Operação “Zorro”:  Capitão solicitou a presença das autoridades à bordo mas não foi atendido  

13/03/2018 07:16 - Modificado em 13/03/2018 07:16
| Comentários fechados em Operação “Zorro”:  Capitão solicitou a presença das autoridades à bordo mas não foi atendido  

“Chegámos com um barco cheio de problemas, não de cocaína”. Declarações feitas durante a primeira audiência de julgamento desta segunda-feira no 1º Juízo do Tribunal da Comarca de São Vicente pelo capitão do veleiro

O início do julgamento do caso “Operação Zorro” foi marcado, esta segunda-feira, pelos depoimentos dos quatro envolvidos no processo, acusados de tráfico de droga de alto risco e de associação criminosa.

Nesta primeira audiência, o julgamento foi dividido em duas partes: a primeira parte foi reservada para os depoimentos e interrogatório do capitão do veleiro Olivier Tomas e Daniel Dantas que negaram saber da existência da droga dentro da embarcação, aliás, alegações sustentadas também pelos outros dois velejadores.

O capitão sustenta que a chegada a São Vicente foi algo de muito atribulado e cheio de contratempos, destacando três grandes problemas que o fizeram tomar a decisão de aportar no Mindelo. O facto de Daniel Dantas estar doente, o vazamento de óleo do sistema hidráulico e problemas no motor.

Ao chegar à ilha, conforme conta, ancoraram no Porto Grande já de noite e, no dia seguinte, foi hasteada a bandeira amarela, solicitando a presença das autoridades nacionais dentro da embarcação. “Os navios quando em navegação, principalmente em entrada e saída de portos, hasteiam no mastro principal uma série de bandeiras”.

Olivier Tomas afirmou durante as suas declarações que durante dois dias nenhuma autoridade compareceu e desembarcou com o objectivo de organizar o reboque do navio até à Marina do Mindelo. Além disso, informou o dono da embarcação da decisão de ter aportado em Cabo Verde, já que isso não fazia parte do trajecto.

Questionado sobre a forma como decorreram as buscas no veleiro, Tomas afirma que duraram quase um dia inteiro. Desde as 10 horas da manhã até às 17 horas e depois de muito procurar, a polícia foi dar com a droga escondida. Até esse momento, não sabia da existência de outro tanque que ficava  debaixo do tanque de água situado debaixo de duas camas, a do capitão e a do Daniel Guerra.

O mesmo reitera o facto que “não tinha conhecimento da droga a bordo, senão nunca aceitaria o barco” e admite que devido à rapidez com que se “apoderou” do navio e tendo feito uma vistoria, não foi possível constatar a presença de nada de ilegal dentro da embarcação.

Declaração sustentada pelos três brasileiros, Daniel Guerra, Rodrigo Dantas e Daniel Dantas. Guerra, corroborando as declarações de Olivier Tomas, afirmou que os problemas do veleiro continuaram a agravar-se até à chegada a São Vicente e foram obrigados a navegar apenas com as velas e aportar no Mindelo.

O mesmo afirma ainda que durante as buscas, apenas ele e o capitão se encontravam na embarcação, uma vez que o capitão tinha dispensado os outros dois, um por motivo de doença e o outro, por motivos de relacionamento.

“Quando a PJ chegou ao barco e começou a fazer as buscas, ficámos tranquilos porque é um procedimento normal”, diz o velejador que acredita que apesar de não saberem da existência do produto, a polícia só conseguiu chegar ao local, porque o tanque de água que camuflava o outro tanque por baixo do mesmo estava quase vazio e, depois de retirarem completamente o conteúdo e de levantarem o tanque, é que descobriram outra parte que ficava mesmo por baixo e deram de caras com a droga.

“Tudo arquitectado, tudo dissimulado e não tínhamos forma de ver nada”.

Em relação aos depoimentos de Rodrigo Dantas e Daniel Dantas estes não vieram acrescentar muitos factos, uma vez que não se encontravam no barco na altura das buscas em São Vicente.

Afirmaram perante o Tribunal que vieram a saber da detenção da droga na sede da PJ, depois de terem sido detidos pelos agentes”. E que durante as buscas no Brasil todos os tanques tinham sido fiscalizados. Aceitaram fazer a travessia por causa das milhas náuticas e pelo espírito de aventura.

O julgamento continua esta terça-feira.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.