Moradores Atrás de Morro Branco – Ribeirinha: “Estamos abandonados e não aguentamos mais esta situação”

30/04/2018 01:12 - Modificado em 30/04/2018 01:12
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Os moradores da zona de Atrás de Morro Branco, na Ribeirinha, dizem-se abandonados pela edilidade que não tem cumprido as promessas feitas durante o tempo de campanha. Situação que os moradores dizem que já não conseguem aguentar mais e, neste sentido, têm procurado todas as formas para levar as próprias preocupações a “quem de direito para resolver os problemas”.

Iluminação pública, água e esgoto são as reivindicações destes moradores. “A situação é o esgoto, a luz e a água. Já fui três vezes à Câmara, já fizemos cartas e nunca nos deram uma decisão”, avança Alcinda Silva. Esta moradora adianta que alguns serviços da Câmara já foram à zona verificar o problema e por mais de dois anos, quase três, a situação continua na mesma.

“Já não conseguimos sofrer mais neste lugar, nos tempos de campanha estão ‘taca-a-taca’. A campanha passa e já ninguém diz nada”, exterioriza Alcinda.

Num encontro com o NN, os moradores demonstraram-se bastante insatisfeitos com os problemas da zona, reivindicando a sua solução.

“Desde 2008 que estamos a sofrer uma descriminação na zona por parte da Câmara. Já falámos com o Presidente, com o pessoal de saneamento que veio, mas nunca fizeram nada”, adianta Emiliano.

Uma das questões colocadas é a segurança. “Esta zona tem muito movimento e temos grandes problemas de iluminação pública, de água e de esgoto. A Câmara faz muito trabalho noutras zonas. Vemos que noutras zonas houve um reforço da iluminação pública e aqui, esta situação corre há mais de dez anos. Durante as campanhas vêm e prometem, mas nunca fizeram nada”, explica Emiliano.

Estas situações afectam mais de duzentas famílias. Estas famílias estranham o facto de ter sido colocada iluminação na zona conhecida por Salamansinha, “que tem muito menos pessoas do que aqui, cerca de vinte famílias” como avançam, mas na zona e com a insistência diante da edilidade, ainda não viram a resolução dos problemas. A insatisfação cresce quando afirmam que foram marcados locais para a colocação dos postes da luz, mas que ainda não foram colocados.

“Há pessoa que têm luz em casa e pagam pela iluminação pública mas, mesmo assim, não conseguem usufruir do que pagam”.

A questão da segurança é um problema geral e todos clamam por uma intervenção da edilidade. “Chegámos a um ponto onde já não aguentamos mais. Temos um forte clima de insegurança nas ruas e temos medo de sair à rua à noite porque não sabemos o que nos pode acontecer. Estamos a exigir porque somos de São Vicente”, adianta Emiliano.

A ligação à rede pública do esgoto também está entre as preocupações. Com a falta deste serviço, os moradores são “obrigados” a engendrar formas para satisfazerem as próprias necessidades fisiológicas. Um dos moradores da zona, de oitenta anos, juntamente com os moradores, conta o episódio em que teve de sair para o local que utilizam como “tchada” e desmaiou no caminho e teve de ser socorrido por outros moradores. “Sou doente e tive que ir fora de casa para fazer as minhas necessidades e desmaiei. E estamos vivos”.

Este sentimento de abandono generalizado preocupa as pessoas que avançam que já não conseguem aguentar mais.  “Sentimos a falta da rede de esgoto e água. Temos de ir fazer as necessidades no meio do lixo e as crianças estão com algumas coisas no corpo, talvez alguma infecção. À noite, se houver um problema, tens de sair para andar de noite e estamos bem aviados, porque a Câmara não tem ajudado”, avança Emiliano.

O pedido é que se prolongue a rede de esgoto para que cada casa possa fazer a sua ligação dentro das suas possibilidades, “nem que seja somente para colocar uma sanita”, afirma Alcinda.

Ao leque de problemas, Nilza avança com a questão das estradas. Além do escuro à noite, os carros preferem não subir à zona. Esta questão é importante para os moradores no sentido que se acontecer algum problema à noite, falando em termos de doença, são obrigados a carregar os doentes até à estrada para apanharem um carro.

“Abandonados por parte do Governo, estamos totalmente abandonados”, é o sentimento dos moradores.

Numa mensagem às autoridades, Emiliano afirma: “nestas últimas eleições fizeram uma campanha forte aqui na zona onde nos enganaram muito bem. Votámos neles em massa e depois de ter tido conhecimento do voto, Augusto Neves veio agradecer os jovens pelo apoio e a confiança.  Não entendemos porque não cumpre o que nos prometeu em relação à luz, à água e ao esgoto. Aqui não estamos satisfeitos com ele e a sua equipa”.

E, para as próximas eleições, se a situação continuar, os moradores pedem que os partidos façam a campanha na zona mas à noite para saberem o que se passa.

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