Miguel Monteiro diz que é preciso uma análise mais aprofundada no que diz respeito à governação do país

26/04/2018 23:52 - Modificado em 26/04/2018 23:52
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Apesar do Movimento para a Democracia reconhecer a necessidade de um contacto mais próximo com a população, o Secretário-geral do MpD afirma que, enquanto partido, “tem estado a estruturar-se, instalando as comissões políticas em todos os municípios e, a nível do Parlamento e câmaras municipais, estou certo que todos os políticos vão sentir-se sensibilizados a aprofundar os contactos com a população”, declarações feitas em reacção aos resultados do estudo da Afrosondagem.

No ponto que faz referência à governação do país em que a maioria dos cabo-verdianos considera que o país vai no sentido errado, Miguel Monteiro, citado pela Inforpress, chama a atenção para uma análise “mais aprofundada” sobre o referido estudo porque, segundo ele, há “dados contraditórios”.

“Se é verdade que há esta percentagem que diz que o país está na direcção errada, também é preciso ver que aumentou o número de cabo-verdianos que considera como boas as suas condições de vida”, precisou o dirigente do MpD, enaltecendo ainda o facto que de 2014 a 2017 se ter verificado uma redução de cabo-verdianos que consideram que as suas condições de vida são “más ou muito más”.

Destacou, por outro lado, o facto de 72% dos cabo-verdianos considerarem que daqui a um ano as suas condições vão melhorar.

“Há dados que, supostamente, o país estará na direcção errada, mas também há dados a indicar que os cabo-verdianos estão melhor e que daqui a um ano estarão melhor do que actualmente”, realçou Miguel Monteiro, admitindo, contudo, que existem aspectos que vão merecer uma análise por parte do seu partido.

Diante do resultado do estudo que revela que 75% dos cabo-verdianos estão insatisfeitos com o funcionamento da democracia em Cabo Verde, afirmou que a democracia é constituída não só pelo partido que está a governar, mas também pela oposição.

“A oposição, neste caso o PAICV, pelo nível de guerrilha política a que nos tem habituado nestes dois anos, não ajuda a democracia”, acentuou o Secretário-geral do MpD, lembrando que a democracia é constituída por todos os elementos que fazem parte do sistema democrático em Cabo Verde.

Na sua perspectiva, a “judicialização da política” a que se vem assistindo, bem como a suspeição sobre todos os actos do Governo, também não ajudam para que os cabo-verdianos tenham uma “boa percepção” da democracia.

Segundo ele, a imagem que se tem do Parlamento demonstra que há a necessidade dos sujeitos parlamentares estarem atentos a como se dirigem uns aos outros e, também, a nível das câmaras municipais.

“É necessário melhorar a democracia mas, quando dizemos isso, referimo-nos não só a quem está no poder, como também a quem está na oposição”, acentuou aquele dirigente, acrescentando que, nesse sentido, a responsabilidade cabe a todos.

No que tange à regionalização, o estudo revela que se trata de um tema desconhecido de uma boa parte dos cabo-verdianos. A este propósito, Miguel Monteiro entende que se deve “reforçar” o trabalho com vista a esclarecer as pessoas.

“Neste momento, o MpD é o único partido que já apresentou a sua proposta sobre a regionalização. Estamos a fazer o nosso papel”, assegurou, acrescentando que nesta quarta-feira, 25, o Primeiro-ministro esteve em S. Nicolau a falar à população sobre este tema e qual o modelo pretendido.

Miguel Monteiro lamenta o facto de, até este momento, os partidos com assento parlamentar não terem apresentado um “documento articulado” sobre o que pensam em relação à regionalização.

Relativamente à isenção de vistos aos cidadãos europeus, o estudo revela que mais de 50% dos cabo-verdianos é contra, mas o Secretário-geral do MpD diz que a medida do Governo é para valer.

Reconheceu, porém que os dados demonstram que o Governo deve “comunicar melhor” com a população porque, segundo ele, ficou claro que, provavelmente, o executivo não tenha conseguido demonstrar quais são os efeitos positivos para o país.

“Consideramos que é uma boa medida e que irá aumentar o número de turistas. Cerca de 21% do PIB (Produto Interno Bruto) de Cabo Verde vem do turismo. Mais turistas significam mais hotéis, mais emprego e mais rendimento”, alertou, concluindo que é isto que “deve ser explicado aos cabo-verdianos”.

O Governo já anunciou que a medida de isenção de vistos aos cidadãos da União Europeia mais os da Inglaterra entra em vigor no próximo mês de Maio.

Fonte: Inforpress

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