Visitas conjugais nas prisões: uma opção ou uma necessidade?

20/03/2018 06:49 - Modificado em 20/03/2018 06:49

A possibilidade de manter um contacto íntimo com a pessoa de quem se gosta pode ajudar no equilíbrio emocional do recluso” ou “estão presos e não merecem ter nenhum benefício dentro da cadeia”. Duas posições opostas sobre a questão de se criarem condições para que os reclusos/as possam receber visitas intimas .

Na sexta-feira passada, o Chefe de Estado Cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, defendeu a necessidade de regulamentação das visitas conjugais e das cadeias do país criarem condições para que elas aconteçam, isso conforme sublinhou, dentro dos limites da reclusão.

“Isso é uma coisa indiscutível em qualquer Estado de direito e democracia”, afirma JCF que defende ainda que as prisões devem ser espaços onde entra a cidadania. A limitação que os presos têm é da liberdade, mantêm os restantes direitos. Todas as correntes propugnam que o sistema prisional deva tender para a maior aproximação possível das condições de reclusão à vida em liberdade”.

Sobre este tema, o NN saiu às ruas para ouvir o público e saber a sua reacção em relação a um tema que, à priori, encontra a oposição de muitos à posição do Chefe de Estado.

“Regime de visitas íntimas não serve só para manter laços familiares, serve também para motivar o bom comportamento”, explica um jurista sobre este assunto.

“Acredito que com a implementação desta medida, o Estado estará a trabalhar para que haja toda uma sensação de bem-estar associado a estas visitas”, diz um dos entrevistados que acredita que isso pode ajudar os reclusos a terem mais “força e a andarem mais bem-dispostos ou dispostas”. O mesmo admite defender esta posição porque tem um ente querido preso na Cadeia Central da Ribeirinha.

“Estas visitas não deveriam constituir um prémio para alguém que cometeu um crime. O objectivo é a reclusão total e lá vêm com esta ideia de se criarem condições para favorecer o recluso”, critica uma cidadã que não vê a necessidade da implementação da medida que, no entender de outros, por si só, não constitui um prémio, mas antes, um direito que “transporta consigo benefícios inestimáveis para a reintegração do recluso”, disse outro entrevistado.

As visitas íntimas surgiram em 1918 nos Estados Unidos como uma estratégia para reduzir a violência e aumentar a motivação para o trabalho.

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