Juíza brasileira decreta prisão preventiva para os donos do veleiro apreendido no Mindelo com uma tonelada de cocaína

13/06/2018 06:42 - Modificado em 13/06/2018 09:37

A juíza da 2ª vara da Secção Judiciaria do Estado da Baia, num despacho de 26 de Abril de 2018, decretou a prisão preventiva a pedido do Ministério Publico Federal do Brasil por “haver suficientes indícios de autoria a pesar contra Robert James Delbos, e George Edward Saul como responsáveis por operacionalizar o acondicionamento e transporte de mais de uma tonelada de cocaína que foi remetida para o exterior e apreendida no Porto Grande do Mindelo no dia 24 de Agosto de 2017″. O juiz a também decidiu incluir os nomes dos indiciados no Sistema de Difusão Vermelha. Em relação a Matthew Stephen Bolton o Tribunal considerou que não havia indícios suficientes para decretar a sua prisão preventiva assim foram emitidos os respetivos mandados de captura  apenas para Robert James Delbos, e George Edward Saul

O pedido de prisão preventiva foi feito pelo Ministério Público Federal do Brasil com base no despacho fundamentado da Polícia Federal, cujas investigações ilibavam os três velejadores brasileiros e o capitão de nacionalidade francesa, que viriam a ser condenados pelo Tribunal de São Vicente a 10 de prisão por tráfico de drogas, e considerava que os responsáveis eram os três cidadãos britânicos. Como e do conhecimento público o Ministério Público em Cabo Verde, não aceitou a inclusão no processo do referido despacho e na sessão de julgamento o procurador regional considerou que esse documento tinha sido “ encomendado a pedido dos familiares “. O juiz na sua decisão passou ao lado das conclusões da investigação da PFB e durante a audiência de julgamento recusou ouvir como testemunha o delegado da PF que tinha conduzido o inquérito.

Com a decisão de um tribunal brasileiro, que iliba os tripulantes do veleiro e indicia os donos da embarcação, já não estamos na presença apenas de uma investigação policial mas de uma decisão judicial com todas as suas implicações. A primeira ‘e que a Interpol e Polícia brasileira tem mandados de captura contra duas pessoas suspeitas de  operacionalizar o acondicionamento e transporte de mais de uma tonelada de cocaína que foi remetida para o exterior e apreendida no Porto Grande do Mindelo no dia 24 de Agosto de 2018. Por outro lado em Cabo Verde temos quatro pessoas a cumprir pena de 10 anos de cadeia por um crime que foram considerados inocentes, sequer indiciados, no local onde ocorreu o crime.

A Interpol procura dois homens indiciados de operacionalizar o acondicionamento e transporte de mais de uma tonelada de cocaína e na cadeia de São Vicente temos 4 pessoas presas porque  operacionalizaram o acondicionamento e transporte dessa mesma tonelada de cocaína. Em que ficamos?

  1. Fernando Assis

    Espero que não venhamos a ter um conflito diplomático entre Brasil e Cabo Verde neste sentido. Não esqueçamos que temos cabo-verdianos no Brasil que também, perante outras situações, poderão vir a ser vítimas de injustiças pelas autoridades brasileiras.

