EUA ainda têm sob custódia 2.047 crianças retiradas aos pais

27/06/2018 07:01 - Modificado em 27/06/2018 07:01

O ministro da Saúde norte-americano afirmou hoje no Senado que as autoridades têm ainda sob custódia 2.047 crianças que foram retiradas aos pais no âmbito da “tolerância zero” aos imigrantes ilegais, entretanto suspensa.

Este número representa apenas menos seis crianças do que as que estavam, na quarta-feira passada, sob custódia dos serviços de saúde (2.053).

Alex Azar, ouvido hoje na comissão de Finanças do Senado norte-americano, não esclareceu se entretanto foram colocadas mais crianças sob custódia das autoridades dos EUA desde a semana passada.

Senadores democratas consideraram que não há progressos na devolução das crianças retiradas aos pais quando estes foram detidos na fronteira entre os Estados Unidos e o México.

“O Ministério da Saúde, a Segurança Interna e o Departamento de Justiça parecem estar a fazer muito mais para aumentar a confusão e eximir-se à culpa do que para dizerem aos pais onde estão os seus filhos”, disse o democrata Ron Wyden (Oregon).

Azar disse que está impedido por leis federais que impedem que as crianças fiquem retidas por mais de 20 dias, com os seus pais, pelas autoridades de imigração. No entanto, advogados dos migrantes dizem que a administração norte-americana pode contornar esta barreira ao libertarem temporariamente os pais enquanto os pedidos de asilo estão a ser avaliados pelos serviços de imigração.

Uma informação das autoridades de saúde, divulgada no sábado passado, indicava que 522 crianças que estavam sob a sua custódia tinham sido devolvidas aos pais, mas não é claro se se refere a outro grupo de menores, os que não tinham sido entregues aos serviços para abrigo.

Wyden questionou repetidamente Azar sobre quantos pais sabem, de facto, onde estão os seus filhos.

Azar respondeu que “todos os pais têm o direito de saber onde está a sua criança” e que podiam comunicar com eles por telefone ou através de Skype, caso seja possível.

Os serviços de imigração norte-americanos informaram os pais que procuram os seus filhos para contactarem uma linha telefónica gratuita, mas há relatos no terreno de que alguns têm tido dificuldades em obter informação.

Azar recusou comprometer-se com um prazo para reunir famílias que foram separadas na fronteira.

“Temos de retirar crianças dos nossos cuidados de forma expedita”, disse.

O governante reiterou os apelos do Presidente norte-americano, Donald Trump, para que o Congresso altere a lei que impede as crianças de ficarem retidas por mais de 20 dias.

Questionado sobre as idades das crianças sob custódia dos serviços, Azar disse: “Temos crianças pequenas ao nosso cuidado”, mas indicou que esta realidade não é resultado da política de “tolerância zero” de Trump.

“Por muito chocante que possa soar, sempre tivemos crianças pequenas ao nosso cuidado”, disse, relatando que por vezes são encontrados bebés abandonados na fronteira.

O principal dirigente da agência dos EUA para o controlo de fronteiras reconheceu na segunda-feira que as autoridades abandonaram, “por agora”, a política de ‘tolerância zero’ para com as famílias de imigrantes.

Os comentários feitos pelo comissário da Proteção das Fronteiras e Alfândegas, Kevin McAleenan, sucedem à ordem presidencial de acabar com a separação de pais e filhos quanto atravessam ilegalmente a fronteira.

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