Porto Novo: Animais estão a morrer por dificuldades dos criadores na aquisição de pasto

3/07/2018 06:45 - Modificado em 3/07/2018 06:45
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Muitos criadores de gado nas zonas altas do concelho do Porto Novo, Santo Antão, têm estado a perder parte do seu efectivo por dificuldades na aquisição de ração, alertaram os representantes desses pastores.

Na zona Sul do Porto Novo, Irineu da Luz, representante dos criadores de gado, disse à Inforpress que “muitos animais têm estado a morrer por falta de alimento”, informando que nem todos os criadores dessa localidade têm possibilidade de adquirir um saco de ração.

“Na zona Sul, animais estão a morrer. Os criadores, que são discriminados, não conseguem ir a Porto Novo comprar um saco de ração que fica por 1.400 escudos, nem tão pouco comprar um carro de água (dez toneladas), que custa dez mil escudos”.

Para “complicar ainda mais” a situação dos criadores, não existe emprego público na zona Sul do Porto Novo, onde ainda residem 50 criadores de gado.

“A zona Sul, talvez por causa do despovoamento, não é tida em conta pelas autoridades. Os criadores são discriminados e estão cm sérias dificuldades para comprar ração e água para salvar os seus animais que estão a morrer”, informou este representante dos criadores.

No Planalto Norte, a Inforpress conversou com um criador de gado que diz ter perdido, ultimamente, 25 “cabeças de cabra”. Gregório Cruz disse que tinha 32 cabras e, neste momento, tem apenas sete.

Procura agora “escapar” da seca o que resta, numa altura em que, segundo ele, os efeitos da seca têm aumentado nesse planalto.

Ainda nesse planalto, Marciano Guilherme, outro criador, alertou para as dificuldades de muitos colegas que, não tendo “recursos”, têm muitas dificuldades para adquirir a ração, mesmo com o incentivo dos 300 escudos por saco, por parte do Governo.

“Nesta altura e face à gravidade da situação, o Governo deveria reforçar o apoio aos criadores com maiores dificuldades, que não conseguem arranjar os 1.400 escudos para um saco de ração ou os quase dois mil escudos para um saco de milho”, sugeriu este criador.

Betson Jorge, outro criador de gado no Planalto Norte, confirmou que “os animais estão sim a morrer”, lamentado que o Ministério da Agricultura desconheça a real situação dos criadores que estão a deixar “ao Deus dará” os seus animais, cujo estado nutrifico é “muito fraco”.

“Caso a situação se mantenha, quando chover, se chover, os animais correm sérios riscos de morrer todos porque estão muito fracos”, mostrou-se preocupado este jovem criador, que pediu maior atenção aos criadores desse planalto.

O criador Adilson Amador referiu-se também à “situação difícil de muitos criadores” nas zonas altas do Porto Novo, muito afectadas pela seca.

A Associação dos criadores de gado do Porto Novo tem estado, igualmente, a alertar para as dificuldades que a maioria da classe está a deparar-se para adquirir a ração para o salvamento dos seus animais, devido à falta de rendimentos.

O representante da Associação dos Criadores de Gados, Romeu Rodrigues, avançou que “a maioria” dos criadores está a amontoar os vales cheques em casa, porque não tem condições económicas para adquirir ração, mesmo com o desconto dos 20% por cada saco.

“Muitos criadores recebem os vales cheques, mas não conseguem comprar a ração porque não tem condições”, explicou este responsável.

No Porto Novo, o Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) e o município têm estado a comparticipar em cerca de 45% no custo da ração, através dos descontos de 20% por cada saco e apoio no transporte do produto até às comunidades, segundo o edil Aníbal Fonseca.

O delegado do MAA no Porto Novo, Joel Barros, disse à Inforpress que não tem conhecimento de que animais estejam a morrer neste concelho por dificuldades dos criadores na aquisição do pasto.

“Não tenho conhecimento de nenhum caso”, sublinhou este responsável.

Tanto o MAA como a Câmara Municipal do Porto Novo têm destacado a “normalidade” com que o programa de mitigação da seca está a ser implementado neste concelho há sete meses.

Porto Novo foi contemplado com 80 mil contos no quadro desse plano que, “apesar de insuficiências, está a funcionar”, segundo ambas as entidades, que defendem, todavia, o reforço das verbas, sobretudo na componente criação de empregos.

Pelas suas especificidades (extenso, disperso e árido), Porto Novo, com um efectivo pecuário de 24 mil cabeças de gado, na sua maioria caprinos, merece “particular atenção” do Governo, numa altura em que o município está a passar pelo “período mais critico” da seca, conforme as autoridades locais.

 

Inforpress

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