Morte de uma criança  na estrada de Calhau: Mãe acusa condutor de ter morto a filha

25/05/2018 07:07 - Modificado em 27/05/2018 20:32
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Fonte: TCV

Está a ser julgado no Segundo Juízo Crime do Tribunal da Comarca de São Vicente, o condutor da viatura que causou o acidente na estrada de Calhau e que vitimou Ironice Delgado Évora, de 5 anos. O caso aconteceu no domingo, 30 de Abril de 2017, na estrada cidade – Calhau, por volta das 16:20  quando uma carrinha de caixa aberta terá tentado uma ultrapassagem a um táxi numa manobra mal sucedida e que levou a primeira viatura, que transportava 13 pessoas, a capotar.

Na manhã desta quinta-feira, 24 de Maio, foram ouvidas todas as pessoas envolvidas no acidente, tendo ficado por último a mãe da criança que, num depoimento emocionado, disse que “eles acabaram por matar a minha filha”, referindo-se ao condutor e ao co-piloto.

Durante a audiência de audiência de julgamento, o arguido questionado pelo tribunal disse que não sabe explicar como é que o acidente aconteceu, alegando que não ia em excesso de velocidade e que o carro capotou quando fez a ultrapassagem ao táxi, afirmando que “foi tudo muito rápido”.

Este conta que ao entrar no carro o mesmo começou a fazer barulho e o dono do carro que ia no lugar do passageiro, disse que estava tudo bem. Com isso, continuou a condução e antes de acontecer o acidente, voltou a sentir um barulho no carro, não explicando que tipo de barulho e quando se apercebeu, tudo já tinha terminado. O carro capotou e foi embater num poste. O carro, na altura do acidente, ficou na posição de regresso, ou seja, como se estivesse de volta à cidade.

Sobre a vítima mortal, a criança de cinco anos, disse que ficou entre os carros, tendo depois sido resgatada pelas pessoas e de seguida conduzida para o Hospital Baptista de Sousa, onde chegou ainda com vida.

Chamada a depor, uma das acidentadas disse que não se lembrava do acidente e que quando acordou, depois de ter ficado três dias em coma, veio a saber do sucedido.

O taxista, por seu lado, conta que ia a uma velocidade tão reduzida que poderia ter sido “ultrapassado até por uma bicicleta” e que também não entende como é que aquele acidente aconteceu. Corroborando as declarações do condutor do Peugeot, diz que este não ia em excesso de velocidade e que a carrinha capotou sozinha e ainda veio a bater nele.

Declarações contrariadas pelo dono da viatura que garante que quando sofreram o acidente, o táxi ainda chegou a embater neles.

Das outras duas testemunhas ouvidas, umas dizem que o carro ia a alta velocidade e outras que não. No entanto, a mãe da criança que organizou o passeio, disse que quando estavam perto do local do acidente o carro começou a ir mais rápido. E antes de acontecer o acidente, a parte de trás da carrinha levantou-se e a filha foi projectada do carro e, de seguida, também as outras pessoas que ficaram espalhadas pelo chão.

Com lágrimas nos olhos, conta que a primeira reacção foi procurar os filhos, sendo a sua principal preocupação aquela que tinha sido projectada no primeiro momento. Sem conseguir dar muitos detalhes devido à lembrança dolorosa sofrida, disse que esta ficou “pequena” entre os carros. “Queria apenas divertir-me com a minha família e acabei por perder a minha filha”, chora esta mãe que viu a filha a ser-lhe tirada por conta de uma fatalidade, há um ano e poucos dias.

O julgamento continua no dia 30 de Maio, quarta-feira, com a audição do agente da polícia responsável pela elaboração do croqui do acidente.  

O acidente

No dia 30 de Abril de 2017, Vanda Delgado organiza um passeio com a família para a estância balnear de Calhau e leva consigo as duas filhas. Durante o trajecto, a carrinha, numa tentativa de ultrapassagem, perde o controlo e projecta todas as pessoas que iam na parte traseira para a estrada. Nove pessoas sofreram ferimentos, quatro das quais deram entrada no banco de urgência do Hospital Baptista de Sousa em estado grave. Três crianças do sexo feminino, de quatro, cinco e dez anos. A de cinco não sobreviveu. Chamava-se Ironice Delgado Évora.

Algumas sofreram traumatismo craniano. Uma das feridas, uma jovem de vinte e cinco anos, ficou em estado de coma durante três dias, outra, levou mais de vinte pontos na cabeça e seis nos ombros. Outras tiveram ferimentos menos graves.

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