Funcionárias da empresa A Poutada denunciam péssimas de condições de trabalho

17/05/2018 07:12 - Modificado em 17/05/2018 07:12

Funcionários da empresa espanhola de produção de acessórios de pesca, A Poutada denunciam as péssimas condições de trabalho que estão sendo submetidas. Graves falhas nas condições de trabalho a vários níveis, condições físicas de trabalho, aos atrasos no pagamento dos salários e assédio moral às funcionárias.  

 Diz que quando se fazem ouvir os seus direitos, são tratados de forma ríspida. Inconformados com as condições de trabalho, procuraram este online para denunciar a situação.

Esta fonte que preferiu não se identificar com medo de represálias, conta que os “abusos são muitos. Diz que não podem reivindicar os seus direitos porque acabam sempre por haver consequências e muitas com medo de perder o emprego submetam-se a este tipo de tratamento.

Instalada em Cabo Verde desde Março de 2016, na ilha de São Vicente, Campinho, A Poutada é uma empresa exportadora, nascida na Galiza, em Espanha e que com os anos, tornou-se uma das marcas de topo na produção e comercialização de acessórios de pesca, garante emprego a 200 mulheres que segundo esta funcionária que preferiu não se identificar.

Trabalhamos, actualmente das 6:30 até as 15 horas da com direito apenas ao pequeno-almoço, num intervalo de meia hora. No entanto, classifica como péssimas as condições que se encontra no local de trabalho. Entre outros, reivindicam que os salários sejam pagos a tempo e horas, e que sempre que acontece os atrasos, não dão uma explicação, ou quando dão, apenas exigem que “deveríamos entender”.

No entanto, “a Electra não entende, as nossas dívidas não entende, a renda por pagar também não, entre outros. Nós somos obrigados, simplesmente a entender, quando não dão uma explicação plausível”.

Num episódio recente, conta que algumas colegas reivindicaram uma explicação foram ameaçadas. E “não denunciam esta situação na Direcção Geral do Trabalho, porque ficam a saber quem fez a queixa e a pessoa acaba por ser demitida e fica tudo igual”, acusa. E isso já aconteceu muitas vezes, e com medo de perderem o emprego sujeitam a este tipo de condições laborais.

“Os estagiários que entram ali são explorados. Fazem um contrato de estágio com um montante e pagam a metade do acordado. As funcionárias quando começam a trabalhar o aumento de produção em uma das áreas é transferido para outro posto para completarem o restante do mês, mas não pagam o montante que têm direito. Por exemplo se são quinze dias, deveria estar garantido, mas do jeito que é feito, é uma forma de não pagar a produção”, critica.

Diz que no momento, não estão a exigir aumentos salariais, apenas o cumprimento dos horários definidos e melhores condições de higiene. “Temos falta de higiene nas casas de banho, e somos sobretudo mulheres”, podendo em casos extremos ocasionar, caso não seja resolvido, a ocorrência de infecções urinárias.

Para esta trabalhadora, não dão a mínima importância para as condições físicas que os trabalhadores laboram, importa apenas o que lhes dão e exigem muito além da conta. Diz ainda que é evidente a finalidade da empresa de inibir seus empregados de exercerem plenamente o exercício dos seus direitos usando da coação ou assédio moral no intuito de impedi-los de buscar condições dignas de trabalho.

Até ao fecho desta matéria, não foi possível trazer a versão contrária dos factos, no entanto comprometemos, continuar a tentar obter o contraditório.  

 

Foto: Expresso das Ilhas

  1. Fiat Lux

    Todos sabemos que estas fábricas procuram os países pobres para maximizarem os lucros, pagando baixos salários, gozando de algumas isenções e fugindo de algumas obrigações. A Poutada já está estabelecida, emprega realmente muita gente e estou convencido que melhorar as condições de trabalho para satisfazer as necessidades dessas trabalhadoras não representará muito nas despesas e os ganhos serão visíveis, pelo que exorto os respetivos dirigentes a atenderem essas reivindicações, a bem de todos.

  2. Manel Juquim

    Bando de covardes é que vocês todos são !!! Imaginem 200 pessoas nestas condições e ninguém diz nada é porque estão bem ! Pois fiquem a saber que ninguém de fora vai lutar por vocês, todos temos os nossos problemas. Quem tem dor, que grite!

    Uma coisa é certa, ainda esses brancos de merd@ continuam a tratar os africanos como mão de obra escrava … sobretudo esses espanhóis são piores que os mondrongos quanto a crueldade da escravatura.

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