Operação Zorro: os pontos fracos da acusação do MP

7/03/2018 03:58 - Modificado em 7/03/2018 03:58
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A acusação deduzida pelo Ministério, em 20 Dezembro de 2017, contra os arguidos do processo conhecido como “Operação Zorro” sempre foi contestada pela defesa que a considerou que baseada “ intenções, juízos, opiniões e presunção e sem fazer prova do que sustenta “.Depois do processo sair do segredo de justiça ficou-se a saber que perante “factos provados e conhecidos ” a peça de acusação apresentava vários pontos fracos “ E esses pontos fracos ficaram mais visíveis quando a Policia Federal Brasileira que forneceu as informações a PJ sobre o que se passou no Brasil, depois de uma investigação, optou por outra narrativa. Assim como a PJ pode sustentar conclusões que hoje são contrárias as de quem lhe deu informações. Mas vamos aos pontos da acusação

No ponto 16 da acusação o MP sustenta que “ todos os arguidos foram contratados para o transporte da quantidade de droga apreendida, mediante uma avultada compensação remuneratória e conheciam os esconderijos onde a mesma encontra-se dissimulada para o seu transporte até ao ponto final “. Que provas o MP vai apresentar para demostrar que isso é verdade e não uma suposição?

Quanto a contratação existem provas, contratos e outros documentos que mostram que a tripulação foi contratada pela uma empresa especializada a Te Yatcht Delivery Company. Mediante isso a defesa apresenta provas que os quatro arguidos são terceiros de boa-fé, foram contratados como marinheiros e capitão para uma viagem num barco e foram contratados legalmente como empregados “ E que provas tem o MP para sustentar que foram contratados pelo dono do veleiro a troco de uma avultada compensação remuneratória? Existem registos, escutas telefónicas, e-mails outro, modo de prova do alegado acordo?

 

Quando o MP defende que os arguidos e conheciam os esconderijos onde a droga estava dissimulada para o seu transporte ate ao ponto final vai contra os depoimentos de todas as pessoas que trabalharam na reparação do barco no Brasil. Estas defendem que droga só pode ter sido foi introduzida pelo próprio dono do veleiro quando este deixou a Bahia com destino no estado do Esprito Santo. A Policia Federal Brasileira considerou importante o depoimento de um trabalhador na reparação. Este revelou que antes da viajem George Saul pediu materiais que são usados para a criação, modelagem ou reformas de estruturas em fibra de vidro, Outro antigo tripulante Carlos Alves de Cerqueira disse que apos o segundo retorno do veleiro a Natal foi lhe solicitado que descesse ao porão para auxiliar Saul em um acabamento afirmou que havia uma parede solida no local e que houve trabalho com resina. A PFB falou com os funcionários da Marina estes disseram que não presenciaram nenhuma movimentação atípica ou de volumes nos dias que antecederam a viajem rumo a Madeira, Por isso concluíram que a tripulação não sabia que o veleiro Rich Harvest transportava droga. O despacho é conclusivo: “ disse podemos concluir sem sombras de dúvidas que a droga foi introduzida na embarcação, não no Rio Grande do Norte, não na Bahia, mas no estado do Espirito Santo”. E neste ponto está provado que a tripulação ainda não tinha sido contratada. E muito menos esteve em Espirito Santo onde se acredita que a droga foi introduzida no veleiro.

Este ponto 16 é o mais importante da acusação e ao mesmo tempo é o elo mais fraco da acusação . Pois no processo o MP não apresentou provas  que os “ todos os arguidos foram contratados para o transporte da quantidade de droga apreendida, mediante uma avultada compensação remuneratória e conheciam os esconderijos onde a mesma encontra-se dissimulada para o seu transporte até ao ponto final”, terá essas provas para apresentar na audiência de julgamento ?

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