Júlio Correia: “Como deputado da Nação acuso publicamente este Governo”

25/06/2018 06:30 - Modificado em 25/06/2018 06:30
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As reacções sobre a morte da jovem grávida da ilha da Boavista têm suscitado comentários, principalmente nas redes sociais, denunciando o caso e chamando à responsabilidade o Governo e a companhia área Binter. O deputado do PAICV, Júlio Correia, através de um post na sua página do Facebook, expressa toda a sua indignação e demarca-se “desta forma de governar do governo”.

“Não me presto a ser cúmplice de coisas indefensáveis, especialmente quando danosas. Lembro que a TACV, malgrado todos os seus problemas nunca deixou um doente nas ilhas por razões de negócios”, escreve Júlio Correia. E continua afirmando que “o MpD, por desonestidade, dizia vir governar para as pessoas e, por crime, sim, crime, desampara os doentes nas ilhas, preferindo honrar os negócios e as imposições de uma companhia estrangeira que não atende a casos de emergência médica, comprometendo vidas humanas em Cabo Verde. Cai em definitivo a máscara e a cara desavergonhada deste Governo. Esta afronta e este descaso interpelam-me a reagir com esta inequívoca veemência”.

Acusa o Governo de ser o responsável pela falta de socorro aos doentes das ilhas e condena o Governo deste país de “gestão desumana e predadora”.

“Exorto a todos os cidadãos à insurgência legal e civil contra este estado de coisas e contra o laxismo que custa vidas humanas. Demarco-me de qualquer tipo de entendimento político e muito menos de consenso parlamentar, enquanto permanecerem as tragédias dos doentes em situação crítica nas ilhas, que não são evacuados (por claras razões de delapidação do sentido da prioridade pública)”, faz saber Júlio Correia.

O mesmo avança que a situação é da alçada da Procuradoria-Geral da República porque “há crime público – incúria e gestão danosa”

“Como Deputado da Nação acuso publicamente este Governo da IX Legislatura, pedindo-lhe o mínimo de decência e que tome medidas em conformidade, enquanto a opinião pública faz o luto das suas vítimas”.

Outras reacções nas redes sociais

Nas redes sociais, principalmente nos fóruns onde o tema tem sido seguido, tem-se assistido a uma deploração da situação e pelas perdas humanas e, quase sempre, os dedos são apontados ao Governo, pela situação verificada.

Depois do caso de um lactante, um internauta questiona se “os políticos acham que os coitados merecem este tipo de situação. Fazem promessas com boca doce durante as campanhas para verem, depois, as pessoas a morrerem?”

“Que pena, que dor. Muito triste”, expressa outro internauta. Outro, lamenta  que isso ainda aconteça “em pleno séc. XXI”.

Lamentações e acusações ao Governo. Um debate que cai nas questões politicas, sobre de quem é a culpa. Um internauta tenta pacificar e afirma que o Governo actual tem de fazer alguma coisa para o povo porque “todos sabem que somos ilhas e que é preciso transportar doentes para as outras ilhas, mas não fizeram caso algum. E, agora, o povo continua a sofrer com a mesma praga; todos são culpados”.

Outro internauta pede justiça e que o povo seja tratado com dignidade e respeito. “Sei que não se governa sozinho, no entanto, não deixem morrer mais pessoas por falta de transportes para a evacuação dos doentes”, explana outro internauta que é apoiado por outro que escreve: “Triste, triste, triste. Nada justificava isto”.

“Perante esta notícia que está a abalar a Nação, gostaríamos de ter uma posição clara sem “tumtunha” do nosso Governo a respeito do contrato com a companhia aérea Binter considerando as evacuações”, escreve outro internauta.

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