PR diz ser preciso acarinhar e preservar a língua portuguesa

11/05/2018 07:44 - Modificado em 11/05/2018 07:44
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O chefe de Estado cabo-verdiano disse hoje que é preciso “acarinhar e preservar” o português, uma língua que considera tem uma “riqueza singular”, que está em “franca expansão” e ganhando cada vez mais “importância estratégica”.
“A língua portuguesa é a língua que nos une, que é nossa, também nossa, a língua que é preciso acarinhar, que é preciso preservar”, disse Jorge Carlos Fonseca, durante uma conferência que proferiu sobre a língua portuguesa organizada, na cidade da Praia, pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) e pela embaixada do Brasil em Cabo Verde.
Na sua intervenção, o Presidente da República de Cabo Verde traçou o contexto histórico da língua portuguesa e enumerou grandes autores lusófonos que a usam na escrita, considerando que é uma língua que tem uma “riqueza singular” e que “faz parte de todos os mundos”.
Uma língua em “franca expansão”, sobretudo na América e em África, e uma “língua de futuro”, prosseguiu Jorge Carlos Fonseca, notando que o português é falado por mais de 260 milhões de pessoas em todo o mundo.
A conferência foi também realizada no âmbito das comemorações do 05 de maio, o Dia Internacional da Língua Portuguesa e da cultura pelos países lusófonos, instituído em 2009 para promover o sentido de comunidade e de pluralismo dos falantes do português.
“Mais do que uma língua de união e que contribuiu para coesão entre os seus falantes, o português ganha cada vez mais importância estratégica, já que também vem sendo adotada como instrumento de trabalho em várias organizações internacionais”, mostrou.
Considerando que a língua portuguesa está a ser cada vez mais procurada e ensinada em instituições de ensino de todo o mundo, com destaque para a China, o chefe de Estado cabo-verdiano disse que é um “ativo económico muito importante” ainda por calcular e explorar.
“Mais do que afirmação identitária ou cultural, a língua portuguesa, através das instituições que se ocupam dela nos nossos países, deve tudo fazer para se tornar um fator de desenvolvimento social, económico e humano”, salientou, mostrando a “grande vantagem” da aprendizagem.
“No seio da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], o valor económico e o potencial da língua portuguesa são a base para uma plataforma comum de desenvolvimento dos Estados-membros e fortalecimento da comunidade”, continuou o Presidente, considerando que o caminho passa divulgar o português nos vários fóruns e que seja cada vez mais uma língua de negócios nos vários setores.
Jorge Carlos Fonseca falou ainda do uso da língua portuguesa em Cabo Verde, considerando que está num “estado pouco recomendável”, quer na fala, quer na escrita.
“A qualidade do ensino, da fala e da escrita da língua portuguesa não andam muito bem [em Cabo Verde]. Dá-me a ideia que há ainda alguns fantasmas, alguns preconceitos, algumas fantasias, alguns receios, muitas vezes relativos a questões identitárias ou parecidas, que não têm razão de ser”, lamentou o mais alto magistrado da Nação cabo-verdiana.
Para que tal seja ultrapassado, Jorge Carlos Fonseca considera que é preciso “apostar fortemente” em meios, professores e os métodos de ensino da língua portuguesa no país.
A conferência foi um dos pontos do programa da XIII Reunião Ordinária do Conselho Científico do IILP, que durante três dias contou com participação de representantes das Comissões Nacionais dos Estados Membros da CPLP.
Durante a reunião foram discutidos vários assuntos, como a aplicação do Acordo Ortográfico, planos de ação para promoção da língua portuguesa e sucessão dos cargos dirigentes da instituição, com a professora Margarita Correia a ser eleita presidente do Conselho Científico.
No âmbito da reunião, foi também inaugurada uma exposição itinerante do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo.
O IILP, estrutura da comunidade lusófona, tem sede na cidade da Praia desde a sua criação, em 2002.

Lusa

  1. Avelino R. Pina

    Plenamente de acordo.

  2. Clara Medina

    Gozando dumas longas férias em Cabo Verde tenho algumas vezes contra a minha vontade escutado alguns debates na Assembleia Nacional bem assim como alguns programas da Rádio e Televisão. Tenho de confessar que a dicção de muitos deputados, membros do Governo, figuras públicas de destaque, jornalistas, locutores, apresentadores, etc,etc, deixa muito a desejar, para não dizer um verdadeiro atentado à minha sensibilidade auditiva.
    Devo esclarecer que pertenço à geração que se primava para escrever correctamente o português e além disso a dicção tinha de ser impecável. Falo dos anos que antecederam a independência nacional.
    Em Portugal os próprios portugueses tinham uma certa inveja e admiravam a nossa capacidade de dominar a língua de Camões para além de termos uma dicção impecável. Hoje em dia tal é impensável.
    E o mais caricato ainda é que na altura tínhamos apenas dois Liceus, um em Mindelo e outro na Praia e uma Escola Técnica no Mindelo, enquanto que agora temos mais de uma dezena de Universidades e Liceus.
    Portanto é simplesmente contraditório e gritante esta péssima dicção o que me leva a concluir e não só eu, que a qualidade da dicção, bem assim como o conhecimento da língua de Camões, estão na razão inversa da quantidade das Escolas do Ensino Superior. Sem dúvida uma verdadeira aberração.
    Resumindo e como amante da dicção e da língua portuguesa [esperando que o camarada Marciano me perdoe por esta heresia de não pertencer à seita Alupekedista] estou disposta a dar a minha modesta contribuição. Como pensionista tenho todo o tempo disponível, em promover sessões de aperfeiçoamento da dicção de muitos deputados, membros do Governo, personagens públicas, locutores, jornalistas, apresentadores da Rádio e Televisão etc,etc, a título voluntário e sem pedir nenhuma remuneração pecuniária.
    Aqui fica a minha proposta.

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