Tchá  recebe  Prémio de Mérito Teatral… pa nho rei ca ba cabeça

28/03/2018 02:01 - Modificado em 28/03/2018 02:01
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Não se sabe por quê  só agora Tchá , Fonseca Soares , recebeu o prémio de mérito teatral . Isto depois  de uma carreira que começou há 44 anos no palco do saudoso Eden-Park . E com interpretações e participações em peças  como Rei Lear, Sete Pecados Capitais, Três irmãs, Mar Alto,  Auto da Compadecida,  No Inferno,  Teorema do Silêncio,  Tempestad,  Invasão do Lixo,  Linha de Pesca,  Nôs água e Crónicas de Mindelo. Mas na memória ficou a  atuação de Fonseca Soares na criação e interpretação do Rei Lear que pela primeira vez falou crioulo e em crioulo ficou a saber que “ nho rei já ba cabeça “ Uma interpretação para um Òscar a forma como esse personagem shakespeariano ganha alma mindelenses e vira mindelenses. Em 2008 , numa entrevista ao jornalista Eduino Santos , no ExpressodasIlhas ,  Tcha respondia assim as seguintes perguntas :

porque é que fazes teatro?

José Fonseca Soares – Ai está uma boa pergunta que requer uma boa resposta. Faço teatro, essencialmente, porque considero que o teatro faz parte da vida e que ajuda que a vida seja cada vez melhor. Um segundo motivo, também essencial, prende-se com o facto de ter experimentado o teatro desde de pequeno e fiquei encantado. Costuma-se dizer que é como a Rádio “ quando o bichinho morde” é para sempre. Fica a vontade, o gosto de fazer teatro. Passei muitos anos sem fazer teatro, mas o “bichinho” continuou dentro de mi. E, a verdade é que passado esses anos voltei a fazer teatro.  Acontece com muita gente que de uma forma ou de outra passou pelo do teatro: seguem as suas vidas mas a qualquer momento … voltam ao palco

Expi – Qual é a conclusão que queres que eu e os leitores tiremos: fazes teatro porque é vida, porque gostas ou é por causa desse “ bichinho”?

JFS– Uma coisa leva a outra. Gosta – se e não se consegue sair. È como uma paixão. Aliás é uma paixão

ExpiMas és  um homem de duas paixões: a rádio e o teatro. O jornalismo com a frieza da objectividade e da verdade baseada nos factos e a ficção, a fantasia, a criatividade do teatro. Um Fonseca Soares que é capaz de fazer com rigor e objectividade a cobertura de uma acidente de avião onde morreram várias pessoas e falar de corpos mutilados e um Fonseca Soares que é capaz dos nos fazer rir com o Rei Lear. Qual deles é o verdadeiro Fonseca Soares?

JFS– Acho que as duas coisas se completam. Sabes que existem pessoas que tem uma vida pública de muito rigor, mas em casa, no WC, são outras pessoas. Fazem bonecos, caretas  no espelho. Mas, na vida pública é outra coisa. Isso é normal e acho que, ao fim ao cabo, o homem é isso, o positivo e o negativo, o aberto e o fechado. Isso é valido também para mi…

Expi – Então o Fonseca jornalista e o Fonseca actor de teatro estão numa boa ….

JFS – Sim. E posso dizer que se dão muito bem. Haverá vezes que o jornalista pode dizer ao actor “ não me meta nessas coisas que não gosto dessas coisas”. Há momentos que tenho esses problemas, esse dilema. Tem acontecido algumas vezes situações em que o actor toma na “descontra” e que o jornalista considera que não vai bem com sua forma de estar e encarar a vida. Mas as duas partes acabam sempre por chegar a um acordo. Ambas fazem parte da vida e fazem parte de mim…

Expi- … e se calhar um não consegue viver sem a outra, digo eu

JFS – E dizes bem, porque acho que uma parte ajuda a outra a viver melhor

 

E é este o homem , o actor , e a cima de tudo “ o cajo porreiro” que recebeu o Prémio de Mérito Teatral 2018

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