Matchu Lopes  : “Aceitando a cidadania espanhola estarei resolvendo muitos dos meus  problemas “

10/04/2018 01:05 - Modificado em 10/04/2018 01:05

O Campeão do Mundo de 2016, o kitsurfista do Sal, Matchu Lopes, que se encontra neste momento em processo de naturalização espanhola, endereçou na sua página oficial do Facebook uma carta para todos os cabo-verdianos.

Eis a carta publicada por Matchu Lopes:

“Os próximos dias serão dias muito importantes para mim, no âmbito pessoal e profissional. Chegarei ao fim do meu processo de cidadania espanhola e, oficialmente, representarei o país. Tive a honra de conhecer pessoalmente o Presidente do Governo assim como outras entidades do País que me acolheram e agradeceram pela minha disponibilidade em os representar.

Aceitando a cidadania espanhola (o que em nada tem a ver com o rejeitar a cabo-verdiana como muito se tem dito), muitas portas se abrirão. Um vasto campo de possibilidades ser-me-ão apresentadas. Só para exemplificar, sendo um atleta de um desporto considerado de risco, vou ter um seguro de saúde capaz de cobrir as minhas necessidades pessoais em caso de lesão, o que é um risco presente todos os dias. Como atleta representante terei acesso e acompanhamento físico, psicológico, nutritivo, etc., de instituições e pessoas que lidam diariamente com atletas de calibre mundial, algo que o meu amado país, neste momento, não consegue oferecer. Existem já propostas de patrocínios significativos por parte de marcas nacionais que serão oficializadas quando o processo terminar. Estou fechando mais dois outros contratos de patrocínio com marcas e equipamentos. Enfim, inúmeras oportunidades que advêm dessa decisão. São muitos os detalhes que me fizeram aceitar a opção que eu tinha colocado como plano B mas, como podem ver, aceitando a cidadania espanhola estarei resolvendo muitos dos problemas que me afectam e terei acesso a regalias que qualquer pessoa que quer viver fazendo o que gosta, gostaria de ter.

Acredito que muito se falará sobre a minha decisão mas quem me conhece sabe do meu carácter e do orgulho que tenho pelas minhas origens. Sou apaixonado por aquilo que faço, procuro sempre dar o melhor de mim, dedicação essa que me levou a ser Campeão do Mundo (com a bandeira de Cabo Verde) e, posteriormente, ter sido vice-campeão após perder o título para outro cabo-verdiano. Dois feitos que me enchem de orgulho, pois o fiz não só para a minha realização pessoal, mas também pela minha gente e pelo meu país.

O orgulho de ser cabo-verdiano é algo que ninguém me pode retirar. É do conhecimento de todos que sempre quis o apoio de Cabo Verde, mas nunca pedi mais do que aquilo que me podiam dar, de forma alguma, pois sei que temos limitações (ainda) para apoiar os nossos atletas de alto nível. Continuarei sempre ligado ao Kitesurf pois existe uma nova geração muito talentosa que já é patrocinada por grandes marcas internacionais e que precisamos de apoiar.

A questão do passaporte foi uma grande conquista para mim, mas como se tem visto nestes dias, muita gente ficou consciente e abriu portas para que outras pessoas também pudessem usufruir dessa possibilidade. Depois de muitos sacrifícios e de quase ter perdido patrocinadores por não ter comparecido a eventos por eles organizados devido aos detalhes burocráticos para a obtenção de vistos, consegui solucionar esse problema. No entanto, desde que me foi oferecido o passaporte diplomático já se sabia das suas limitações, mesmo sendo uma ajuda: esse documento ficava aquém das minhas necessidades como atleta de nível mundial, já que a questão não se baseia apenas na obtenção de vistos. E, sabendo disso, dei seguimento ao meu pedido de cidadania espanhola.

Nunca deixarei de ser visto como um cabo-verdiano, levarei o calor das minhas ilhas sempre comigo onde for e sempre serei visto como cabo-verdiano que representa este ou aquele país. Por isso, peço-vos por favor, por mais que não concordem com a minha decisão ou pensem de forma diferente, que não duvidem do meu orgulho em ser um filho de Cabo Verde. Com Morabeza Matchu Lopes.”

  1. Dje Guebara

    Bem dito. Aqui em America somos nacionalizados americanos pois isto não nos deixa de ser caboverdeanos. Boa sorte irmão.

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