Educadora de infância sem aumento salarial há vinte e um anos

3/04/2012 00:32 - Modificado em 4/04/2012 08:36
| Comentários fechados em Educadora de infância sem aumento salarial há vinte e um anos

As educadoras de infância dos serviços de promoção estão há vinte anos e mais sem um aumento salarial. Também não estão inscritas no INPS e não sabem o que é enquadramento profissional. Fátima está há 21 anos com o mesmo vencimento. Ganha treze mil escudos.

“O problema de um é problema de todos”. É a união dos funcionários dos jardins da promoção social em reivindicar melhorias no ambiente de trabalho. Porque para Francisca dos Santos, que trabalha no jardim da Ilha da Madeira, não estão contra ninguém simplesmente querem “que resolver os seus problemas. Na lista de pedidos estão um ajuste salarial de acordo com as funções que desempenham, um enquadramento no quadro de pessoal e inscrição na previdência social. “Desde de há muito tempo que temos reivindicado estas questões, mas ainda nada”, revela Fátima Duarte do jardim do Campinho.

Essa situação deixa estes trabalhadores preocupados com o futuro já que afirmam que a vida pessoal, profissional e familiar é afectada por falta atendimentos aos seus pedidos. “Queremos que paguem os nossos salários e devolvam nosso dinheiro e todos os direitos incluindo o de ter previdência social”. Este é o apelo destas funcionárias.

Dificuldades

Com vinte e um ano de trabalho Fátima diz que sempre usufruiu do mesmo salário.  Ou seja nunca teve um aumento de vencimento. Os cerca de treze mil escudos que recebe comprovam isso. “Não tenho casa própria, pago renda e quando tiro oito contos para renda não sobra para mais nada”. Mãe e pai de família vê essa situação agravar-se todos os meses. Culpabiliza o governo por muitos problemas sociais, como a prostituição, que surgem como solução pela falta de dinheiro para suprir as necessidades básicas.

Fátima Santos encontra-se na mesma situação. Vive com os seus três filhos e desempenha a função de mãe e pai na família. Com o mesmo salario a renda consome grande do salário. Teve uma doença que a obrigou a fazer um tratamento e por não estar na previdência social teve que suportar os remédios que a cem por cento. Para conseguir os remédios teve que se endividar e contar com alguma ajuda de familiares. Das mais antigas, Fernanda Ramos, conta com vinte seis anos de serviço e mostra-se preocupada com a questão da reforma, aliás, preocupação partilhada por todas. Por isso sentem a necessidade de serem inscritas no INPS. “Queremos nossa reforma para quando estivermos velhas podemos sentar na nossa casa sem problemas.”

Curso Incompleto

Fátima, Francisca e Isaura estiveram a fazer cursos no Instituto Pedagógico para educador de infância. Mas elas não têm os seus diplomas porque não têm dinheiro para fazerem algumas disciplinas em atraso para completarem o curso. Por estas e outras razões esperam que as suas reivindicações sejam ouvidas, pois  só querem que os seus problemas sejam resolvidos.

 

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.