Homem agride caixa de supermercado com uma garrafa e é absolvido pelo Tribunal de São Vicente

13/04/2018 07:12 - Modificado em 13/04/2018 13:18

Um indivíduo acusado de ter agredido, no sábado passado, uma funcionária do supermercado Fragata ,na Avenida 5 de Julho, com uma garrafa de vodka na cabeça foi, esta quarta-feira, absolvido pelo 1º Juízo Crime do Tribunal da Comarca de São Vicente.

O homem, na altura dos acontecimentos, segundo as suas declarações na audiência de discussão e julgamento, confessou o crime e disse que se encontrava em elevado estado de embriaguez o que, ao que parece, serviu como atenuante para a sua absolvição.

A jovem que se encontra grávida de quatro meses, após a saída do tribunal, manifestou toda a sua contrariedade e transtorno com a leitura da sentença. Em conversa com o Notícias do Norte, diz estar resignada pois não só não entende como é que alguém agride uma pessoa, ainda por cima grávida, obrigando-a a ser evacuada para o hospital numa ambulância, onde foi suturada com quatro pontos na testa, deixando-a ainda com um ferimento no ombro e um inchaço na cabeça, apenas pelo facto de ter sido contrariado e, depois, vai para casa como se nada tivesse acontecido.

“E se tivesse acontecido algo de mais grave? Fui agredida de forma cobarde e senti-me injustiçada com esta decisão do tribunal que não levou em conta a minha situação e o que poderia ter acontecido”, desabafa a jovem que regressou ao trabalho esta quarta-feira e diz-se assustada com a possibilidade de isso voltar a acontecer.

Ou seja, “o tribunal considerou que ele não sabia o que estava a fazer quando ocorreram os factos”.

O juiz absolveu o réu baseando-se no artigo 18º do Código Penal – Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica, que diz no ponto 1 que “é inimputável quem, no momento da prática do facto, for incapaz de avaliar a ilicitude do facto ou de se determinar de acordo com essa avaliação, em virtude de uma anomalia psíquica”.

No segundo ponto, a lei afirma que “o regime constante do número anterior é aplicável aos casos de intoxicação completa devida ao consumo de bebidas alcoólicas, estupefacientes, substâncias psicotrópicas ou tóxicas ou outras que produzam efeitos análogos”.

O caso

O episódio ocorreu no dia 07 de Abril, sábado à noite. O homem, funcionário da livraria “Nhó Djunga” entrou no supermercado Fragata na Avenida 05 de Julho, pertencente à família Vasconcelos, e comprou uma garrafa de vodka. Ao chegar à caixa, entregou um cheque à jovem que se recusou a receber porque não estava assinado e o indivíduo queria que  fosse a caixa o preencher esta se recusou a fazer .

O cliente  começou a discutir com a jovem ameaçando-a. Descontrolado, partiu para a agressão e bateu-lhe com a garrafa de vodka na cabeça.

Agredida, a grávida foi imediatamente conduzida ao hospital onde recebeu quatro pontos e o curativo noutro ferimento.

Por seu lado, o agressor foi imediatamente detido pelos seguranças do supermercado até a chegada da Polícia que o deteve em flagrante.  

EC

  1. Francisco Andrade

    Até onde vai a nossa justiça. Imagina se um parente da funcionária, vai na Livraria Nho Djunga, fica bêbado e depois agride o este homem. Sra que a justiça agora vai mandar o parente da funcionária de Fragata para a prisão pelo motivo de um acto “pensado” ou por retaliação?

  2. Rui

    Ummmm…nesse caso basta que todos os Kasibodistas alegarem estar embriagados ou drogados ( o que até muitas vezes é verdade) para que o 1.º Juizo Crime da Comarca de S.V os ter que deixar ir em liberdade. Será que esse Tribunal vai seguir essa sua jurisprudência? É porque se não a seguir daqui em diante, vai-se ter que perguntar porque razão absolveu esse senhor….

  3. GOSTARIA DE SABER QUAL SERIA O CRITERIO DO JUIZ SE A GREDIDA FOSE SUA MAE , SUA IRMA OU ESPOSA

  4. veronico Jorge

    A minha opinião : O marido ou namorado da jovem grávida vai fazer o seguinte: Tomar uns dois copos até ficar embriagado, ir na livraria comprar uma cerveja e aplica-lo na cara do covardo, não vai nem haver necessidade de telefonar a policia porque vai ser a lei do retorno terrestre

  5. Flávio Évora Sousa

    Inacreditável!!!

  6. MANEL

    isso é uma vergonha…
    Mas o resultado dessa sentença é claramente devido a forma que a nossa justiça está adjudicado ao serviço de grupos e famílias de posses. “casta superior”
    e isso não sou eu quem o diz… certamente se lembram das palavras do Sr. Amadeu Oliveira. Basta ver quem foi o agressor e seus familiares.
    contudo, sendo o agressor funcionário dum estabelecimento, como é a agredida, se eu amanha chegar no seu local de trabalho, bem ou mais ou menos “encharcado” e lhe agrido com um dos produtos expostos nas suas prateleira, o veredicto nunca será o mesmo, penso eu… e é meramente uma questão de “castas”, pois tenho uma parente que acabou por agredir uma pessoa desse meio social intocável de onde resultou um corte nos ombros que foi saturado com dois pontos se não me falha a memoria, ( desde já digo que condeno qualquer forma de agressão) depois de ter sido perseguida, publicamente difamada e acusada de roubo de umas tralhas que no tribunal a agredida assumiu ter encontrado, e que estavam dentro da sua própria casa.
    no entanto nesse caso a agressora teve uma sentença de dois anos e sete meses de prisão efectiva. e segundo consta a agredida é irmã de um juiz.
    dois casos quase idênticos com desfechos em nada quase iguais.
    Essim no ke ti te bem pode……

  7. Lucífer

    Calma gente, muita caaaalmaaa! O juíz simplesmente foi coerente consigo mesmo … o acusado que bateu foi considerado ininputável, da mesma maneira que o juíz que julgou o caso … … …

  8. Hernany Nascimento

    Como a justiça neste pais promove o crime. Tal facto quer dizer que então a moça poderá se embriagar e agredir o senhor que covardemente a agrediu justificando-se na embriagês. As nossas leis carecem de urgente avaliação………………..

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.