Operação Zorro: O desfecho final… ou não

29/03/2018 02:25 - Modificado em 29/03/2018 02:25

Esta quinta-feira, os quatro tripulantes do veleiro Rich Harvest, três brasileiros e um francês (o capitão), acusados de tráfico de droga de alto risco e de organização criminosa serão presentes, mais uma vez, ao tribunal que decidirá o futuro deles. O Primeiro Juízo Crime fará na manhã de hoje a leitura da sentença.

Num julgamento que teve a duração de quatro dias e que, segundo a defesa, a acusação não conseguiu provar nada e que o único elemento forte do Ministério Público se deve ao facto da PJ ter encontrado a droga dentro da embarcação. Todavia, não encontrou nenhum indício de participação da tripulação no tráfico dos 1157 kg de cocaína e nem vínculo ou associação criminosa com acha que são  os verdadeiros responsáveis. Por essa razão, a defesa acredita num bom desfecho deste processo, assim como os familiares dos arguidos que estão a acompanhar de perto todo este caso.

Durante o julgamento, foram levantadas várias perguntas. Entre elas, como é possível que os tripulantes não tivessem examinado minuciosamente um barco que não conheciam antes de uma viagem tão longa quanto a travessia de um oceano ou porque é que ninguém estranhou o peso excessivo do barco que podia ser atestado tanto pelo desempenho como pela própria linha de água no casco, ou ainda, como é que o estaleiro que fez a reforma não estranhou a construção de um tanque de combustível tão grande e também mesmo com uma denúncia, como é que os velejadores não desconfiaram?

Perguntas que na óptica da defesa, os tripulantes responderam prontamente e de forma credível, dando sempre informações necessárias e de forma cooperativa para que tudo fosse esclarecido e que os acusados só queriam ganhar experiência para comandar embarcações. “São pessoas inocentes, que tinham o sonho de atravessar o Atlântico. Estavam a fazer carreira junto da marinha do Brasil, na área de velejador e precisavam das milhas náuticas para se qualificarem como profissionais. Em momento algum ganharam dinheiro com esse serviço”, alega a defesa.

Por outro lado, durante o julgamento, a acusação tentou inverter o ónus da prova, ou seja, que seriam os acusados a provarem em tribunal que não sabiam da existência da droga e que, no entender do representante do MP, só faltou apenas que estes esclarecessem o local e a hora em que foi feito o transbordo do carregamento para o veleiro, uma vez que defende que a droga foi introduzida depois da busca efectuada pela Polícia Federal Brasileira. Acredita que foram produzidos todos os elementos necessários para que justiça seja feita, ou seja, a condenação dos réus.

O caso

No dia 23 de Agosto de 2017, na sequência de uma busca efectuada ao veleiro Rich Harvest, de bandeira britânica, através do Departamento de Investigação Criminal do Mindelo, foram apreendidos 1063 pacotes com 157 quilogramas de cocaína, contabilizando ao todo 1157 quilogramas.

De acordo com o processo, os três brasileiros, Daniel Guerra e Rodrigo Dantas terão sido contratados pela agência de recrutamento de tripulação “The Yacht Delivery Company”, com sede na Holanda, para levar o barco da cidade de Natal, no Brasil, para os Açores, em Portugal, e Daniel Dantas entrou para a tripulação depois de ter sido indicado por Rodrigo Dantas para preencher mais uma posição que faltava. Por último, o capitão Olivier Tomas chegou ao veleiro três dias antes da viagem.

Os familiares responsabilizam o proprietário do veleiro, conhecido por Fox e que, entretanto, não seguiu viagem e que durante o processo não se conseguiu saber do seu paradeiro.

Os quatro saíram do Brasil com destino aos Açores, mas devido a uma avaria no barco tiveram de parar em Cabo Verde. Ao chegarem à Marina do Mindelo, a 23 de Agosto de 2017, a PJ fez uma busca no veleiro, tendo sido encontrada mais de uma tonelada de cocaína em elevado estado de pureza.

Os familiares que estão em Cabo Verde desde há vários meses dizem ter vivido um verdadeiro pesadelo com toda esta situação e que não vêem a hora de chegar a uma conclusão e ficar provada a inocência dos tripulantes.

Os 1157 quilos de droga são a maior apreensão feita em São Vicente e a segunda a nível nacional, depois dos 1500 quilos apreendidos na operação ‘Lancha Voadora’, na cidade da Praia.

 

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