Suspeitos de burla e associação criminosa negam os crimes que são acusados

23/05/2018 07:02 - Modificado em 23/05/2018 07:02
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O Tribunal de São Vicente continua, esta quarta-feira, o julgamento dos supostos elementos de uma rede criminosa que se dedica ao crime da burla de sementes. São quatro indivíduos, três dos quais, na altura da detenção, em Outubro do ano passado, ficaram em prisão preventiva. Dos três acusados, dois são cabo-verdiano e um da Guiné Conacri.

Com idades compreendidas entre os 28 e os 40 anos, são suspeitos de serem responsáveis por, pelo menos, mais de 35 crimes de burla de sementes, só na ilha de São Vicente.

O grupo responde pelos crimes de burla qualificada e organização criminosa. Segundo a acusação, os indivíduos foram detidos a 3 de Outubro de 2017 em flagrante delito pela Polícia Judiciária na zona de Monte Sossego quando se preparavam para burlar em 150 mil escudos mais uma vítima. Neste mesmo dia, o grupo teria burlado um outro cidadão em cerca de 300 mil escudos.

Durante o primeiro dia audiência e julgamento, negaram a autoria dos factos alegando que nunca tiveram contacto com as vítimas e que não são os responsáveis pelos crimes de que são acusados.

Entretanto, o mais jovem detido em flagrante, na altura dos acontecimentos confessou o crime alegando que servia apenas de intermediário no negócio, ou seja, ligava para a vítima e, depois de estabelecido o negócio, marcava um encontro para entregar as sementes e receber o montante estabelecido. Consoante o valor negociado, recebia uma comissão.

São acusados de operar numa rede de bandidos que propõe a compra de “Sementes de Moringa”.

De acordo com o Ministério Público, a operação começa quando, de repente, uma pessoa desconhecida com um nome fictício liga para si a partir de Cabo Verde, mas com indicativo de um país estrangeiro, onde o burlão ou golpista finge ser da sua amizade ou conhecido da família, oferecendo-lhe a possibilidade de realizar um bom negócio e, no final, repartir entre si o lucro que alegadamente será bastante elevado.

Nisto, informa a vítima que o seu patrão se encontra em Cabo Verde à procura de uma determinada semente milagrosa utilizada na cura de determinada doença rara e pede à vítima para intermediar esse negócio. Em seguida, o burlão oferece o número da pessoa que vende as sementes, o número do telefone do seu alegado patrão e o hotel onde o mesmo se encontra hospedado.

Depois dos primeiros contactos, a vítima faz ou recebe chamadas do suposto vendedor de sementes para combinar a compra e o local da entrega.

Optando por realizar o negócio solicitado, houve casos em que a vítima comprou uma grande quantidade de sementes e outros em que optou por comprar apenas um grão para servir de amostra, aguardando pela confirmação do suposto patrão.

Neste último caso, a vítima sai a ganhar, pois geralmente compra cada grão de semente por 1.000$00 (mil escudos) e vende por 25 (vinte e cinco) euros ao tal patrão, criando assim na vítima a convicção de um negócio bastante lucrativo.

Depois disso, o suposto patrão, fingindo não falar a língua materna cabo-verdiana nem a língua portuguesa, volta a entrar em contacto com a vítima através de um suposto tradutor, mandando informar que a semente é de boa qualidade e que precisa de uma quantidade maior.

A vítima, convencida da seriedade do trato e perspectivando um negócio bastante rentável, chega até a contrair empréstimos para adquirir as sementes, com o objectivo de as revender a um preço que lhe garanta lucros elevados.

Neste caso, a vítima é levada ao limite até esgotar a sua capacidade de pagamento.

Depois da vítima adquirir as sementes em grande quantidade, os golpistas simplesmente desaparecem e os números de telefone são desactivados.

Na realidade, as sementes não têm qualquer valor comercial. Algumas vezes são sementes de purgueira e outras são sementes de plantas não identificadas que são pintadas.

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