Por que beijamos (e outros animais não)?

6/08/2018 02:23 - Modificado em 6/08/2018 02:23
| Comentários fechados em Por que beijamos (e outros animais não)?

Analisando de modo objetivo, beijar é algo um tanto estranho… a saber: a troca prolongada de saliva com outra pessoa aumenta a possibilidade de transmitir até 80 milhões de bactérias com um único gesto. Mas então por que o fazemos?

Ainda assim, é raro quem não se recorde do seu primeiro beijo, com todos os detalhes íntimos e deliciosos. E beijar continua a ser uma parte fundamental de qualquer relação amorosa.

Quem habita nos ditos países do Ocidente pode pensar que o beijo na boca é um comportamento humano universal.

Todavia, um estudo recente, realizado por especialistas das Universidades de Nevada e Indiana, nos Estados Unidos, e partilhado pela BBC News, sugere que menos da metade das culturas do mundo adota o gesto. Beijar também é extremamente raro entre os animais.

De onde vem o beijo, então? E se é algo útil, por que não é adotado por todos os humanos e outros animais?

Invenção recente

Vários académicos creem que pode ser justamente o fato dos animais não beijarem o que explicaria a nossa preferência pelo gesto.

Segundo o estudo americano, que analisou 168 sociedades em todo o mundo, apenas 46% delas cultivam o hábito do beijo apaixonado como uma demonstração romântica.

Segundo o antropólogo William Jankowiak, um dos autores do estudo, o gesto parece ser um produto recente das sociedades ocidentais, passado de uma geração a outra.

Farejar os genes

Um estudo publicado em 1995 revelou que as mulheres, preferem os odores dos homens geneticamente diferentes de si. Isso faz sentido, já que a mistura de genes distintos tende a produzir filhos mais saudáveis. Ou seja, beijar pode ser uma ótima maneira a nível evolutivo de se estar próximo o suficiente para se farejar os genes do parceiro.

Em 2013, outros investigadores entrevistaram centenas de voluntários sobre as suas preferências na hora do beijo. A importância do cheiro foi citada pela maioria deles, e aumentava ainda mais quando as mulheres estavam no seu período fértil.

Cientistas descobriram que os homens também produzem uma versão da feromona que é tão atraente entre os animais. A hormona está presente no suor masculino e, quando as mulheres o percebem, tendem a ficar ligeiramente mais excitadas.

As feromonas são essenciais na escolha de parceiros entre os mamíferos, e nós, humanos, temos alguns deles.

Desse ponto de vista, o beijo seria apenas uma maneira culturalmente aceitável de nos chegarmos suficientemente perto de alguém para detetar as suas feromonas.

Em algumas culturas, esse comportamento evoluiu para o contato físico entre os lábios. “É difícil saber quando exatamente isso aconteceu, mas o objetivo do beijo é o mesmo do farejar entre os animais”, conclui o cientista.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.