Web Summit e Marine Le Pen entre canção paródica e notícias breves

16/08/2018 12:38 - Modificado em 16/08/2018 12:38
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Esta manhã, a estação France Inter contou que “Marine Le Pen não é bem-vinda em Portugal”, numa crónica que terminou com uma música em jeito de “conselho” à líder da extrema-direita francesa.

Antes da canção, a estação de rádio relatou, brevemente, o “sobressalto” do Bloco de Esquerda ao considerar que as declarações de Marine Le Pen “incitam à raiva, à xenofobia e ao racismo” e acrescentou que “várias vozes, inclusivamente no PS, denunciaram a vinda da ‘madame’ Le Pen como intolerável”.

“A conclusão de tudo isto é como diz a canção: para viajar mais facilmente, Marine Le Pen deveria fazer com ‘que toda a gente gostasse dela'”, concluiu a crónica da France Inter, seguida pela música do artista Ben Popp: “Se eu fosse a Marine Le Pen, faria com que todos me amassem, desde os imigrantes, aos clandestinos, dos europeus aos americanos?”

Na sua edição ‘online’, o Journal du Dimanche (JDD) retomou uma notícia da agência Reuters e titulou que “face à polémica, Marine Le Pen foi riscada da lista de convidados da Web Summit”.

O JDD explicou que “os organizadores deste “Davos da Tecnologia” indicaram, na quarta-feira, que a presidente do ‘Rassemblement national’ já não era bem-vinda, depois de várias vozes se terem manifestado contra a sua presença, nomeadamente na esquerda portuguesa”.

O jornal acrescentou que “a polémica também agitou as redes sociais, nas quais muitos internautas sublinharam a mensagem antidemocrática que a ida de Marine Le Pen poderia suscitar”.

O HuffPost escreveu que “afinal, foi um não” e que Marine Le Pen acabou “afastada da Web Summit após uma longa polémica”.

O portal explicou que a Web Summit “é a oportunidade para milhares de ‘start-up’ se encontrarem e tentarem seduzir investidores” e lembrou que “em 2017, a sua organização já tinha sido alvo de críticas após um jantar festivo no Panteão nacional”.

O mesmo reparo sobre o jantar no Panteão foi feito na edição ‘online’ da revista L’Express, que retomou a notícia da agência France Presse, e que titulou que “o convite de Marine Le Pen para a Web Summit foi anulado face à polémica”.

A partir da AFP, também a página internet da revista Le Point descreveu a “polémica após o convite a Marine Le Pen” e noticiou que “os organizadores da Web Summit foram vivamente criticados por terem convidado a dirigente do Rassemblement national”.

A edição online do Courier International retomou um excerto da crónica, de hoje, de João Miguel Tavares no jornal Público: O convite à senhora Le Pen é polémico, sem dúvida. Mas bem mais grave é isto: há uma mania muito contemporânea de querer cortar o pio às opiniões que consideramos abjetas. E isso representa um retrocesso político escandaloso para quem acredita no respeito pela liberdade de pensamento e de expressão.”

A Lusa tentou obter uma reação de Marine Le Pen à retirada do convite para a Web Summit, evento que se realiza pelo terceiro consecutivo na capital portuguesa, mas nem ela nem o seu partido querem comentar, de acordo com a assessoria de imprensa.

O presidente executivo da Web Summit, o irlandês Paddy Cosgrave, anunciou, esta quarta-feira, no Twitter que decidiu retirar o convite à líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen.

Numa série de ‘tweets’, Cosgrave explicou que a sua equipa, “com base nos conselhos” que recebeu e “na ampla reação ‘online’ ao longo da noite”, concluiu que a presença de Le Pen “é desrespeitosa em particular para o país anfitrião” e “para alguns entre as dezenas de milhares de participantes” de todo o mundo que acorrem ao evento tecnológico e de inovação.

O responsável frisou que “a questão do ódio, liberdade de expressão e plataformas tecnológicas é decisiva em 2018”, pelo que a Web Summit “vai redobrar esforços para abordar esta difícil questão com mais cuidado”.

O convite a Marine Le Pen suscitou polémica depois de o Bloco de Esquerda e a Associação SOS Racismo terem exigido às entidades envolvidas na organização do evento que tomassem uma posição pública.

Cosgrave reagiu num primeiro momento, explicando a decisão e afirmando que se o Governo português pedisse, aceitaria retirar o convite.

Esta quarta-feira, o Ministério da Economia anunciou em comunicado que não tem intervenção na “seleção de oradores” do Web Summit e que valoriza a sua realização em Portugal.

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