JCF : Conhecer profundamente o mar é um imperativo  

8/05/2018 08:10 - Modificado em 8/05/2018 08:29
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O chefe de Estado cabo-verdiano considerou hoje imperativo o acesso a conhecimento científico aprofundado sobre o mar, sublinhando a relevância do Centro de Investigação Internacional do Atlântico (AIR Center), que deverá ser formalizado na cidade da Praia.

“Somos muito mais mar do que terra. Ter acesso a conhecimento científico o mais profundo possível desta área tão vasta é um imperativo e quase um desígnio”, disse Jorge Carlos Fonseca.

O Presidente da República falava, na cidade da Praia, perante uma plateia de cientistas, representantes governamentais e empresários de vários países no âmbito do 3.º diálogo sobre o AIR Center, que decorre hoje e na terça-feira.

O encontro, que junta cerca de 300 participantes, deverá marcar a finalização da fase conceptual do referido centro, que será instalado nos Açores, e a entrada na fase operacional daquela que será uma rede internacional de organizações de investigação oceânica e espacial na zona do Atlântico.

“Pela sua importância social e pelo impacto que terá na melhoria do conhecimento sobre o oceano, nomeadamente no que diz respeito ao potencial para o desenvolvimento de Cabo Verde, a relevância do centro é acentuada”, sustentou Jorge Carlos Fonseca.

Por isso, o chefe de Estado entende que Cabo Verde “deve envolver-se séria e profundamente” no projeto, considerando que os seus “objetivos de investigação estão em sintonia” com as orientações estratégicas de desenvolvimento da economia marítima no país.

Jorge Carlos Fonseca apontou o Centro Oceanográfico do Mindelo e o Observatório Atmosférico de Cabo Verde como duas das infraestruturas a integrar a referida rede.

“Cabo Verde aposta fortemente no desenvolvimento da economia azul e ressente-se das consequências das mudanças climáticas. A investigação para o desenvolvimento técnico científico e a valorização económica do oceano Atlântico surge como uma oportunidade que deve ser valorada de forma adequada, não só pelo Governo, mas também por outros atores económicos e pela comunidade científica e académica”, reforçou.

Para Jorge Carlos Fonseca, uma das “maiores conquistas” que poderá resultar da participação de Cabo Verde “na malha” de organizações que está a ser construída no âmbito do AIR Center é a “possibilidade de os resultados das investigações permitirem o ordenamento do espaço marítimo e a consequente identificação e diversificação de zonas segundo as suas vocações”.

“Contribuiria em muito para uma gestão mais integrada da zona costeira bem como para a proteção da biodiversidade, evidenciando as zonas vulneráveis e facilitando a conciliação entre a atividade económica e a conservação do ambiente”, disse.

Os avanços na criação do AIR Center desde novembro de 2017, nomeadamente a identificação dos primeiros programas, projetos, parceiros associados e ações de implementação administrativa serão as questões em debate neste 3.º Diálogo de Alto Nível Indústria-Ciência-Governo.

Os dois encontros anteriores, realizados nos Açores (Portugal) e Florianópolis (Brasil), lançaram as bases para a institucionalização do centro, o que deverá acontecer durante a reunião em Cabo Verde, com a aprovação da Declaração da Praia.

O centro conta como fundadores Portugal, que lidera, Espanha, Angola, Brasil, Cabo Verde, Nigéria, Uruguai e a região dos Açores, e como observadores Reino Unido, África do Sul e Argentina.

Portugal disponibilizou já 10 milhões de euros para a fase de instalação do AIR Center, no arquipélago dos Açores, que deverá arrancar até final do ano.

 

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