São Vicente a crise profunda

6/11/2012 00:07 - Modificado em 6/11/2012 00:09

São Vicente precisa de soluções e acções concretas para inverter a crise profunda, em que a ilha de Monte Cara se encontra mergulhada. São Vicente é uma ilha com uma história singular de trabalho, de muita luta pela sobrevivência e de forte afirmação do seu papel na dinâmica do desenvolvimento nacional. São Vicente é a segunda economia de Cabo Verde, com um Produto Interno Bruto – PIB – à volta de 16 milhões de contos, equivalente a 148 milhões de euros, gerando aproximadamente 17% da riqueza Nacional.

Uma ilha com uma receita fiscal à volta de 7,2 milhões de contos, representando quase 18% das receitas fiscais nacionais (que aproximam os 39.591 milhões de contos); uma ilha com 11.531 empresas com um volume de negócios perto de 50.056 milhões de contos, representando 23% do volume de negócios a nível nacional (no valor de 209.083 milhões de contos); uma ilha que recebe anualmente 1.7 milhões de contos em remessas dos emigrantes, representando 18.5% das remessas de emigrantes a nível nacional (8.4 milhões de contos).

São Vicente é uma ilha que se afirmou no Atlântico Médio como ponto de cruzamento de rotas comerciais entre o Norte e o Sul do Atlântico, utilizando as qualidades do Porto Grande de Mindelo para promover toda uma actividade marítimo-portuário, com o seu enorme potencial de negócio, enfim, uma ilha com uma identidade cultural própria e diversificada, com a sua riqueza na música, no carnaval, no teatro e desporto.

Hoje São Vicente passa por dificuldades diversas. É a ilha com mais desemprego em Cabo Verde, 18,3% em 2011, contra 12,2% a nível Nacional, com perspectiva de aumento em 2012 para mais de 20%. É uma economia em crise (comércio, industria, pesca, turismo e transporte…)

As actividades marítima e portuária estão em profunda crise e com grandes constrangimentos, a saber:Deficiente sistema de registo convencional de navios; défice de efectivos e capacidade da actualização dos marinheiros, com formação e certificação; ausência de incentivos à formação para o sector marítimo; uma frota obsoleta e inadaptada; ausência de uma estratégia nacional de renovação e modernização da frota; dificuldades na obtenção de créditos atendendo as elevadas taxas de juro; fragilidade e ausência de regulamentação e regulação do sector marítimo-portuario; os Estaleiros Navais – CABNAVE -é pouco competitivo, com equipamentos e instalações obsoletas, com baixa taxa de produtividade; a inexistência de Zonas de Logística em São Vicente, para movimentação e desembaraço de cargas e mercadorias; as Tarifas Portuárias são elevadas e desajustadas à realidade competitividade e concorrências internacionais, dificultando, principalmente, o transbordo de contentores no Porto Grande; a fraca ou ausência de capacidade de armazenamento e de frio, inviabilizando, sobremaneira, o transbordo de pescado.

A pesca é um sector vital para a economia nacional e para a ilha de São Vicente, em especial. Ela passa por grandes dificuldades e constrangimentos: a ausência de uma política Nacional de Pesca em Cabo Verde e de um Plano Estratégico de Desenvolvimento do sector; custo de combustível elevado e ausência duma bonificação justa para o sector; desadequação da Frota artesanal e industrial; a fraca ou melhor, a ausência de armazenagem de frio e entreposto frigorífica (incêndio que destruiu a INTERBASE); as infra-estruturas de apoio a pesca estão obsoletas e desadequadas as exigências da modernidade; a ausência duma política de formação e qualificação dos operadores da pesca.