  2. João Dantas

    Enquanto isso , a justiça de Cabo Verde mantém o meu filho preso, de forma injusta e cruel, trazendo sofrimento e dor, para toda a familia e amigos, além da indignação generalizada e absurda de todos que acompanham essa triste história, onde a verdade vai prevalecer e a mentira vai aparecer.
    A Polícia Federal Brasileira investigou o crime, onde a quase totalidade foi praticado e executado em território brasileiro, através de um inquérito sério e responsável. Emitiu um despacho fundamentado onde deixou claro a não participação dos velejadores em nenhum momento desse projeto criminoso. O Ministério Público Federal do Brasil acatou o inquérito e o despacho e encaminhou para a Justiça Federal do Brasil que decretou a prisão dos ingleses e a imediata expedição para a DIFUSÃO VERMELHA internacional.
    E a Policia Judiciaria de Cabo Verde?
    E o Ministério Publico de Cabo Verde?
    E a Justiça de Cabo Verde?
    A PJ no inicio das investigações pediu informações à PF Brasileira e as aceitou para acusar. Mas no decorrer do processo, quando a PF Brasileira avançou nas investigações e emitiu o DESPACHO FUNDAMENTADO onde inocentava os brasileiros, a PJ recusou. Isso está registrado quando a defesa de Rodrigo Dantas, no julgamento contestou o chefe da PJ e este ficou sem resposta por que não aceitou.
    O Ministério Público de Cabo Verde declarou, durante o julgamento , de forma ofensiva e desrespeitosa contra umas das mais sérias instituições brasileiras , a POLICIA FEDERAL BRAISLEIRA, que o inquérito era uma encomenda da defesa. Isso está impresso na citação do Juiz na Sentença, pagina 95: “ Documento, a que o M.P. propugnou chamar de um” inquérito encomendado” …”. Ora, isso se traduz numa ofensa, não só à Nação Brasileira , mas um completo desrespeito a todos os brasileiros, e principalmente a humilhação sofrida pelos arguídos, os familiares e o diplomata da Embaixada Brasileira em Cabo Verde, representando o Estado Brasileiro presentes ao julgamento.
    Nem a PJ e nem o MP de Cabo Verde não apresentaram nenhuma prova da participação dos velejadores em nenhum momento do julgamento e em atitude incompreensível para as leis de um país em pleno estado de direito, inverteu o ônus da prova para os arguídos.
    Por fim o Juiz, que no pleno sentido da sua essência , deveria representar o equilíbrio , a razão, a busca da verdade e seguir um velho ditado : na dúvida , melhor inocentar um culpado do que condenar um inocente. Em todos os dias de julgamento e isso é público e possível de acessar aos áudios oficiais do julgamento, em nenhum momento sequer , mostrou imparcialidade ou pelo menos um pouco de “ in dubio pro reo” . Desqualificou o DESPACHO FUNDAMENTADO da Policia Federal Brasileira, volto aqui na mesma citação do Juiz na Sentença , pagina 95, “Documento, a que o M.P. propugnou chamar de um “inquérito encomendado” e repita-se, percebe-se esta afirmação apesar do tribunal não acompanhar a infeliz denominação mas, infelizmente a Polícia Federal Brasileira faz várias afirmações no dito inquérito a que se pode qualificar com toda a certeza de , deveras contraditórias e julga-se, por um desconhecimento parcial da investigação e as provas coligidas nesse processo que ora se decide”.
    E a surpresa maior , quando em nome da celeridade do processo , não permitiu ouvir as testemunhas de defesa de Rodrigo Dantas, entre elas, o DELEGADO DA POLICIA FEDERAL DO BRASIL, presidente do inquérito, numa clara atitude de cerceamento de defesa, e também numa obscura manobra, dando continuidade ao seu projeto acusador, acima do julgador , a sentenciar ,de forma sumária, todos a 10 anos de prisão.
    O testemunho de uma autoridade policial federal, seria considerado como um dádiva em qualquer processo, não só pela sua credibilidade, mas pela importância para a elucidação dos fatos. Mas, recusar essa ajuda ? Muito estranho.
    Enfim, Cabo Verde é uma democracia , em pleno estado de direito, acredito nas instâncias superiores, que agora estão a avaliar a “ SENTENÇA DO ZORRO”. Um colegiado de juízes, munidos de longa experiência, equilíbrio e ponderação.
    VOLTA NAVEGANTE, VOLTA.
    JOÃO DANTAS , pai de Rodrigo Dantas

  3. Maria José

    Inocentes? Todos sabiam. Todavia os ordenantes tambem dever ser punidos. Portanto devem ser 6 pessoas presas em vez de 3.

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