TACV: Bancadas trocam culpas

29/06/2018 01:31 - Modificado em 29/06/2018 01:31
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Os parlamentares debruçaram-se, na passada quinta-feira, sobre o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) relativamente aos actos de gestão da TACV. A CPI foi instaurada para averiguar os actos de gestão da empresa entre 1975 e 2017. E, para averiguar os actos, foram ouvidos antigos governantes, administradores, pessoal de cabine. Pessoas com informações sobre a empresa durante o período em causa.

A aprovação do relatório no âmbito da comissão não foi consensual, uma vez que o documento foi aprovado com os votos do MpD e a abstenção do PAICV. Isso, porque os dois partidos que compuseram a comissão não se entenderam também sobre as conclusões. A discussão sobre o relatório foi intensa, com as bancadas do MpD e do PAICV a acusarem-se de actos que levaram a empresa à situação ou a momentos pontuais de má gestão.

Por exemplo, para Walter Évora do PAICV, o documento é um produto do MpD e o relatório “não traz respostas às questões colocadas pelos cidadãos”. Entre as questões, está a saída da TACV dos voos domésticos, o negócio com a Icelandair, entre outros temas da empresa como os despedimentos. Afirma que a CPI foi criada para impedir uma real investigação sobre a TACV. Para o mesmo, a CPI também não traduz fielmente as declarações prestadas, pois o MpD seleccionou “cirurgicamente declarações” contidas no relatório.

 

Para o Ministro Olavo Correia, a situação da empresa em 2016, ano em que o MpD entrou no Governo, não era comparável com a dos anos anteriores como “resultado de um conjunto de actos e omissões que foram praticados ao longo da gestão da empresa ao longo dos anos”, segundo afirmou à plenária. A empresa estava entulhada de dívidas, sem crédito. Um dos negócios referidos pelo Ministro foi a venda de três aviões ATR,  a um preço abaixo do mercado  e, depois, um leasing, acima do preço de mercado. Considera a importância dada pelo PAICV aos voos domésticos questionando a decisão do governo do PAICV.

João Santos Luís da UCID analisou o relatório de uma forma diferente. O partido não fez parte da CPI. “Do relatório feito pelos dois grupos, constatámos que na verdade, o MpD corre da década de noventa e o PAICV corre de 2001-15. O relatório da CPI deveria abarcar todas as matérias até 2017; não abarcou o negócio da Binter, o da Icelandair e toda a negociação que se gerou à volta dessas duas companhias”, como consta Santos Luís. O partido questiona a omissão de partes do relatório e uma dessas partes também foi a venda de dois aviões na década de noventa.

Mas a UCID, não citando nenhum governo em específico, avança que os actos de gestão da empresa foram ruinosos, em vários momentos, com “ingerência directa dos governos”.

João Luís afirma que segundo suas informações, dos pontos do relatório apenas dezassete (17) foram consensuais. O que leva o partido a analisar o relatório como uma forma para não prejudicar os que estiveram à frente da gestão da empresa, do ponto vista partidário.

 

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