Candidatura do Campo de Concentração do Tarrafal a Património Imaterial da Humanidade segue depois do dossiê da morna

15/03/2018 07:18 - Modificado em 15/03/2018 07:18
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Cidade da Praia, 14 Mar (Inforpress)- O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas garantiu hoje que após a entrega da candidatura da morna a Património Mundial vão dar inicio ao processo de candidatura do Campo de Concentração do Tarrafal a Património Imaterial da humanidade.

Abraão Vicente fez este anúncio durante uma conferência de imprensa na Cidade da Praia, para o balanço da sua visita à ilha da Boa Vista.

Conforme avançou, ainda hoje vão se reunir com o presidente do Instituto do Património Cultural e com o técnico da Cooperação Portuguesa, responsável pela consagração do Fado e que vem apoiando o país na consagração da morna, para afinar o dossiê, visto que entre os dias 26 e 27 vão entregar a candidatura à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Segundo o governante, depois de um ano de recolha de subsídios no país e na diáspora pela equipa do IPC, neste momento já tem em mãos alguns documentos e as 10 fotografias que são necessários para enformar o dossiê, composto por seis mil páginas, faltando apenas a finalização do vídeo.

Para esta candidatura, informou, o país contou com a colaboração de Portugal que disponibilizou o seu técnico para fazer o acompanhamento e a finalização do trabalho.

“Pela primeira vez, Cabo Verde tem um dossiê e vai entregar à UNESCO e vamos oficializar a nossa intenção, ainda este mês, da morna ser património imaterial da Humanidade. Temos a garantia que o nosso dossiê está muito bem encaminhado”, regozijou-se.

Questionado se vão avançar com a proposta para os outros géneros, Abraão Vicente disse que não vale a pena avançar com a candidatura de processos que estão na “base zero”, pois ainda nem foram classificados como património nacional.

A única prioridade do Governo, neste momento, indicou, é com a morna e logo de seguida será a vez da candidatura do Campo de Concentração do Tarrafal (Interior de Santiago), que já está inscrito na lista indicativa dos patrimónios da UNESCO.

“O próximo dossiê que Cabo Verde vai entregar a UNESCO, não é de nenhum outro assunto, senão o do Campo de Concentração do Tarrafal”, garantiu.

Com a inscrição na lista indicativa, informou que os técnicos seniores da UNESCO indicaram um conjunto de irregularidade e aspectos que devem ser melhorados no campo.

Neste sentido, adiantou que uma equipa técnica já está a fazer obras em parceria com a Câmara Municipal do Tarrafal.

Informou ainda que o projecto do museu será baseado na ideia das micro-histórias, isto é, para que quem visitar o museu do Tarrafal tenha oportunidade de conhecer a história de cada prisioneiro, em termos de detalhes.

“Estamos a fazer um programa minucioso para quem entrar no campo tenha uma experiência completa, de não só ver o vazio que neste momento existe, mas também consiga perceber a história e o porquê daqueles indivíduos terem sido expatriados e presos”, indicou.

Para o ministro, este projecto carece do envolvimento de toda a Comunidade dos Países de Língua Portugal (CPLP), dado que é um Campo que teve duas fases na sua história e que envolveu os outros países da comunidade.

Com o término da obra, vão apresentar um dossiê preliminar e pedir apoio formal e uma Declaração formal de Portugal, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, países que mais sofreram com a existência do Campo de Concentração.

 

Inforpress

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