O êxodo interno para ilhas com ofertas de trabalho

21/02/2018 07:54 - Modificado em 21/02/2018 07:54
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A situação de desemprego de muitos jovens tem levado com que estes procurem outras ilhas com mais oferta de trabalho. A ilha do Sal e da Boavista têm sido as opções. Com o desenvolvimento do turismo nessas ilhas, o surgimento de novas oportunidades de trabalho é visto como uma das razões para esta “emigração interna”.

Tendo a ilha do Sal como exemplo, o fluxo de pessoas tem sido constante e é notória a presença de jovens de outras ilhas nos mais diferentes sectores. A razão apontada é a mesma: trabalho. Este é o imperativo na escolha destas pessoas para uma mudança de ilha, visto que nas ilhas de origem, como Santo Antão e São Vicente, as oportunidades não têm surgido.

Ao realizar essa mudança, como revelam alguns jovens que se mudaram recentemente à procura de uma vida melhor, a adaptação à nova realidade não tem sido um processo muito fácil. Muitos aventuram-se sem algo certo a convite de amigos na promessa de ajuda na procura de um trabalho. A utilização desses contactos tem dado resultado e tem sido crucial.

 

Como sublinha Maria Fortes, a diferença de realidade entre as ilhas é grande. A ilha do Sal, neste caso, é tida como uma ilha de oportunidades, com uma realidade diferente não só pelo nível de vida que se vive, mas também pelo foco no turismo.  “É diferente já que é uma ilha nova e a maneira de ser das pessoas também, é diferente, pelo que temos de nos acostumar”. E essa diferença de realidade é sentida por aqueles que fizeram a escolha de tentar uma vida melhor numa outra ilha.

“Eu vim para aqui porque não tinha nada para fazer em São Vicente, não tinha trabalho e uma amiga ajudou-me a encontrar um trabalho. Não foi fácil no início mas consegui adaptar-me”. Uma adaptação difícil e idêntica a outras pessoas. Como avança Luís Santos, “é uma outra realidade”. Apesar de ter tido familiares que o ajudaram na sua chegada “ainda assim sentiu dificuldades”.

Um dos primeiros pontos é o estilo de vida no Sal. Os preços dos produtos, a forma de ser das pessoas, a rotina, são alguns pontos com que quem chega à ilha tem de lidar. Das conversas tidas, algumas pessoas chegaram já com uma proposta de trabalho, uma preocupação a menos, mas também existem os que partem para uma aventura na expectativa que a sorte lhes sorria. É o caso de Gabriel Delgado que teve o incentivo de amigos para vir para o Sal e tentar a sorte. “Alguns amigos incentivaram-me a vir e acabei por aceitar. Passei três semanas à procura de trabalho e acabei por encontrar e, até agora, as coisas têm corrido bem, consegui um trabalho no hotel”. O facto de conseguir um trabalho leva com que as pessoas continuem na ilha e, ao adaptarem-se, acabam por criar família e a residência torna-se permanente e sem intenções de voltarem para a ilha de origem a curto prazo. O emprego mantém as pessoas na ilha, mesmo quando a vontade era de estar na “terra de origem”. “Sal é só trabalho. Saio de casa cedo e só volto à tarde”, explica António Delgado. Ele veio com uma proposta de trabalho mas hoje trabalha por conta própria, como taxista. Esta é uma realidade vivida por muitos, “trabalho e trabalho”. Uma realidade com que todos têm de lidar para se manterem na ilha e conseguirem prover para si e para os familiares mais próximos. Como se se tratasse de alguém que vai trabalhar no exterior com a responsabilidade de continuar a ajudar a família mesmo de longe. Todos os entrevistados afirmam que continuam a enviar dinheiro para os familiares, continuando com a responsabilidade de ajudar os familiares, mãe e filhos. As raízes são fortes. Mas abordados sobre a questão da intenção de regressarem, todos são unânimes ao afirmarem que se a situação mudar nas ilhas de origem, Santo Antão e São Vicente, podem até regressar mas, com a estabilidade e a oportunidade encontradas no Sal, é difícil regressarem. Luís Santos e Maria Fortes conseguiram encontrar trabalho na própria área de formação, enquanto que o trabalho nos hotéis continua a ser a opção encontrada por outros para o sustento próprio e a ajuda aos familiares.

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