Operação Zorro:  Dúvidas e certezas

7/03/2018 03:55 - Modificado em 7/03/2018 03:55
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Segundo a defesa dos velejadores, o Despacho Fundamentado do Departamento da Polícia Federal – Superintendência Regional da Bahía, datado de 7 Fevereiro, deixa sem suporte a acusação que o Ministério Público de Cabo Verde fez contra os tripulantes do veleiro Rich Harvest que transportava droga.

É que segundo a acusação, os arguidos sabiam que era proibida a detenção e transporte dos produtos apreendidos e que, mesmo assim, não se abstiveram de tal conduta. Considera ainda que agiram “livre, deliberada e conscientemente, mesmo sabendo que tais comportamentos eram proibidos por lei “.

Com ou sem despacho, uma revista náutica, num artigo sobre o caso, fala sobre as “7 dúvidas e suas possíveis respostas”. Num caso em que juram que são inocentes, o futuro deles depende agora de convencer a justiça disso.

Ora, a primeira dúvida que se levanta é a razão pela qual os tripulantes não examinaram minuciosamente um barco que não conheciam, antes de uma viagem tão longa quanto a travessia de um oceano?

Os mesmos alegam que vistoriaram bastante o barco antes da partida, mas como eram pouco experientes com veleiros, talvez não tenham aprofundado tanto. Já o comandante, nomeado em cima da hora, talvez não tenha tido tempo de examinar o barco como deveria. Todos, porém, alegam que o compartimento com a cocaína estava tão bem escondido e camuflado no fundo do casco que nem a polícia brasileira que sabia o que buscava, achou.

Porque é que ninguém estranhou o peso excessivo do barco e que podia ser atestado tanto pelo desempenho como pela própria linha de água no casco?

O Rich Harvest é um veleiro com cerca de 30 anos de uso, portanto, sujeito a ficar naturalmente mais pesado pelo encharcamento do casco, que ainda por cima é de cimento. Além disso, com as reformas feitas em Salvador, o barco poderia muito bem ter ganho peso extra sem que a linha de água fosse remarcada. Num veleiro com 70 toneladas de peso, uma tonelada a mais não faria assim tanta diferença à sua performance.

Como é possível que a tripulação não estranhasse um volume de carga do tamanho de duas caixas de água dentro de um simples veleiro? Isso porque o Rich Harvest é um veleiro muito grade, com muito espaço a bordo, sobretudo, a parte debaixo do casco onde foi instalado o compartimento secreto e que fica debaixo das camas e do tanque de água doce e, por ser de cimento, o mesmo material do casco, o compartimento pode ser lacrado, revestido e camuflado com o mesmo material restante do barco sem deixar vestígios sequer do alçapão de acesso. Segundo todos os tripulantes, quem entrasse no porão do veleiro não o notaria.

Como é que o estaleiro que fez a reforma não estranhou a construção de um tanque de combustível tão grande? Segundo o estaleiro, o proprietário disse que pretendia fazer longas viagens com o barco, por isso, precisava de um tanque de boas dimensões para ter larga autonomia para navegar também com o motor.

Outro ponto prende-se com o facto de se saber se quem “lacrou” o compartimento, não viu o que havia dentro.

Segundo consta, depois de estar carregado com as barras de cocaína, o dono do veleiro deixou o barco novamente no estaleiro a fim de tapar o compartimento com o mesmo material usado na reforma do barco mas, na ocasião, o compartimento já estaria tapado por uma lâmina de madeira que impedia de ver o que havia dentro.

Como é que a polícia brasileira não encontrou a droga durante a inspecção? Segundo a polícia brasileira, a vistoria foi feita através de uma denúncia e a mesma admite que houve “falhas” na busca

Mesmo com uma denúncia, como é que os velejadores não desconfiaram?

Segundo a mesma fonte, isso porque são jovens e com pouca experiência náutica e estavam ansiosos para fazer a grande travessia oceânica e a busca negativa da polícia brasileira tranquilizou o grupo. E o comandante francês que só foi contratado e embarcou depois da vistoria, pode não ter visto nada de preocupante com o procedimento da polícia por julgá-lo de rotina.

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