Suspensão  dos Voos da TACV  de São Vicente : Agências de Viagem  consideram que não foi a melhor decisão

26/04/2018 06:56 - Modificado em 26/04/2018 06:56
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A suspensão dos voos internacionais da TACV para as ilhas, neste caso São Vicente, e do mercado doméstico, como visto em reportagens anteriores, tem preocupado. Através da presidente cessante da Associação de Agências de Viagem de Cabo Verde (AAV), Maria Teresa Graça, a mesma afirma que a medida do Governo de suspensão dos voos directos para a ilha tem tido um grande impacte. Com a suspensão e a localização do hub na Ilha do Sal, para se viajar é quase que obrigatório ter de passar uma noite no Sal com a agravante de se ter de fazer dois check-in de bagagens. Para os destinos como Lisboa ou Paris, os passageiros têm de dormir no Sal, sendo a excepção os voos para Fortaleza e Recife.

“Achávamos que esse formato de trabalhar já tinha sido ultrapassado”, avança Maria Teresa que acrescenta que “decididamente, não foi a melhor solução. E não é uma solução, sentimos o retrocesso”.

“As pessoas têm dificuldades em decidir uma viagem. Analisam as tarifas, a bagagem. É viável o directo onde pagam mais do que dormir com medo da bagagem ficar para trás. Um mal que se vivia em Cabo Verde. E os voos domésticos foram um grande ganho que perdemos”, como revela. Dos pontos notados com a mudança é o tempo despendido pelos passageiros ao tentarem comprar uma passagem analisando pormenorizadamente as tarifas, escolhendo muitas vezes, como avança Maria Teresa, os voos directos mais caros.

O sentimento também é de que o fluxo de clientes diminuiu com a medida de suspensão dos voos para São Vicente. E a essa descida do fluxo de clientes junta-se outro constrangimento: a saída do consulado português de São Vicente e os constrangimentos para a obtenção do visto.

“São Vicente está num momento de ver o que vai acontecer, já acontecendo. Piorou o volume de negócios com a falta de vistos e os voos directos internacionais. Neste momento, exige maior esforço e tempo de atendimento. Estamos à espera de ver o que vai acontecer”, afirma Graça.

São ameaças que segundo a presidente cessante da AVV têm de ser transformadas em desafios, revelando que as maiores dificuldades estão nas linhas domésticas. Neste sentido, avança que para o hub aéreo na ilha do Sal desenvolver o turismo, as linhas domésticas têm de ser fluidas. “Os voos operacionais no Sal comprometem o próprio turismo, porque não há capacidade de escoamento do turista para as outras ilhas, devido à limitação dos voos. O turismo poderá sobreviver para as outras ilhas só com uma ligação mais regular de voos domésticos”.

Para Maria Teresa Graça, a TAP é a companhia que tem mais oferta. E com medo dos constrangimentos de se dormir no Sal, a questão dos check-in e o receio da perda de bagagens, existe uma preferência para se pagar mais de modo a evitar “estes constrangimentos”.

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