Morte de menino na ETAR : mãe responsabiliza CMSV  e Bombeiros

27/07/2018 07:44 - Modificado em 27/07/2018 07:44
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Em exclusivo ao Noticias do Norte, familiares de Tiago, criança que morreu afogada, na estação de tratamento de águas residuais (ETAR) de Ribeira de Vinha, dizem que a Câmara Municipal de São Vicente, tem responsabilidades no que aconteceu, devido a falta de segurança do local e ainda acusam os Bombeiros de negligência no caso.

Lenice Barbosa, mãe da criança que morreu afogada num dos tanques da Estação de Tratamento de Aguas Residuais  na Ribeira de Vinha, conta o drama vivido no sábado passado, 21 de Julho, quando teve conhecimento que o filho tinha caído num dos tanques e estava submerso há vários minutos. O corpo da criança, segundo os tios, ficou submerso mais de duas horas.

A criança caiu num dos reservatórios construído recentemente, com cerca de 10 metros de profundidade, que se encontra completamente cheio de águas residuais.

Para a mãe, a Câmara Municipal de São Vicente é culpada, porque o lugar não tem nenhum tipo de proteção, e se antes era apenas um perigo para os animais pois  existem relatos de vários cães mortos no local, no sábado passado acabou por ser fatal para uma criança de seis anos, cujo único propósito era tentar salvar o seu cão da morte  como já tinha acontecido com vários outros. Lenice exige que a edilidade a resolva o problema, antes que mais vidas sejam ceifada. “Sei que isso não vai trazer o meu filho de volta, mas devem proteger o local, para que acontecimentos destes, não  voltem a acontecer.”

Tiago, segundo a mãe estava de visita a casa da avó, onde iria passar mais um fim-de-semana e também porque estava a ter aulas de catequese, para o seu batizado que iria se realizar em Outubro. .

Neste dia em particular, segundo a mãe e a avó, em vez de ir para a catequese, porque já estavam de férias, foram para a praia de Lazareto, porque estava muito calor. E o que era para ser um dia de boa disposição para todos, acabou terminado em tragédia.

É que na volta para casa, diz a avó que acompanhava a criança, depois das 17 horas, no caminho ao redor, da ETAR, o cão desviou do caminho  e acabou por entrar no local e posteriormente seguido pela criança, que o estava a chamar de volta, conta a avó com lagrimas nos olhos, diz ainda que tentou fazer com que o menino voltasse, mas não foi possível porque ele já tinha visto o animal a cair dentro de um dos tanques e na intenção de resgatá-lo, não quis ouvir os chamamentos da avó e acabou por cair dentro do reservatório que não tinha nenhuma protecção, na “ingénua expectativa” de salvar o seu “cãozinho”.

“O tanque  não tem nenhuma proteção, não é vedado, não tem nenhum portão, e nenhum guarda”, acusa.

Eram apenas os dois, avó e neto, quando sucedeu a queda da criança dentro do reservatório. Impossibilitada de fazer algo e em desespero gritou por ajuda, quando viu o neto a afundar-se  na água tóxica. Diz que ouvindo os seus gritos apareceu um senhor que ficou a parte do sucedido e alertaram os bombeiros que uma criança tinha caído num dos reservatórios.

Apesar da chegada rápida da equipa de bombeiros, o tio da criança que também se deslocou ao local, conta que o cenário que viu o deixou estarrecido, isso porque os bombeiros haviam deslocado ao local sem nenhum tipo de equipamento que pudesse ajudar  retirar o menor do tanque.

Portanto, acabou por descer no tanque, mas devido a sua profundidade e também por não estar equipado e também por não saber onde se encontrava o sobrinho, acabou por sair do tanque e apenas duas horas depois é que o corpo foi retirado do local. “Não consegui fazer nada para salvar o nosso pequeno”, desabafa.

O corpo da criança foi enterrado na terça-feira, e esta quinta-feira, os familiares de Tiago foram depor na Policia Judiciária para averiguações do caso.

Querem fazer com que sejam assacadas  responsabilidades. “Já não tenho o meu pequeno, mas isso não pode ficar impune”.

Localizada na Ribeira d’Vinha, a estação é composta por duas linhas de entrada de afluentes e o objetivo principal é o tratamento das águas residuais provenientes da rede pública dos esgotos da cidade e arredores do Mindelo para fins agrícolas. “O efluente da ETAR é utilizado na rega de parques e jardins da cidade e arredores e na agricultura conforme as espécies devidamente identificadas de acordo aos parâmetros analíticos”, informa uma página da Câmara de S. Vicente.

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