A versão do capitão do veleiro Rich Harvest : condenado sem provas

28/05/2018 03:10 - Modificado em 28/05/2018 03:10

Até agora Olivier Thomas, capitão do veleiro Rich Harvest  apreendido no dia 24 de Agosto no Porto Grande do Mindelo com 1157 quilos de cocaína, e depois condenado em  1 ª instância na pena de 10 anos de prisão, tinha optado pelo silêncio. Assim como as autoridades francesas que optaram por uma intervenção em defesa do seu cidadão nos bastidores ao  contrário das autoridades brasileiras e familiares dos três brasileiros presos que optaram pela divulgação e posicionamentos públicos. Este online tentou várias vezes, junto do advogado de Olivier Tomás, saber a sua versão dos factos e em particular sobre a sua condenação. Oliver optou pelo silêncio. O que se sabia foi o que disse nas sessões de audiência de julgamento onde sempre defendeu que estava inocente, que não sabia que o veleiro transportava drogas.

A Rádio França teve acesso a um documento único, um caderno escolar, onde Olivier em mais  cem de páginas manuscritas conta a sua história. A contra investigação da Rádio França quando tenta responder a pergunta onde a droga foi carregada chega a mesma conclusão que este online chegou: não existem provas, apenas o relatório da polícia federal brasileira que defende que foi no Estado do Espirito Santo. E a ser verdade, como defendemos, Olivier Thomas e os três marinheiros  brasileiro deveriam estar em liberdade porque está provado que nessa altura não estavam ao bordo do veleiro. Assim como ficou provado que após a sua chegada, três dias antes da partida, não havia a possibilidade da droga ser carregada. Um advogado especialista em direito marítimo, Yves Tasse, ouvido pela Rádio França sustenta que “ O capitão deve fazer determinadas verificações, como a capacidade de navegar, ele deve verificar se não há mercadorias proibidas no navio, mas isso não vai além. Quando o esconderijo da droga é quase indetectável, acho que não podemos responsabilizar o capitão. ” Mas, já se sabe que as investigações da PFB, as únicas que foram feitas, não foram levadas em conta e o juiz não aceitou ouvir na sessão de julgamento o delegado da PFB que conduziu a investigação e  que foi arrolado como testemunha. O especialista da RF também se pronunciou sobre este facto “A justiça de Cabo Verde não levou em conta as descobertas da polícia brasileira . Não faz sentido , quando se investiga um crime que é punível, você tem que investigar todos os fatos. Se a polícia brasileira diz que é provável que a tripulação não estava ciente da presença das drogas a bordo, o juiz cabo-verdiano deve levar isso em conta. “

A investigação da Rádio França conclui que “ Existem vários elementos que  permitem duvidar seriamente da culpa do marinheiro francês “ e que “A justiça de Cabo Verde condenou a tripulação, favorecendo a probabilidade em detrimento do “princípio da presunção de inocência “

 

Quem é Olivier Thomas?

Construção naval, vela solitária, mergulho, Olivier Thomas, 50 anos, de Guérande em Loire-Atlantique, é um marinheiro completo . Nascido de três gerações de carpinteiros marinhos (o Thomas House, criado em Saint Nazaire em 1876), Olivier é um “peixe com duas pernas”. ” Ele é um homem desportivo, sóbrio, frugal, determinado, orgulhoso no bom sentido da palavra, independente e feroz”, diz Jean-Yves Defay, um ex-cônsul que o conhece bem . “.

Engajado no exército durante a Guerra do Golfo como mergulhador de remoção de minas, seu sonho sempre foi construir catamarãs, uma actividade que ele tem feito há quinze anos no Brasil antes de ir para a Tailândia.

É justamente quando se prepara para ingressar na Tailândia, no final de julho de 2017, o chefe do estaleiro onde tinha  sua oficina durante todos esses anos no Brasil pede-lhe um serviço: para transportar com urgência o veleiro de um cliente de Natal (Brasil) a Madeira (Portugal). Olivier Thomas conhece o cliente, proprietário da Rich Harvest, uma escuna de 22 metros, pouco antes do embarque. Este é um garoto britânico de 34 anos que é apelidado de “Fox”, a raposa . Este último chega a mostrar-lhe suas cicatrizes, as chamadas feridas de guerra, para ganhar sua confiança. Eles concordam com o preço deste transporte transatlântico: 8000 euros. 

No manuscrito que a RF teve acesso Olivier lamenta-se várias vezes de ter confiado no Fox “ A Fox, raposa, em questão é um profissional de topo com uma equipa internacional, um laboratório, uma organização para carregar a mercadoria e uma rede para vendê-la por toda a Europa. Nós, a tripulação, somos os perus da farsa.

  1. Bruno Almeida

    Se a embarcação fosse preso na Indonésia … queria ver esta gente toda a espernear e a tentar achar outros culpados!

  2. moacir

    Liberdadeeee!!!

Os comentários estão fechados.

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