Nelson Évora espera que “os portugueses possam desfrutar da medalha”

13/08/2018 12:00 - Modificado em 13/08/2018 12:00
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O português Nelson Évora sagrou-se campeão europeu do triplo salto nos Europeus de atletismo em Berlim, e disse esperar “que os portugueses possam desfrutar desta medalha”, a última que lhe faltava em grandes provas.

No último dia da prova, Évora saltou 17,10 metros ao quinto ensaio, a melhor marca da temporada, e conquistou o último dos títulos principais que ainda lhe “fugia”, no que toca a competições ao ar livre, mas sagrou-se mesmo campeão europeu aos 34 anos, 11 depois do título mundial e 10 depois do ouro olímpico em Pequim2008.

“Um atleta abdica de muita coisa, no meu caso, de estar com os meus amigos, da minha casa, para estar longe a trabalhar, e quando entro para uma pista como esta o meu objetivo é fazer valer a pena todo esse sacrifício e isto acaba por pagar esse esforço, e espero que os portugueses possam desfrutar desta medalha”, disse o atleta, após a cerimónia de entrega de medalhas.

Apesar de saber estar “em boa forma” e querer fazer “tranquilamente” a prova, acertando nos “pequenos detalhes”, a competição “não foi fácil, até foi bastante difícil”. “Parecia que estava tudo controlado, mas havia aquela dificuldade. Não sei explicar, verificou-se em todos os saltos”, apontou.

No horizonte do atleta do Sporting está agora “continuar a trabalhar para a final da Liga Diamante, no final do mês”, mas antes olhou para o panorama desportivo de Portugal. Depois de enaltecer o esforço que o país “pequeno” faz para colocar atletas nas grandes provas, mesmo “sem as mesmas condições que os outros”, reconheceu que os dois ouros conquistados em Berlim, o do próprio e de Inês Henriques nos 50 km marcha, podem ser “pequenos milagres”.

“Era importante mudar a nossa mentalidade. Sabendo que já há muita mudança, para melhor, dentro do desporto nacional, acho que o segredo passa por fazer os nossos acreditarem que podem lá chegar, mesmo com muito trabalho, e todos aqui o demonstram, e não passa por ‘comprar’ atletas, naturalizar atletas, porque isso é algo ridículo”, concluiu.

Olhando para “a realidade do país”, é “supergratificante” ver os resultados que os atletas nacionais conseguem, razão pela qual considerou o trabalho de José Lopes, Diogo Antunes, Frederico Curvelo e Carlos Nascimento, que chegaram à final de estafeta de 4×100 metros, terminando em sétimo, um feito “extraordinário, comparado com outras realidades”.

No pódio, Nelson Évora recebeu o ouro do português Jorge Salcedo, presidente do Comité Técnico da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), e revelou que os dois fizeram no estádio uma “pequena festa”, e que ouvir o hino em Berlim foi “especial”.

“Foi a quarta vez, mas continua a dar vontade de chorar um pouco, tive de me conter, mas é algo especial que gravo muito bem na minha memória. Com um português, como o Salcedo, é mais especial”, referiu.

Nelson lembrou ainda o “hábito de vitória” e o facto de não gostar de vencer como fatores de motivação adicional, além de competir num estádio “carregado de história”, e confessou que o lugar mais alto do pódio é “um momento de afirmar Portugal”.

No final da prova, Nelson Évora guardou um pedaço da areia e entregou a sapatilha direita a um rapaz na assistência.

“Ele deu-me a bandeira para eu dar a volta ao estádio, por isso entreguei-lhe algo meu, importante, à altura do significado de dar a volta com a nossa bandeira”, explicou.

A carreira do português passa a incluir mais um capítulo ‘dourado’, a juntar ao ouro olímpico, quatro medalhas em mundiais, duas de ouro em Universíadas, além de dois bronzes em Mundiais de pista coberta e dois ouros em Europeus de pista coberta.

Entre 2010 e 2012, várias lesões afetaram uma carreira até aí brilhante, mas a recuperação acabou por devolver o atleta aos pódios das grandes competições, conquistando hoje a 10.ª grande medalha.

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