisão de exumar os restos mortais de Franco.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, já havia assegurado no debate de sexta-feira passada no parlamento a sua “decisão firme” de transferir os restos mortais do ditador Francisco Franco do Vale dos Caídos num espaço de tempo “muito breve”.

Isso será feito “em breve, num muito breve espaço de tempo”, disse Pedro Sánchez num debate parlamentar feito a seu pedido para explicar o programa de Governo.

Depois da sua chegada ao poder no início de junho último, o primeiro-ministro espanhol já tinha revelado a sua determinação em transferir os restos mortais do ditador do seu mausoléu, perto de Madrid, que se transformaria num local de “reconciliação” nacional.

O Vale dos Caídos, a 40 quilómetros da capital, é um complexo de edifícios de grande dimensão idealizado e erigido por Francisco Franco para homenagear os mortos da Guerra Civil espanhola, estando o túmulo do ditador, sempre florido, ao lado do fundador do partido fascista Falange, José António Primo de Rivera.

Em nome de uma suposta “reconciliação” nacional, Franco transferiu os restos mortais de 37 mil vítimas – nacionalistas e republicanos – da guerra civil, para o local que foi inaugurado em 1959 e que é visto como exaltador da ditadura franquista.

O parlamento espanhol já tinha aprovado em maio de 2017 uma iniciativa parlamentar do PSOE (Partido Socialista espanhol), agora no poder, que “exigia” ao Governo (na altura) de direita de Mariano Rajoy que retirasse, com “urgência”, os restos mortais do antigo ditador do Vale dos Caídos.

A iniciativa, que não tinha força de lei nem era vinculativa, tinha como objetivo que o memorial ao regime franquista se transformasse num “espaço para a cultura da reconciliação, a memória coletiva democrática e a dignificação e reconhecimento das vítimas da guerra civil e da ditadura” espanhola.

Francisco Franco Bahamonde foi um militar espanhol que integrou o golpe de Estado que em 1936 marcou o início da Guerra Civil Espanhola, tendo exercido desde 1938 o lugar de chefe de Estado até ao seu falecimento em 1975, ano em que se iniciou a transição do país para um sistema democrático.

Fonte: JN

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