Ministério Público acusa comunicação social de estar ao serviço da defesa dos arguidos do caso “Operação Zorro”

14/03/2018 07:02 - Modificado em 14/03/2018 07:02
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Uma acusação feita esta terça-feira, no segundo dia da audiência de discussão e julgamento dos quatro arguidos por alegados crimes de tráfico de droga de alto risco e de associação criminosa. Segundo o MP, a comunicação social nacional está a fazer parte do trabalho da defesa, alegando que “tanto é que já conseguiu uma absolvição antes do julgamento”.

A defesa por seu lado crítica a posição do MP sobre esta questão afirmando no entanto que ao contrário  da posição do MP que fez saber a comunicação social algumas informações sobre o caso ainda quando este se encontrava sob segredo de justiça. “A defesa começou a falar com a comunicação social quando o processo já não estava sob segredo de justiça e não fomos nós que demos o nome pomposo ao caso: “Operação Zorro”.

No fim da audiência da tarde do segundo dia, o representante do Ministério Público neste processo, o magistrado Manuel Reis, abordado pela Inforpress sobre as declarações por ele proferidas durante o julgamento, na manhã de hoje, em que acusou a Comunicação Social de “estar ao serviço da defesa” neste processo, este informou ao jornalista que tem “o direito de reserva”, por isso “não presta declarações à imprensa” e que “tudo o que disse na sala de audiências encontra-se no processo”.

Uma discussão que surgiu quando a defesa dos arguidos solicitava ao tribunal a junção de novas provas que não se encontram no processo, nomeadamente a audição do delegado da Policia Federal Brasileira e dos brasileiros que estiveram envolvidos na reparação da embarcação, para esclarecer alguns pontos da acusação.

Ainda durante as declarações dos inspectores da PJ, a defesa solicitou ao tribunal o regresso do inspector Chefe da PJ, devido a algumas declarações dos inspectores sobre as buscas. Pedido que tribunal indeferiu, alegando que a volta do inspector chefe de Ada iria acrescentar ao processo e que os pontos pertinentes foram esclarecidos.

A defesa ainda queixou-se na parte da manha de estar condicionado durante os interrogatórios.

O caso dos cidadãos brasileiros Daniel Guerra, 36 anos, Daniel Dantas, 43 anos, e Rodrigo Dantas, 25 anos, e o francês Olivier Thomas, 49 anos, será retomada esta quarta-feira, depois de serem ouvidas todas as testemunhas arroladas no processo, que já conta cerca de 600 páginas distribuídas por cinco volumes, prossegue esta quarta-feira com uma visita ao veleiro RichHarvest, apreendido num do cais do Porto Grande do Mindelo.

Trata-se de uma diligência para os intervenientes no processo se aquilatarem de como as coisas aconteceram, “tirar dúvidas” em relação à localização dos tanques na embarcação e “algumas outras questões” que surgiram na audiência de discussão e julgamento.

No final da visita, o Ministério Público e defesa deverão proceder às alegações finais, para, logo de seguida, ser marcado o dia da leitura da sentença.

O Ministério Publico acusa os quatro tripulantes do veleiro RichHarvest de tráfico de droga de alto risco agravado e de associação criminosa, após a apreensão, no mês de Agosto do ano passado, na Marina do Mindelo, de 1.157 quilogramas de cocaína, escondidos na embarcação.

 

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