Carnaval: ADECO questiona as prioridades do Estado de Cabo Verde

12/02/2018 01:08 - Modificado em 15/02/2018 08:58

 

“O que a ADECO precisa para funcionar durante um ano é menos do que aquilo que um grupo recebe para algumas horas de desfile” António Silva.

Os oito grupos ditos oficiais que vão animar o Carnaval 2018 nas ilhas de São Vicente e de São Nicolau foram beneficiados com o montante de sete milhões de escudos (7.000.000) pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, além de outros subsídios a outros grupos nacionais.

Para a ilha de São Vicente, o MCIC disponibilizou um total de 4.800.000 (quatro milhões de escudos cabo-verdianos), um milhão de escudos cabo-verdianos para cada um dos quatro grupos oficiais e ao Samba Tropical – 800.000,00ECV, mais 2.200.000 escudos para os grupos de São Nicolau e ainda o valor de 2.400.000 escudos aos 13 municípios de Cabo Verde que se inscreveram no edital de incentivo ao Carnaval 2018.

Com estes números sobre a mesa, o Presidente da ADECO faz uma reflexão sobre o que considera uma falta de coerência política e “ o que é realmente importante para as instituições públicas”. No entanto deixa bem claro que não é contra o carnaval, mas sim a forma como o Estado faz a distribuição de recursos.

Em entrevista a este online, António Pedro Silva, presidente do Conselho da Direcção da ADECO, questiona como é possível as autarquias e governo apoiarem quase todos os grupos de carnaval e apenas uma autarquia, a Câmara do Sal apoia a causa da defesa dos consumidores. Sendo que apoiar a associação é uma obrigação de todas as autarquias, Silva se mostra indignado com o que ele considera ser uma incoerência de prioridades.

“Essa única associação de consumidores para funcionar durante um ano inteiro recebe menos contribuição do Estado do que um grupo de carnaval que desfila durante três ou duas horas. Estas recebem mais do dobro desta instituição para funcionar durante um ano” advoga o presidente da ADECO.

O que considera algo grave e que “mostra a dimensão deste país”, segundo Silva, alegam dificuldades financeiras para não cumprirem as suas responsabilidades com a associação, no entanto para financiar os grupos em milhares de contos já existem recursos.

Para o presidente da ADECO, “o problema mais sério de um país é o consumo”, e explica: “Não é o desemprego, porque ter um emprego te dá o poder de compras para resolver problemas de consumo. É muito mais relevante que o próprio emprego, abrange a todos e afecta a todos. Porque a questão de consumo é extremamente importante na competitividade do país. A própria economia funciona a base do consumo. O motor de economia é o turismo, mas pergunta o que vêem fazer aqui? Consumir. Ela que permite o aumento do turismo e se é um produto turístico deve aguentar a sua cabeça”exprime.

E termina afirmando que o trabalho da associação de defesa do consumidor tem sido benéfico para todos, principalmente para os mais necessitados e que se algumas práticas abusivas já não acontecem nas áreas comerciais é da competência da ADECO. “Lutamos para bons preços”.

  1. SÓCRATES DE SANTIAGO

    Concordo plenamente com o senhor António Pedro Silva, um incansável lutador causa dos consumidores cabo-verdianos. De facto, há que se estabelecer prioridades em determinadades matérias, sobretudo o bom uso do dinheiro público, dinheiro de todos nós, o que este Governo do MPD não anda a fazer. Gastar todo esse dinheiro no Carnaval de S.Vicente e de S.Nicolau ( um acto de pura discriminação em relação às demais ilhas do País), num ano de seca e penúria, em que os animais morrem de fome no interior das ilhas agrícolas por falta de pastos, em que os camponeses passam fome e os filhos destes abandonam a escola por falta de recursos, gastar todo esse dinheiro nosso, dizia, é uma GESTÃO DANOSA do Governo da República, que demonstra um fraco sentido de Estado e uma tamanha irresponsablidade na condução dos destinos deste País. E depois, com toda a cara de pau, estenderá a mão hipócrita à Comunidade Internacional pedindo ajuda!…Pena é que estejamos num País de cegos onde todos os “KOLOLUS” são reis. Fosse num País onde a DEMOCRACIA funciona verdadeiramente, O Primeiro Ministro e o seu Governo já estariam no olho da rua.

  2. SÓCRATES DE SANTIAGO

    Errata- No meu comentário, onde se lê ” um incansável lutador causa”, deve-se ler ” um incansável lutador pela causa”. Muito obrigado!

  3. Djon Dóia

    Porquê no te callas? Vai arranjar trabalho de homem e não ficar a viver de subsídios do Estado. Ocupa a tua mente com trabalho durante 8 horas/dia e não terás tempo para sentar na laginha e na Ribeirinha a engatar miúdas que poderiam ser tuas filhas. Cresce e aparece seu falhado. Bom carnaval.

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