Monteiro  não ficou surpreendido com a qualidade da governação e democracia avançada pela Afrosondagem

26/04/2018 23:48 - Modificado em 26/04/2018 23:48
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O líder da UCID, António Monteiro, disse hoje que não ficou surpreendido com os dados avançados pela Afrosondagem sobre a qualidade da democracia e governação em Cabo Verde.

“Nos últimos anos, ainda na governação anterior (do Partido Africano da Independência de Cabo Verde) e com reforço nesta governação (do Movimento para a Democracia) chamámos a atenção sobre a qualidade da nossa democracia”, lembrou o presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática, para quem a democracia vai “muito para além da liberdade de as pessoas se expressarem sobre aquilo que pensam”.

Segundo ele, quer durante a governação anterior, quer agora, o seu partido tem chamado a atenção no sentido de se dar “sinais muito claros” que, realmente, a democracia não será “irreversível”.

“Infelizmente, os sinais que tivemos e, ainda temos, não são nada animadores”, indicou o presidente dos democratas-cristãos que descarta que a “guerrilha” política no Parlamento seja responsável pela má impressão que os cabo-verdianos têm do sistema democrático cabo-verdiano.

Na sua perspectiva, em algumas câmaras municipais do país os munícipes não se sentem representados.

“Muitos munícipes sentem-se espezinhados e são estes somatórios que acabam por dar esta noção pessimista e extremamente negativa da democracia em Cabo Verde”, indicou António Monteiro, acrescentando que eles, os políticos, não estão a fazer aquilo que deveriam fazer para a melhoria da democracia.

Por isso, considera “real” a percepção que os cabo-verdianos têm da sua democracia.

Relativamente à governação do país em que a maioria dos cabo-verdianos considera que o país vai no sentido errado, António Monteiro acha que, em matéria de governação, o executivo de Ulisses Correia e Silva colocou uma fasquia “extremamente alta”, tendo apresentado um programa político eleitoral “muito ambicioso”, o que levou as pessoas a votar no MpD.

Para Monteiro, as pessoas acreditaram que as promessas feitas durante as campanhas eleitorais seriam realizadas em tão pouco tempo e isto não está a concretizar-se.

“O Governo prometeu a despartidarização da Função Pública e fez pior do que o Governo anterior”, lamenta, para depois lembrar que o executivo de Ulisses Correia e Silva garantiu que ia criar número de emprego que não está a conseguir atingir.

De acordo com o líder dos democratas-cristãos, o Governo prometeu mais segurança, mas o que se está a verificar é uma “realidade que não abona a favor de Cabo Verde”.

“Há uma série de questões que têm a ver com a governação do país, nas quais o povo acreditou, e que não está a ser efectivada”, apontou António Monteiro, ajuntando que no estudo revelado pela Afrosondagem há uma “chamada de atenção ao Governo muito forte” para que este repense a sua posição e tome as “medidas necessárias” para que a economia cresça de “forma sustentada”.

Lembrou que o Governo prometeu um crescimento médio de 7% (por cento), mas que se está “muito aquém” desta meta.

Sobre a medida no sentido de se isentar de vistos aos cidadãos europeus, em que mais de 50% dos cabo-verdianos se manifestaram contra, António Monteiro diz “respeitar” a posição dos seus concidadãos, mas apoia a decisão do executivo de Ulisses Correia e Silva.

“Cabo Verde tem feito uma aposta forte no turismo e, tendo em conta que os países, nossos concorrentes directos, oferecem estas condições aos turistas, do ponto da vista da UCID, o Governo andou bem nessa matéria…”, declarou Monteiro.

Sobre a regionalização, uma boa parte dos cabo-verdianos disse desconhecer o tema em pauta e o primeiro responsável da UCID atribui a culpa aos partidos políticos, assim como instituições com responsabilidade nesta matéria.

“As pessoas precisam saber o que é a regionalização e ter todos os dados para começarem a conhecer por dentro os propósitos da regionalização”, vincou, propondo que a comunicação social, sobretudo a pública, deve promover “mais debates” com pessoas conhecedoras da matéria e que possam explicar de forma clara qual o modelo que melhor servirá o país.

 

Inforpress

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