Médica prescreveu doses excessivas de analgésico que mataram centenas de pacientes

18/06/2018 01:07 - Modificado em 18/06/2018 01:07
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Uma médica de família, agora reformada, será a responsável por centenas de mortes num hospital do Reino Unido, depois de prescrever doses fatais de um poderoso analgésico com base opiácea.

Jane Barton, de 69 anos, trabalhou como médica de família no Gosport War Memorial Hospital, no Reino Unido, entre 1988 e 2000.

De acordo com uma investigação citada pelo “The Sunday Times”, a médica reformada é descrita como “brusca e indiferente” e terá prescrito, “quase como uma rotina”, doses acima das recomendadas de um poderoso analgésico – diamorfina/heroína – a alguns dos pacientes, contribuindo, desta forma, para as mortes.

Foi analisada a morte de mais de 800 pacientes naquele hospital – cujas certidões de óbito foram assinadas pela médica -, durante um período de cerca de 30 anos. Apesar de Jane Barton ser o principal foco, foi também escrutinada a atividade de outros profissionais de saúde.

O objetivo era perceber a razão de tantos pacientes morrerem e a forma como as autoridades responderam a reclamações.

A investigação de quatro anos vai ser publicada na quarta-feira e custou cerca de 13 milhões de libras (quase 15 milhões de euros). Foi conduzida pelo bispo de Liverpool, James Jones, que afirmou não querer levar o caso à polícia, nem pressionar para uma investigação criminal, uma vez que não faz parte das suas competências.

Investigações anteriores foram inconclusivas quanto às mortes

Apenas dois anos depois de Barton começar a trabalhar no hospital, já algumas enfermeiras tinham reportado à direção a preocupação que tinham quanto ao uso liberal de analgésicos.

Em 2002, a polícia começou uma investigação a 92 mortes no hospital de Gosport, mas o Serviço de Acusação da Coroa definiu, em 2006, que não existiam provas suficientes.

Anos mais tarde, Barton foi considerada culpada, “em várias instâncias, de uma má conduta profissional grave”, pelo Conselho de Medicina Geral, em 2010, mas não foi afastada do exercício de funções, nem acusada de homicídio. No entanto, a médica decidiu reformar-se nessa mesma altura.

Jane Barton referiu que não queria que os pacientes estivessem em dor e que sempre agiu segundo os interesses deles. “Eu deparei-me com uma excessiva e crescente carga de responsabilidade em tentar tratar dos pacientes no Gosport War Memorial Hospital. Eu fiz o melhor que pude por eles, segundo as circunstâncias”, disse a médica depois de ser ouvida no Conselho de Medicina Geral.

Já em 2013, um relatório de Richard Baker, professor na universidade de Leicester, revelou que os analgésicos opiáceos, “quase de certeza, encurtaram a vida de alguns pacientes”. O estudo informou ainda que as primeiras preocupações com o caso iniciaram-se em 1998. Este relatório começou em 2002, mas só foi publicado anos mais tarde, porque fazia parte das provas para as investigações da polícia e devido a outros procedimentos legais.

Resultados da investigação serão divulgados na quarta-feira

Segundo o “The Telegraph”, o bispo de Liverpool irá anunciar às famílias os resultados da investigação que levou a cabo, numa sessão fechada, na Catedral de Portsmouth, na quarta-feira.

Além disso, é também esperado que a primeira-ministra britânica, Theresa May, refira esses mesmos resultados durante as Questões ao Primeiro-Ministro, com o secretário de Estado da Saúde britânico, Jeremy Hunt, que também deverá prestar declarações.

 

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