Cinco Julho: Bancadas trocam argumentos sobre situação do país

5/07/2018 16:25 - Modificado em 6/07/2018 04:51
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Cinco de Julho: Bancadas trocam argumentos sobre situação do país

A Assembleia Nacional de Cabo Verde recebeu o acto central das comemorações do dia Cinco de Julho, Dia da Independência Nacional de Cabo Verde. Um período para avaliar a situação actual do país, com o olhar pelo passado, perspectivando o futuro. Todas as bancadas com assento parlamentar discursaram emitindo a própria opinião sobre a situação do país. O que fica de comum é o enaltecimento e a importância que a independência teve na vida das pessoas e uma palavra de apreço aos que lutaram para tornar a independência possível.

A palavra dos discursos também é dirigida ao povo pela sua capacidade e trabalho na construção do país, mesmo em condições difíceis.

António Monteiro, líder da UCID, foi o primeiro a usar a palavra fazendo um discurso voltado para a questão da falta de efeitos das medidas governamentais que não têm deixado o país alcançar os níveis de crescimento desejado, “capaz de garantir a sustentabilidade do país e reduzir a sua dependência externa”. Opções de política, segundo Monteiro, “que nem sempre contribuem para os desafios concretos do país”. Para este líder partidário, vão-se verificando erros sem imputar responsabilidades aos autores, pelo que “é tempo de imunizar quem tem levado o país para caminhos tortuosos que colocam a nu e cru o fracasso, insatisfação, pobreza, desemprego, factores preocupantes para um país posicionado como um país de rendimento médio”.

Para Monteiro, errar é humano, mas dever-se-ia honrar Amílcar Cabral adoptando um novo lema e não errar também é humano. “Quem tem governado tem a postura de menosprezar o erro justificando ser natureza madrasta das ilhas e nunca envergou pelo caminho para estabelecer uma política com aplicações coerentes, sendo incipientes e meramente experimentais”.

Para completar, Monteiro afirma que “temos um país que vai estando à mercê de políticos vassalos de interesses económicos que se recusam de adoptar políticas para explorar os recursos naturais e libertar iniciativas industriais”.

PAICV: reafirmação da independência

O PAICV também levou as suas preocupações sobre o estado de governação do país. Acontecimentos recentes estiveram na base do discurso de Janira Hopffer Almada, Presidente do PAICV. “Reafirmar a independência é não se silenciar perante factos graves que ocorrem no país, que preocupam e apoquentam as pessoas no seu dia-a-dia, e este é o momento de lembrarmos alguns acontecimentos que preocupam todos, sem excepção”.

A questão das evacuações, da segurança e tranquilidade pública, da política externa, do plano económico-social, do mau ano agrícola, da TACV foram abordadas com preocupação por parte da líder do PAICV. “Cabo Verde é um Estado consolidado que demonstrou já ter alicerces seguros para enfrentar adversidades múltiplas e aguentar-se de pé o que só acontece por estar estribado na tenaz vontade de um povo que nasceu para vencer porque temperado nas dificuldades impostas pela natureza, muitas vezes chamada de madrasta e pelas duras condições humanas a que foi sujeitado”, afirma Janira.

MpD e democracia

O discurso do MpD foi na perspectiva da continuidade da luta, mirando agora à consolidação da democracia. Rui Figueiredo assume que a democracia padece de males que poderão impedir o crescimento que todos almejam. Para este líder parlamentar, aos políticos compete por actos, mais do que por palavras, convencer as pessoas que a classe política está ao serviço das pessoas, “combatendo de todas as formas que podem pôr em causa o bem colectivo”.

“Para tal, os líderes partidários devem responder à altura dos desafios e datas que celebram. Neste sentido, deve saber e passar ao povo uma mensagem positiva. Não faz sentido que neste cinco de Julho não haja uma única palavra de incentivo”, como estranhou Rui Figueiredo. Neste sentido, diz que deve ouvir os apelos para uma política de proximidade “com verdade e sem demagogia e aproximar os representantes dos seus legítimos representados”. Apela para que as instituições do Estado possam continuar a fazer o seu trabalho da melhor forma.

Relativamente à sociedade civil, avança que é necessário reforçar os mecanismos de participação e de controlo dos actos políticos.

 

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