Ministro do Interior italiano proíbe desembarque de migrantes na Sicília

13/07/2018 04:51 - Modificado em 13/07/2018 04:51

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, proibiu hoje o desembarque de 67 migrantes que foram recolhidos pelo navio da guarda costeira Diciotti, com alguns deles suspeitos de se terem revoltado quando foram previamente recolhidos por um rebocador italiano.

ODiciotti recolheu na segunda-feira a bordo 67 migrantes, incluindo três mulheres e seis crianças, e aportou hoje ao início da tarde no porto siciliano de Trapani, segundo as imagens das televisões italianas que mostraram o navio no cais.

Entre estes migrantes, alguns são suspeitos de se terem revoltado, por receio de serem reenviados para a Líbia, contra a tripulação do rebocador italiano Vos Thalassa, que os recolheu ao largo das costas líbias.

“Não autorizo que nenhuma pessoa desembarque do Diciotti. Se alguém o fizer deve assumir a responsabilidade”, afirmou Matteo Salvini à margem de um encontro informal com os seus homólogos europeus na Áustria.

“Se houve violência [a bordo do Vos Thalassa] os seus autores vão para a prisão, e se não houve, porque alguém mentiu, quem o fez pagará as consequências”, acrescentou Salvini, também líder do Liga, o partido da extrema-direita italiana que integra o Executivo.

De acordo com os ‘media’ transalpinos, a tripulação do Vos Thalassa foi forçada, após receber ameaças, a encerrar-se na sala de controlo do navio e apelou à ajuda do centro de socorros marítimos localizado em Roma, para solucionar a situação.

No cargo ministerial desde 01 de junho, Salvini, que pretende terminar com o afluxo de migrantes às costas italianas, decidiu há um mês proibir o acesso aos portos italianos às ONG que prestam auxílio aos migrantes no Mediterrâneo, uma posição que assinala a nova linha dura da Itália nas questões migratórias.

O responsável pelo Interior pretende ainda alargar esta proibição aos navios das missões internacionais no Mediterrâneo, e quando a Itália defende que a gestão dos fluxos migratórios deverá ser efetuada em partilha com a União Europeia.

O caso do Diciotti fez regressar as divergências na coligação governamental, que integra a Liga de Matteo Salvini e o Movimento 5 Estrelas (M5s, anti-sistema) de Luigi Di Maio, cuja fação mais à esquerda se opõe ao encerramento dos portos italianos, em particular aos navios com pavilhão nacional.

 

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