Maria Teresa da Cruz: Artigo de Reflexão sobre Ribeira-Grande

28/05/2018 03:16 - Modificado em 28/05/2018 03:16
| Comentários fechados em Maria Teresa da Cruz: Artigo de Reflexão sobre Ribeira-Grande

O PAICV – Ribeira Grande mostra-se indignado pela ausência de uma atitude construtiva por parte da governação local, pois nota-se que a gestão municipal se encontra carregada de contradições.

Ao longo das campanhas eleitorais prometeram melhores condições de vida aos ribeira-grandenses, concretamente em relação à habitação social, cultura, criação de emprego e espaços de lazer. Até a data não se passaram de promessas e o Presidente da Câmara contínua a cometer os mesmos erros em termos de políticas de governação, culpabilizando o anterior governo central pelas suas fraquezas governamentais a nível local, na tentativa de desviar a atenção dos munícipes.

Habitação social, um mal crónico

No concelho nota-se de forma clara uma desigualdade enorme em termos de respostas aos pedidos de habitação social, pois a capacidade de resposta da autarquia tem sido mínima, devido à ausência de um plano estratégico para responder as reais necessidades. Urge reavaliar as necessidades das zonas rurais em relação à habitação social, sobretudo quanto ao apoio social.

Pede-se ao senhor Presidente da Câmara que se diz aos ribeiragrandeses qual é a estimativa que ele tem das necessidades de habitação no Concelho? Se tem um plano estratégico para minimizar esta problemática de forma justa e não a distribuição de materiais de construção de forma desorganizada?

Diminuição da população

O abandono permanece, levando que Ribeira Grande perca a sua população perante o imobilismo do município. Se antes, atirava a pedra ao governo anterior, hoje embala no “vamos fazer” e na realidade nada é feito para contornar esta situação. É caso para dizer: “ mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

A realidade em termos populacionais é preocupante, pois a sua tendência é diminuir e envelhecer. Segundo dados do INE, Ribeira Grande deverá ter em 2030, menos população. Ribeira Grande, nos últimos anos, tem sido um concelho de perda, perde a população, perde a dinâmica, perde as forças vivas, perde a dinâmica das cidades. Quem não se lembra da movimentação do principal centro da cidade de Ribeira Grande, dos encontros culturais noturnos, das conversas sociais, das trocas de experiências?

Não podemos esconder a nossa preocupação relativamente ao futuro do concelho, pois o mesmo contínuo estagnado, não se vê melhoria na vida dos ribeira-grandenses, isso porque não existe vontade política do poder local em adotar uma verdadeira estratégia de desenvolvimento municipal, de tão habituado está em transformar o orçamento municipal em migalhas que são distribuídas a uma população empobrecida e uma aposta para publicitar os projetos que deixaram congelados durante longos anos de governação, por estratégias políticas.

Potencialidades ignoradas e deficiente afirmação de um plano para a valorização dos bens patrimoniais e culturais

A diversidade paisagística e as potencialidades culturais do concelho tem tudo para ser um dos melhores da ilha e quiçá do país, no entanto há falta de iniciativas de crescimento visto que não há definição de metas concretas e de um plano de investimento. Não há incentivos aos jovens.

Ultimamente, notou-se alguma medida em relação ao património sociocultural do concelho, mas precisa-se não de medidas pontuais, precisa-se sim de afirmação de um plano para a valorização dos bens patrimoniais e culturais, transformando-os em potencialidades de atrativos turísticos e como forma de transmitir os valores, costumes e tradições aos mais novos.

Prédios de grande valor arquitetónico carecem de obras há muitos anos, apresentando sinais de deterioração grave e espaços exteriores deploráveis. É certo que a recuperação desses espaços traz muitas vantagens:

  • cria postos de trabalho ao longo do processo de recuperação, uma vez recuperados, e ao longo da exploração de alguns deles como investimento;
  • torna-se num elemento de atração turístico-cultural interno e externo que é gerador de mais postos de trabalho;
  • Dinamização do valor histórico-cultural, preservador da memória da ilha e de Cabo Verde, o que é muito importante para a educação dos jovens.

Há necessidade urgente de colocar o centro histórico-cultural e museus no topo da agenda cultural.

Ambiente e saneamento

Constata-se um evidente défice de iniciativa programática em relação à manutenção, criação de espaços verdes e reabilitação de jardins das praças. Assim também como ausência de espaço de lazer para as crianças, tais como um parque infantil ou mesmo uma simples praça infantil.

No tocante a resíduos sólidos, verifica-se que o lixo junto aos contentores contínua a acumular-se cada vez mais um pouco por todas as localidades do concelho, denotam-se os cheiros nauseabundos das pocilgas nos arredores das cidades da Ponta do Sol e da Ribeira Grande, constituindo autênticos atentados à saúde pública.

Ausência de uma fiscalização no tocante ao fabrico de grogue provocando consequências negativas tais como perda de qualidade do produto, aumento de pacientes nas camas hospitalares devido ao consumo do produto feito a partir do açúcar refinado e de produtos nocivos à saúde das pessoas.   

No tocante à problemática das estradas de penetração referimo-nos a de Figueiral, Fajã de Matos /Ribeirão, Chã de Pedras (Pia), pelo estado lastimável em que se encontram, com buracos e piso deformado, dificultando assim a normal circulação, e principalmente a estrada de Caibros que merece uma atuação urgente.

Existem amontoados restos de materiais de construção nas bermas de muitas estradas do concelho, dificultando a normal circulação. Tudo isso por causa da ausência de fiscalização nesta área.

O programa de mitigação do mau ano agrícola, nada, defrauda todas as expetativas feitas a população. Grave ainda porque abrem frentes de obra durante quinze dias ou um mês, de seguida são encerradas, em algumas das zonas.

Relativamente a saúde ausência de um controlo sério aos serviços prestados e falta de um cirurgião no bloco operatório.  

A primeira Secretaria do PAICV – Ribeira Grande

– /Maria Teresa da Cruz/-

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.