Programa de mitigação do mau ano agrícola: pomo da discórdia

28/06/2018 06:47 - Modificado em 28/06/2018 06:47

O programa de mitigação do mau ano agrícola e a situação dos criadores de gado e agricultores têm dominado a sessão da Assembleia Municipal. Nos dois últimos dias, tanto o MpD como o PAICV pronunciaram-se sobre o facto. Visões e perspectivas diferentes, uma vez que o MpD continua a demonstrar confiança no plano e o PIACV, baseando-se nas visitas realizadas, demonstra preocupação não apenas com o plano, mas também com a população do campo.

A UCID também aborda a questão e vê nas declarações das respectivas bancadas, duas abordagens ideológicas, tanto do MpD como do PAICV, ao abordarem a situação da seca no país. No entanto, admite que apesar dos esforços do Governo e dos apoios financeiros dos parceiros do país, “o plano está muito aquém do que gostaria de ter”. Durante o debate, o PAICV demonstra que a situação é grave e que não há solução à vista. Por seu lado, o MpD faz saber que o plano tem sido cumprido e que é possível ver os efeitos do mesmo e que “se não existisse este programa forte, a situação seria pior”.

Para o MpD, o plano do Governo agiu em três eixos: o salvamento do gado, a gestão da escassez da água e a criação de empregos para as famílias. Além desses eixos, “disponibilizou cerca de 100.000 contos, em duas tranches de 50.000 contos para crédito em condições bonificadas para o sector agro-pecuário”.

Para o MpD, não tem havido morte massiva de animais do campo, nem subida generalizada dos preços agrícolas e os criadores de gado não tiveram de “vender os seus animais ao desbarato”. E ainda que não tem havido aumento generalizado do desemprego devido à seca, mas que se têm criado postos de emprego.

Questiona a oposição porque razão afirma que o plano não está a funcionar.

Por outro lado, o PAICV afirma que o sector agro-pecuário exige uma valorização e um investimento crescente e afirma que desde o ano passado vem alertando para a questão da seca, uma situação que tende a agravar-se devido às mudanças climáticas. Considera que os investimentos de fundo no sector são uma questão de sobrevivência e que “o Governo teima em não entender”.

Em véspera de mais uma campanha agrícola, o PAICV não deixa as suas preocupações de lado. E alerta o Governo para uma mudança de atitude, de uma gestão de crise para uma gestão dos riscos, preparando-se para as secas, aumentando a resiliência do país. Nesta discussão, o PAICV afirma que queria discutir as suas preocupações com o Primeiro-ministro, mas volta a sublinhar a ausência do mesmo da sessão parlamentar.

Para o PAICV, o Governo tem negado as propostas da oposição. “O Governo falhou em toda a linha e as medidas revelaram-se insuficientes, inadequadas e ineficazes para acalmar as famílias. A situação é de emergência e as medidas de urgência”, adianta a líder do PAICV. Nessa urgência, como sustenta o partido, existem casos dramáticos.

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