Richard Photografy: “A felicidade de captar o momento”

14/05/2018 06:51 - Modificado em 14/05/2018 06:51
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Na primeira de uma série de entrevistas com jovens talentos de diversas áreas, conversámos com o jovem fotógrafo natural de São Vicente que diz que a fotografia é a sua paixão e considera que a maior liberdade de um profissional desta área é a felicidade de captar o momento porque, “estás a gravar memórias”.

Em entrevista a este Online, Ricardo Pires, conhecido profissionalmente por Richard conta como é fazer parte de um mercado cheio de talentos e bastante concorrido que é a fotografia e como criar o seu espaço nesta área.

Com 22 anos, diz que ainda tem muito para apreender, mas todos os dias trabalha para desenvolver o seu potencial. Afirma que o mundo da fotografia depende de um clique. Confira!

Notícia do Norte – Como foi parar neste mercado tão concorrido e cheio de talentos que é a fotografia?

Basicamente por influência. Mas posso dizer que comecei em casa, não era o fotógrafo de família, mas o fotógrafo dos meus gatos o que me ajudou muito. Quando comecei a fotografar com o meu telemóvel, comecei a desejar aprender cada vez mais sobre a fotografia e, com a curiosidade cada vez mais forte, comecei a pesquisar mais sobre esta arte, sobre a beleza de captar e eternizar um momento e, daí, a minha interacção cada vez mais forte com esta área.

Notícia do Norte – Quando é que percebeu que o amador começou a dar lugar ao profissional?

Quando se percebe que já não se vê o mundo como os outros. Vou-me explicar. O momento que considero em que ocorreu esta transição, estava eu na escola, no Liceu Ludjero Lima, tinha saído da aula rumo à cantina, quando pelo caminho me deparei com uma poça de água de onde se via o reflexo do pavilhão de voleibol. Parei e comecei a analisar o cenário e constatei que dava uma bela foto, só que não estava com a minha máquina no momento. Mas a vontade de registar o momento foi mais forte que faltei a uma aula para ir buscá-la. E ainda bem que o fiz, porque depois de ter sido trabalhada e publicada, teve um grande feedback.

Ainda hoje digo que fui motivado por essa foto. Foi um dos momentos que me marcaram. Sou fotógrafo e comecei a questionar como passar de nível, ninguém nos diz e temos de entender como desenvolvemos o nosso olho, ver reflexos, cores, detalhes e cada dia aprimorar a minha arte, e os elogios de pessoas a puxarem por mim. Tive uma época em que passei alguns meses só a estudar, noites em claro, mas valeu a pena esta paragem para conseguir.

Notícia do Norte – Para um fotógrafo em início de carreira quais são as suas maiores dificuldades?

São várias. Mas realço uma, a dificuldade em conquistar as pessoas. Isso porque temos muitos fotógrafos em São Vicente e cada um tem o seu jeito. E nisso tudo é tentar ser diferente e com alguma originalidade, contar uma história só com uma foto.

Tive de fazer muitos trabalhos de borla e não foi nada fácil, mas tinha essa ideia. Mas como toda a profissão, é preciso apresentar um currículo, no nosso caso, o portfólio. Tem-se que se jogar.

É difícil trabalhar com algumas pessoas, uma boa parte, porque não valorizam a importância de um clique, mas não é só um clique, é todo um processo. É um investimento que foi feito para chegar aqui. E, então, quando se negocia, não vêem o trabalho como um todo e tentam fazer o mínimo possível.

E também chega uma fase na vida de um fotógrafo em que ele tem de entender qual o momento para dar o passo crucial, que é chegar ao nível artístico. E, com isso, a construção da sua imagem.

Notícia do Norte – Uma frase difícil de ouvir?

Quero uma foto simples. Mas não sei o que significa. Para mim, uma foto simples é algo, uma imagem que fazes com o teu telemóvel ou com uma máquina para te ver a ti mesmo.

Notícia do Norte – Conte um pouco sobre os seus objectivos para o futuro na área da fotografia

Objectivo concreto é melhorar cada dia mais, viajar entre ilhas, partilhar as emoções em cada imagem captada. Trabalhar e ajudar mais em melhorar e divulgar a imagem do país através da minha arte.  

Notícia do Norte – Qual o perfil de um fotografo?

Não sei dizer. Mas ter uma postura boa e não só saber pegar na câmara é importante, mas saber transmitir, por exemplo, confiança na hora de fotografar; acho que é importante. No entanto, acredito que ela se molda de acordo com o progresso e com a área de actuação.

Sou um autodidacta, sempre acompanhei o trabalho de muitos fotógrafos, adquiri os conhecimentos necessários em livros, vídeos entre outros e estes fazem parte do meu banco de dados do aprendizado. Não posso dizer que um bom curso faz um bom fotógrafo, pode ser determinante, mas não é essencial. O importante é a imagem, ela fala por si. É o melhor documento.

Notícias do Norte – Quais são as melhores áreas da fotografia?

Não existe área melhor que a outra. Por exemplo, fotografo de acordo com o momento. Faço uma fotografia de retrato e trabalho-a de forma a combinar diversos factores. Uma fotografia de evento, absorvo o momento e tento transmitir pela lente da minha câmara. Fotos de paisagem, da natureza, acções do dia-a-dia. Foram as minhas primeiras fotos. Mas acredito que todas são boas. Mas não tenho uma área específica.

Notícia do Norte – A sua primeira câmara? E primeira foto?

Uma Canon PowerShot A510 3.2MP, mas não importava. A primeira foto que me lembro de ter tirado com ela foi numa das praias de São Vicente, com uns amigos, num passeio. Uma foto com o reflexo de um amigo meu onde se via a sua imagem duplicada na água e no fundo um ilhéu. Foi uma foto a branco e preto, a minha primeira.

Tinha diferença entre uma imagem e a fotografia que tem de ter emoção.

Notícia do Norte – Se pudesse definir a fotografia numa palavra, qual seria?

Uma das perguntas mais difíceis: mas para definir esta arte seria amor. Amor a um clique. Tenho uma frase: uma fotografia, uma história diferente. Uma das frases usadas para promover o meu trabalho. Cada foto conta uma história, um momento diferente. Grava um momento quando queres, tens de gostar.

Notícia do Norte – Qual a maior liberdade que um fotografo pode ter no seu oficio?

Vives feliz, porque estás a gravar memórias, fazes algo que amas. Estás num mundo diferente, cheio de criatividade, de cores e brilho. O que vês é totalmente anormal.

Ouvia muitos dizerem que o olho de um fotógrafo é um olho anormal, mas não entendia. Quando entendi esse conceito, foi quando comecei a ver reflexão, linhas e detalhes de cada prédio, as cores combinantes. E deixou-me extasiado quando percebi isso.

Um fotógrafo depende de uma câmara profissional, mas já fotografei com as máquinas com menor qualidade. O olho de um fotógrafo é diferente, é o que define a tua marca, quem és tu.

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