Stiven Évora :  A dança é a forma como me expresso melhor –

22/05/2018 07:20 - Modificado em 22/05/2018 07:20
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Chama-se Stiven Évora, é dançarino e coreógrafo responsável por algumas coreografias, sendo a mais recente, a coreografia que faz parte do primeiro trabalho a solo de Djarilene Paris. Diz sobre este trabalho que, como qualquer trabalho, não foi fácil, isto porque a produção queria algo simples e que teria de se enquadrar no estilo da Djarilene, com pequenos movimentos dela para fazer parte da montagem da coreografia. É ainda responsável por diversas coreografias, uma delas de um dos grupos carnavalescos de São Vicente

Diz que a sua inspiração vem da música e da arte do corpo a movimentar-se em sincronia, confira.

Notícias do Norte – Quando é que descobriu a dança?

Aos dezasseis anos, quando frequentava o secundário na Escola Salesiana. Sem saber de nada, fui desafiado para participar na festa de Dom Bosco como dançarino e como gosto de um bom desafio, convidei dois colegas de sala e inventámos uns passos, demos um nome ao trio e participámos no show. Foi assim que tudo começou.

Notícias do Norte – O que é dança para si?

A dança é um meio para expressar os meus sentimentos, uma forma de fazer novas amizades, de conhecer o mundo que nos rodeia. Serve para ajudar, animando quem não está a ver. Acolhe também muitas pessoas que têm dificuldades na vida fazendo-as sentir pertencentes a uma sociedade.

É também o elemento principal da música, complementando-a desde instrumentais até aos cantores e também pela movimentação corporal.

Notícias do Norte – O que é que a sua família acha da sua escolha para a dança?

Foram surpreendidos, porque não imaginavam que pudesse enveredar por este caminho, já que antes praticava apenas o futebol e, depois, comecei a ter a iniciativa de dançar. Mas sempre me apoiaram porque mostrei o quanto significava para mim e que não estaria disposto a continuar e depois o meu irmão mais novo começou a acompanhar-me e a dançar comigo.

Notícia do Norte – Qual é o seu estilo/género de dança?

Hip Hop e as suas vertentes, mas adapto-me a outros estilos muito bem. Já participei na criação e montagem de uma coreografia de um grupo de Carnaval.

Notícias do Norte – Quanto tempo leva a montar uma coreografia?

A coreografia depende do grupo e da pessoa em si. A disponibilidade de uma pessoa para os ensaios, a disponibilidade da pessoa, a motivação. Em São Vicente, por exemplo, é difícil definir um tempo exacto por causa dessas e outras condições.

Notícias do Norte – A importância de fazer uma boa coreografia?

É sempre bom ter cautela na coreografia, pois é ela que define e defende que tipo de profissional ou trabalho que a pessoa está a fazer.

Notícias do Norte – Na tua opinião, quando é que o amadorismo dá lugar ao profissional?

Quando deixamos de pensar que é apenas um passatempo. E entender que pode ser entendido como um meio para empregar pessoas.

Notícias do Norte – Maiores dificuldades para um coreografo e dançarino em Cabo Verde?

O respeito pelas pessoas e pela arte. Muitos não gostam de pagar pelo trabalho no mínimo que seja. Independentemente do tempo que demoram para algo ser preparado, acredito que pensam que é algo fácil. Mas por detrás disso existem muitas dificuldades: algumas vezes lesões, cansaço, desgaste físico no ensaio e principalmente o trabalho com a mente e o corpo para memorizar a coreografia seguindo o tempo da música.

Notícias do Norte – Conte um pouco dos seus objectivos na área da dança para o futuro?

É mostrar que somos talentos. Estou a falar da generalidade dos bailarinos cabo-verdiano, para que “portas” possam ser abertas criando assim uma forma de viver com a dança. E também explorar várias outras danças do mundo, viajar através delas e ver como cada um se expressa.

Não quero ser uma lenda, mas um exemplo a seguir. Por isso, participo em várias modalidades de dança para mostrar que podemos aprender e a ser melhores.

Notícias do Norte – O que é preciso para se ser um bom coreografo ou dançarino?

É ter coragem de começar a fazer, qualquer um pode ser desde que seja feito com amor. Saber aproveitar cada coisa na vida que te pode inspirar e sempre respeitar os mais velhos da área, aprender tudo o que for possível, porque é graças a eles que sou o que sou.

Notícias do Norte – Que outras áreas lhe atraem?

A informática, áudio visual, produção de música, DJ e professor de dança.

Notícias do Norte – Se pudesses definir a dança numa palavra, qual seria?

Liberdade.

Notícias do Norte – Uma frase que te define?

Uma pessoa que não acredita no impossível.

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