A SENTENÇA DO ZORRO , UMA VERGONHA . PARTE 01

29/06/2018 01:58 - Modificado em 29/06/2018 01:58

A prisão do inglês vem ratificar o trabalho sério e eficiente da Policia Federal Brasileira na condução do inquérito, acatado plenamente  pelo Ministério Público Federal que por sua vez encaminhou para a Justiça Federal e culminou com a expedição do mandado de prisão dos ingleses Robert Delbos e George Fox. Quando se tem instituições sérias e confiáveis, o resultado não poderia ser outro : a prisão célere e rápida. Com certeza, isso vem fortalecer a linha de defesa, que inocenta os velejadores.

A contra ponto disso, assistimos incrédulos às barbaridades cometidas contra os velejadores presos. A ineficiência da PJ, incapaz de apresentar uma investigação que fosse além do que chegou à sua porta, se limitou ao que achava um grande feito :bastava  ter um barco com uma tonelada de drogas e quatro velejadores para prenderem.Chegaram a Cabo Verde por acidente, devido a impossibilidade de continuar a navegar por estar em condições precárias. Por 48 horas, o veleiro ficou ancorado ao largo do Porto Grande, sem condições de aportar, o capitão hasteou a bandeira amarela , que significa na s normas internacionais de navegação : SOLICITAÇÃO DE PRESENÇA DE AUTORIDADE À BORDO. Não apareceu ninguém. Sendo um país  insular, as autoridades marítimas de Cabo Verde desconhecem as normas e os símbolos de navegação internacional? Esse fato está devidamente registrado pela defesa dos velejadores. E está sendo divulgado nos principais centros e mídias de navegação mundial , para que fiquem alertas aos perigos que correm ao navegar pelo arquipélado de Cabo Verde, e não me refiro aos perigos por obstáculos naturais. Será que se fossem realmente criminosos, iriam hastear a bandeira solicitando a presença da Marinha no veleiro? Por que a PJ não pediu o indiciamento dos ingleses?  Por que não pediu o indiciamento do proprietário do veleiro? Resumindo, não foi capaz de produzir nenhuma prova contra os velejadores.

Quanto ao Ministério Público de Cabo Verde, uma sucessão de erros, abusos e ofensas. Para  começar, não deu continuidade às investigações que foram passadas pela PJ, elaborou uma peça de acusação fraca e mal redigida, recheada de contradições e acusações fantasiosas. Mas, admito , foi  muita coragem do Promotor aceitar conduzir um caso que envolve navegação ,sem ter nenhum conhecimento do assunto. Está gravado nos aúdios do julgamento , durante os testemunhos de defesa presencial com  3 capitães brasileiros, a dificuldade em entender o significado de obter “milhas náuticas” por parte de quem está se preparando para ser um profissional do mar, o significado de “ Skipper” e “ Delivery de Barcos” .

O Promotor , representante público e legal da Procuradoria Geral da República, a quem foi encaminhada o Inquérito da Policia Federal do Brasil , contendo o DESPACHO FUNDAMENTADO , onde consta de forma clara que não houve nenhuma participação dos velejadores  no intento criminoso, inocentado-os portanto, e enviado dentro dos trâmites diplomáticos e legais, pela Embaixada do Brasil em Cabo Verde , não só recusou encaminhar o inquérito para o Tribunal de São Vicente, como declarou em alto e bom tom, registrado nos áudios e na “SENTENÇA DO ZORRO” , durante o julgamento , onde chamou o inquérito como uma “ENCOMENDA” da defesa. Além, de uma grave acusação, é uma ofensa, injúria, desrespeito, humilhação  e uma agressão ao Estado Brasileiro, à Polícia Federal Brasileira, ao Delegado da Polícia Federal Brasileira, autor do inquérito, autoridade revestida de fé pública, às famílias dos velejadores presentes ao tribunal, aos velejadores, enfim , à todo o povo brasileiro. Buscaremos, de todas as formas e em todas as instâncias , denunciar e tomar as providências cabíveis contra essa agressão , começando, em denunciá-lo no próximo encontro da CPLP, Comunidade dos Países de Lingua Portuguesa, que ocorrerá em Cabo Verde nos dia 17 e 18 de julho de 2018, onde Brasil e Cabo Verde são signatários.

Para encerrar, ainda durante o julgamento, o referido Promotor, nas suas alegações finais , em um momento de lampejo de consciência, foge ao seu roteiro acusador  e chama , por duas vezes, os velejadores de vítimas, isso consta no áudio do julgamento e é de conhecimento público.

Enfim, como disse o defensor de Rodrigo Dantas, à plateia de estudantes de direito  e advogados presentes ao julgamento, que a linha adotada pelo promotor, não é digna de um defensor da lei e nem tão pouco servir de lição para ser aplicada para a sua formação profissional..

João Dantas

  1. rogério pires

    República das Bananas

    Como cidadão caboverdiano não posso e nem aceito que a justiça da minha terra seja deturpado e lançado na praça pública desta forma. O que este jornal está a fazer ultrapassa o direito de informar e alguém já chamou e bem de ” tendencialismo”. Pergunta-se, isso é direito de informar? até quando o nosso juiz vai continuar aceitando isto? não pode ser. isto é um puro abuso de direito. pergunto se neste jornal online não existe jurista para explicar aos senhores jornalistas até que ponto estão a prejudicar ainda mais os velejadores. Pensem, se os Ingleses detidos declararem que os velejadores sabiam e participaram no carregamento da droga piora as coisas. tenho dito. Paz a nossa terra e para Brasil também

  2. Natalina Lima

    Este caso só vem ilustrar aquilo que já sabemos quanto aos operadores judiciários em CV. Trabalham com o óbvio, mas nem tudo o que parece é, daí a necessidade de se proceder a investigação e ao recurso à cooperação judiciária internacional. Para além disto, é a arrogância e, às vezes, ignorância no exercício da profissão. Dos familiares espera-se que não percam a força e vontade de lutar até as últimas consequências. Estou inteiramente do lado do advogado de defesa nas críticas que teceu quanto ao decurso do processo.

  3. ANA CONSUELO

    Desde que tomei conhecimento do ocorrido venho acompanhado os fatos, não entendo nada de leis, não entendo nada de navegação e muito menos entendo de tráfico de drogas, mas, até para um leigo como eu, é tudo tão nítido, tão explicito, os rapazes brasileiro e o francês foram usados, e como se diz na gíria: foram feitos de “mulas”, e a justiça de Cabo Verde, a Polícia Judiciaria de Cabo Verde sabem disso. Um mínimo de investigação, pra quem já é perito na área, e um pouco de bom senso fazem enxergar o que já é obvio pra todos, os rapazes são INOCENTES. O que ainda não entendo é o motivo da demora para corrigir o erro, se em um caso semelhante, com 6 meses liberaram os envolvidos. A Justiça de Cabo Verde precisa se auto avaliar, e saber corrigir seus erros, pois vidas estão sendo sacrificadas e prejudicadas.

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