Convém realçar, que o sector marítimo- portuário é caracterizado por uma excessiva centralização e concentração de competências no Governo, o que tem aumentado os níveis de burocracia que dificultam o desenvolvimento do Sector. Enfim, o Governo nos sucessivos Programas e na sua Estratégia de Transformação de Cabo Verde prometeu e apresentou ao Pais um conjunto de investimentos púbicos para a ilha de São Vicente no sector marítimo-portuário, a partir de 2009, no montante de 47,7 milhões de contos (Projectos do Acesso Norte ao Porto Grande, Armazéns Frigoríficos, Terminal de Cruzeiros, requalificação da zona Portuária, Centro Tecnológico de Mindelo, Terminal de Transbordo, Modernização dos Estaleiros da CABNAVE entre outros),Infelizmente, esses investimentos não passaram de promessas e propaganda, pois, até hoje não começou nenhum dos projectos.

A não preparação da ilha, com investimentos públicos necessários, tem sido a principal causa do não aproveitamento das potencialidades e oportunidades de desenvolvimento de São Vicente, principalmente, a nível da industria, do turismo e dos serviços. A situação é, ainda, mais complexa com o braço de ferro do Governo no relacionamento com a Autarquia de São Vicente na gestão dos terrenos da Ilha, incluindo as ZDTI, criando um mau ambiente de negócios para os potenciais investidores privados, a saber: Projecto Cesária Resort- palha Carga; Projecto de João de Évora; Projecto Baia Resort, Projecto do Resort de Salamansa, entre outros.

Sim. São Vicente precisa de soluções e acções concretas para inverter a crise profunda por que passa a ilha. Exige-se a requalificação e a modernização do Porto Grande do Mindelo; a construção dum Terminal de Cruzeiros; a privatização da CABNAVE para permitir a sua requalificação e modernização; de criar uma base logística em São Vicente, para permitir o transbordo de mercadorias e pescado, de repor as instalações de frio para armazenagem de pescado; de promover o financiamento da modernização das embarcações e a adaptação da capacidade da frota; de promover a formação profissional dirigida as reais necessidades do sector das Pescas, de promover a criação da Escola Superior para assuntos e negócios do Mar, de equipar o Aeroporto Cesária Évora com equipamentos necessários à operações nocturnas para voos internacionais; de dinamizar a captação de investimentos nacionais e externos para São Vicente e normalizar as relações institucionais entre o Governo e a Câmara Municipal.

 

Jorge Santos

Deputado Nacional

 

  1. JSantos

    Tudo certo Sr. Deputado. É facto que S.Vicente, precisa disto e muito mais. Por mais que se diga ou se escreve, a Ilha de S.Vicente irá pagar a eterna factura, de no passado, diga-se no tempo colonial, ter beneficiado de algum investimento, que o permitiu ter uma posição de destaque no Arquipélago. E isto os nossos amigos de Santiago nunca irão perdoar. Mas o abandono da ilha não vem de hoje. Os sucessivos governos têm abandonado a ilha a sua sorte. Estou de acordo consigo, que a ilha de per si

  2. JSantos

    nunca ira atingir os patamares de desenvolvimento. Da mesma forma que o
    desenvolvimento deverá passar pelo envolvimento do sector privado, diga-se
    moribundo, cabendo necessariamente ao governo estabelecer as politicas de desenvolvimento. Mas enfim conversas e mais conversas, mas como diz o eterno “Benito de Paul” é que aqui a coisa está preta.

  3. Silvina

    É SEMPRE A MESMA M*** VOCES DA OPOSIÇÃO DIZEM O OBVIO QUE TODOS NOS SABEMOS E SENTIMOS NA PELE EM SV, MAS NUNCA APRESENTAM ESTRATEGIAS PARA OPERACIONALIZAR ESSA SITUAÇÃO. DIGA SR. DEPUTADO O QUE DEVE SER FEITO PARA SV SAIR DA CRISE, SEJA OBJECTIVO APRESENTA SOLUÇÕES OBJECTIVAS. FARTA DESSE DISCURSO!!!

  4. Claudino Gonçalves

    “São Vicente precisa de soluções e acções concretas para inverter a crise profunda”. grande novdade. Disso todos os Caboverdinos ja sabem. precisamos conhecer são as tais soluções.

    politicos malandros!!!!

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