Cabo Verde em negociações com o FMI para um Programa de Assistência Financeira

9/05/2018 03:25 - Modificado em 9/05/2018 03:36
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O Primeiro-ministro cabo-verdiano Ulisses Correia e Silva, assegurou nesta terça-feira que Cabo Verde está em negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um programa de assistência sobre a dívida pública, a segunda maior na África subsariana.

Ulisses Correia e Silva participou no Horasis Global Meeting que decorreu até esta terça-feira no Estoril, Portugal. Em afirmações à agência de notícias Lusa, assegurou que o país e o FMI estão a trabalhar num programa de regularização de parte da dívida estrangeira e que depois terá de ser negociada com alguma parceria relativamente aos parceiros.

De acordo com o Primeiro-ministro, a modalidade do programa ainda não está definida, mas salienta que estão a trabalhar para reaver uma solução que vá ao encontro das metas que o Governo definiu no seu programa de reforma negociado com o FMI. “Vai passar por uma parte financeira, não só com o FMI, mas também com os parceiros de desenvolvimento”, sustenta.

Segundo a mesma fonte, para este ano, o FMI estima que a dívida pública de Cabo Verde irá ficar nos 124,7%, sendo que em 2019 aumentará para os 126,7% do PIB, isto é, fazendo com que o país tenha o segundo maior rácio da dívida face à riqueza na África subsariana. Segundo Ulisses Correia e Silva, a maior parte desta dívida é contraída para o esforço de infra-estruturas, assegurando que o Governo anterior fez “investimentos enormíssimos nessa área” e, por isso, é visível a dívida mais as taxas de juros concessionais, ou seja, inferiores aos preços de mercado.

“Não existe em Cabo Verde um problema de serviço da dívida, o problema é o stock, mas a percepção externa incide sobre o volume e é por isso que estamos a trabalhar num programa de reforma porque parte dessa dívida deriva de problemas de funcionamento do sector empresarial do Estado e quebra do potencial de crescimento”, sublinhou o PM cabo-verdiano, recordando que “entre 2009 e 2015 Cabo Verde cresceu 1% e que quando o PIB não cresce, a dívida tende a aumentar em termos de rácio”.

Para Ulisses Correia e Silva, o objectivo passa por “manter a trajectória descendente do crescimento da dívida e colocá-la a um nível sustentável, abaixo dos 100% perspectivando os próximos cinco anos, para depois passar aos 60%, que é o que está definido para garantir a estabilidade macroeconómica da indexação da moeda cabo-verdiana ao euro.

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