Windows 8, o difícil equilibrismo da Microsoft

18/11/2012 22:32 - Modificado em 18/11/2012 22:32
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O novo Windows caminha na linha difícil de querer servir para quase todos os ecrãs, numa altura em que o mercado dos computadores pessoais, que tornou a Microsoft num gigante, está a enfraquecer. A estratégia tem riscos.

Numa prática habitual na Microsoft, o Windows 8 desdobra-se em várias versões: a mais simples (que ainda não está à venda), a intermédia (chamada Pro) e uma terceira para empresas. O Pro pode ser comprado em Portugal por 70 euros e os utilizadores de computadores com Windows 7 podem fazer uma actualização por 15 euros, com vários fabricantes de computadores a reembolsarem este valor.

 

Para além destas, há o Windows RT, à primeira vista igual ao 8. Foi concebido para ser usado em dispositivos com processadores ARM – isto significa que servirá sobretudo para tablets. Contrariamente ao 8, não permite correr programas desenvolvidos para o Windows anterior. Mas traz um bónus com potencial para cativar utilizadores: uma versão gratuita, e mais limitada, do Office. Só pode ser comprado já instalado em aparelhos.

 

As experiências do PÚBLICO com o Windows 8 foram feitas, ao longo das últimas semanas, num sistema híbrido: um tablet com ecrã de quase 12 polegadas, que, uma vez montando num suporte e ligado a um rato e teclado, poderia servir de computador, mantendo a funcionalidade de ecrã sensível ao toque.

 

Modo tablet

 

Usar o novo Windows num tablet é uma experiência eficaz. A interface é intuitiva e não esconde que foi concebida com a preocupação urgente de ter o Windows finalmente a funcionar de forma satisfatória em ecrãs sensíveis ao toque, algo que a Microsoft esteve anos sem conseguir fazer. Bill Gates já mostrara tablets no início da década e a empresa tinha um sistema para telemóveis lançado em 2000 (o Windows Mobile), mas tanto os esforços num campo como no outro redundaram em fracasso (o Mobile durou dez anos e acabou substituído pelo Windows Phone, cuja chegada relativamente tardia ao mercado ajuda a explicar a pouca expressão nas vendas; nos tablets, a Apple tomou uma folgada dianteira graças ao iPad, com o qual só agora a Microsoft começa a concorrer).

 

Muito semelhante ao Windows Phone, o novo sistema oferece um primeiro ecrã (chamado ecrã Iniciar) onde é possível navegar por grandes mosaicos coloridos e com ícones estilizados, que servem para lançar as aplicações e também para mostrar informação útil (informação meteorológica, as últimas notícias, os compromissos na agenda) sem ter de abrir a respectiva aplicação.

 

Os poucos utilizadores do Windows Phone sentir-se-ão em casa e é nesta uniformização da experiência de uso entre os vários tipos de aparelhos – telemóveis, tablets, computadores e equipamentos híbridos – que assenta a delicada estratégia da Microsoft.

 

A legibilidade e grande quantidade de informação dos mosaicos tornam-nos mais eficazes do que os ícones dos sistemas rivais, o iOS e o Android (o Android também tem as widgets, que podem exibir muita informação sem necessidade de abrir uma aplicação). Em regra, a personalização do ecrã Iniciar é mais flexível do que personalizar os ecrãs de um iPad e mais linear do que as múltiplas opções do Android (que, por vezes, surgem com interfaces variadas, consoante o fabricante do aparelho).

 

Embora as diferenças de utilização de um tablet com o Windows face aos rivais sejam substantivas, optar pela experiência de utilização de uma das três plataformas será sobretudo uma questão de preferência pessoal.

 

Porém, o Android e o iOS têm o trunfo de um muito maior número de aplicações. Para além disto, o iOS equipa apenas os iPad, enquanto os Android, tal como os tablets com o novo Windows, estão no mercado num leque vasto de marcas.

 

Como antigamente

 

O Windows 8 permite alternar entre a nova interface de mosaicos e uma interface tradicional, facilmente acessível a partir do ecrã Iniciar como se de outra aplicação se tratasse.

 

Esta interface é semelhante aos anteriores Windows, embora com a já muito notada (e frequentemente lamentada) ausência do menu Iniciar, a que os utilizadores se foram habituando desde o Windows 95 – na verdade, quem não dispensar esta funcionalidade, pode fazer um clique direito no canto inferior esquerdo para fazer surgir um menu com acesso a muitas das funcionalidades do antigo menu.No ambiente de trabalho continua a haver a metáfora das pastas para guardar ficheiros, janelas dos vários programas que podem ser minimizadas numa barra e locais bem conhecidos de quem está habituado ao Windows, como o painel de controlo.

 

Ao ligar o computador, o utilizador depara-se sempre com o ecrã de mosaicos e nunca com o ambiente de trabalho. É uma das mudanças mais radicais, mas há poucas razões para que a adaptação seja difícil, até porque qualquer aplicação, independentemente da interface em que corra, pode ser lançada a partir de um mosaico.

 

Por vezes, a convivência entre os dois ambientes é surpreendentemente bem conseguida. Por exemplo, usar o Internet Explorer na nova interface para descarregar uma aplicação que só corre na interface tradicional é um processo simples (já as aplicações para a nova interface têm de ser descarregadas de uma loja própria).

 

Noutros casos, contudo, os riscos de ter duas interfaces em paralelo fazem-se sentir. Por exemplo, se um utilizador descarregar um browser (como o Chrome, que corre apenas na interface tradicional) e decidir torná-lo o browser padrão, o Internet Explorer da nova interface desaparece estranhamente.

 

Outros solavancos na experiência surgem porque muitos dos menus e funcionalidades a que se acede com um gesto não estão acessíveis exactamente da forma correspondente quando se usa um rato, o que exige alguma paciência para um processo de tentativa e erro – e, em regra, recorrer aos gestos é mais simples do que utilizar o rato, tornando o sistema menos atractivo quando usado num dispositivo sem ecrã sensível ao toque. Quem pretender apenas a experiência clássica de utilização de um computador e não estiver disposto a passar por uma fase de adaptação, encontrará poucas razões para avançar para o 8.

 

Curiosamente, usar um sistema misto de tablet e computador significou estar, por vezes, de braço estendido a traçar gestos no ecrã enquanto se usava o rato ou o teclado com a outra mão. No quotidiano, torna-se menos estranho do que a descrição possa fazer crer – o que é um sinal encorajador para o equilíbrio que a Microsoft está a tentar fazer na adaptação a um mundo em que o PC perde importância.

 

 

 

dn.pt

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