Euro/Escudo: As moedas que podem vir a conviver de igual para igual 

30/05/2018 00:52 - Modificado em 30/05/2018 00:52
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Nos últimos dias, o Governo tem abordado o tema da circulação do euro em Cabo Verde, em paridade com o escudo, em conversas e palestras. O anúncio de Ulisses Correia e Silva é que o futuro do acordo cambial com Portugal pode ir à quase integração, justificando que o país precisa de estar inserido em espaços económicos dinâmicos, sendo a zona euro um desses. Outra questão sobre a moeda refere-se à possibilidade de vir a surgir uma moeda única para o espaço da CEDEAO, onde Cabo Verde está inserido. Uma opção ainda distante já que o assunto está a ser debatido ou proposto pelos governantes. Já a opção do euro começa a ganhar forma e posições.

A circulação do euro no espaço económico nacional, além de forma informal, é uma realidade. Transacções são feitas em euros, sendo que o NN no passado, já abordou a questão do valor do euro nas trocas onde existe uma certa desvantagem quando as pessoas fazem compras com euros e a conversão feita é de cem escudos por cada euro nalguns locais como restaurantes e outros lugares onde se aplica a conversão certa.

Sendo uma prática informal e abordando algumas pessoas sobre a questão, a primeira impressão que fica é que se trata de uma prática normal e, quiçá, até bem vista. “Nós já utilizamos o euro de forma normal em lojas, por isso, não vejo muitos problemas”, justifica, por exemplo, Manuel Duarte. Uma abordagem normal vista a situação actual a transformar-se numa área em que seria regularizada. Outra nota é que nas ilhas turísticas já se utilizam as moedas do euro mas, já em São Vicente, por exemplo, as moedas não têm tanta circulação e moedas de euro na mão servem mais para fazer colecção, como analisa Cristina Costa que vê, neste aspecto, uma forma de utilizar as moedas que tem guardadas.

Todavia, em qualquer situação onde existem aspectos económicos e monetários envolvidos, o pedido é de atenção. “Acho que é um assunto que o Governo tem de ver bem, se vai fazer bem ou não, porque em todas as coisas há vantagens e desvantagens. Agora, resta saber quais são as melhores”, notifica Rui Silva. “É um assunto interessante e penso que já está a acontecer porque as pessoas utilizam o euro normalmente nas lojas”, isto segundo a análise de Nelson Santos. Mas, das entrevistas, fica a preocupação que as pessoas que estão à frente têm de pensar nas melhores opções para o país e o que ganhará ou não. Mas quanto à questão da integração ou quase integração, essa é uma preocupação devido ao passado recente da Europa e de alguns países. “Cabo Verde tem de ter cuidado porque já vimos muitos países do euro em crise e só esperamos que não aconteça com Cabo Verde”.

Mas a troca de moeda no seu todo não é bem vista. “Cabo Verde tem uma boa moeda, pelo que penso que não devemos trocar para termos a mesma moeda que outros países. E temos o exemplo de alguns países na Europa que mudaram para o euro e as coisas não ficaram muito bem”, posição defendida por Jorge Delgado. Outro entrevistado, Ricardo Santos, também partilha dessa mesma opinião que o país, em circunstância alguma deve matar a sua moeda baseando-se na estabilidade da moeda. Uma moeda estável, mesmo com o poder de compra baixo, até agora conseguiu dar resposta ao país em termos de transacções. E, nesta questão, o pedido é de muita atenção.

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