“Operação Zorro”: Especialista defende que era impossível os cães da PFB  farejar a cocaína

15/03/2018 07:07 - Modificado em 15/03/2018 10:14
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Depois de ter procedido a uma visita a tarde desta quarta-feira, ao veleiro Rich Harvest ancorado na baia do Porto Grande, o Juiz Antero Tavares acompanhado pelos advogados da defesa, os representantes do Ministério Público bem como de dois especialistas da área canina, procedeu a uma inspecção ao local onde se encontrava acondicionado a droga, como forma de esclarecer alguns pontos essências do processo, em que encontram acusados Daniel Guerra, Rodrigo Dantas, Daniel Dantas e Olivier Tomas, acusados de tráfico de drogas de alto risco e de associação criminosa.

O final de mais um dia, o terceiro, de audiência e discussão de julgamento e relativo a visita ao veleiro, a defesa, na voz do advogado Osvaldo Lopes considerou que foi efectivamente uma visita que satisfaz a defesa. “Conseguimos ter uma noção exacta de onde estava a droga, quais eram as dificuldades de acesso ao sitio onde se encontrava e vai de encontro da prova que produzimos já em audiência de discussão de julgamento, estamos em querer que é mais uma elemento para trazer ao cima a verdade material do processo”.

Na volta ao tribunal, os dois especialistas foram interrogados sobre a capacidade dos cães farejadores darem ou não com as drogas e se as circunstâncias apresentadas, os cães poderiam ou não detectar a droga.

O perito canino da Policia Judiciária, questionado pelo MP sobre a capacidade do cão conseguir farejar ou não afirmou que sim, no entanto referiu ainda que isso depende do tempo em que a droga esteve acondicionada no local, o acesso ao local, e a falta de ventilação condiciona o desempenho do animal, deixando transparecer a possibilidade da droga ter sido transportado para o veleiro depois das buscas.

Afirmações sustentadas pelo MP, e que segundo a acusação a droga foi colocado no local depois das buscas efectuadas pela Policia Federal Brasileira e que depois desta data não houve a possibilidade de mais intervenção canina, por isso é que não foi possíveis os inspectores terem encontrado a droga dentro do veleiro.

Por seu lado a defesa em contra interrogatório, queria saber se perante todos os factores apresentados, como a falta de ventilação, difícil acesso, com um tanque cheio de água em cima de uma estrutura com um espaço entre a droga de mais de um metro, se era possível ou não que o cão pudesse farejar as drogas, perante tais circunstâncias reconheceu, que tal seria ou não possível.

Por outro lado, o veterinário mindelense, chamado pela defesa explicou que só é possível um cão detectar qualquer cheiro, caso haja no ar qualquer molécula olfactiva e nas condições apresentadas no veleiro “não havendo resíduos olfactivas o cão não detectaria a droga e nas condições apresentadas era quase impossível a existência de moléculas de odores e dependendo do material em que a droga estivesse condicionado, que segundo os autos da acusação, a droga estava acondicionada em plástico hermeticamente com duas camadas de vácuo.

No passado dia 23 de Agosto 2017, na sequência de uma busca efectuada ao veleiro Rich Harvest, de bandeira britânica, que se encontrava atracado na Marina do Mindelo, a PJ, através do Departamento de Investigação Criminal do Mindelo, apreendeu 1157 quilogramas de cocaína.

A droga encontrava-se acondicionada em 1063 pacotes e na operação a PJ deteve quatro indivíduos de sexo masculino, com idade compreendida entre os 25 e 49 anos, três dos quais de nacionalidade brasileira e um de nacionalidade francesa, por suspeita da prática de tráfico de estupefacientes.

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