Crianças desaparecidas: uma história sem fim e uma dor que não acaba  

8/02/2018 01:14 - Modificado em 8/02/2018 11:15
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O presidente da Republica está mal informado. O desaparecimento de crianças em Cabo Verde não é novo. Nem é um fenômeno – É algo devidamente identificado que ao longo dos anos tem afectado várias famílias. Isto perante a inoperacionalidade da PJ que, nos casos de São Vicente, nunca resolveu um caso de desaparecimento. Novo é o posicionamento dos órgão de soberania; governo, presidência da republica e Justiça

Para  as pessoas que o NN falou e que nunca mais viram os seus familiares  “o desaparecimento é pior do que a morte”. Um assunto muito cruel, doloroso demais, até mesmo de se imaginar. Porque não espera que o seu filho entre pela porta. Afinal foi só comprar açúcar ou brincar.

Numa altura em que se está à procura de mais duas crianças desaparecidas na cidade da Praia desde o passado fim-de-semana, sábado 03, e de mais uma que se encontra desaparecida desde Novembro do ano passado, o Notícias do Norte falou com alguns cidadãos sobre este assunto que choca a todos e que está a deixar preocupada e alertada a sociedade em relação às suas crianças.

O misterioso desaparecimento de uma menina de 10 anos na cidade da Praia, a pequena Edvânia Carvalho, que desapareceu da casa dos pais em Eugénio Lima de Santiago e que não é vista desde 14 de Novembro. Já no segundo caso, o mais recente, duas crianças de 9 e 11 anos, Clarisse Mendes (Nina) e Sandro Mendes (Filú), foram comprar açúcar e nunca mais voltaram.

O primeiro caso aconteceu no dia 28 de Agosto de 2017. Edine Jandira Robalo Lopes Soares, 19 anos, conhecida por Loke, deixou a casa, alegando que ia levar o bebé para o controlo no PMI (Programa Materno-Infantil), na Fazenda, Praia. Até hoje, a mãe e o filho continuam desaparecidos.

Um assunto que tem inquietado a sociedade civil que pede respostas e, ao mesmo tempo, lamenta o drama destas famílias.

“Quando uma pessoa querida morre, sabemos qual foi a sua história, mas quando a pessoa desaparece, principalmente uma criança, é um drama sem fim. Você não sabe se ela está viva, não sabe como ela está a viver, não sabe se ela está a passar por necessidades, não sabe de nada. Você vive com uma angústia sem fim e talvez fique assim até ao fim da sua vida”, diz uma mãe em conversa com este online em resposta à questão dos desaparecimentos.

Entretanto, destaca a importância que é a divulgação nos média das fotos das crianças para ajudar na busca. “É importante que nos primeiros momentos do desaparecimento a imagem da criança seja divulgada, principalmente agora com as redes sociais, porque  é mais fácil que a sua fisionomia fique gravada”, diz esta mãe que afirma não conseguir imaginar a angústia por que essas famílias possam estar a passar.

Os pais, estes, nunca cessam de os procurar. A dor da sua ausência também nunca cessa.

Em Cabo Verde não se conhece o número de casos concretos, mas os que foram mediatizados nunca tiveram o desfecho pretendido: o aparecimento da criança. Por exemplo, em São Vicente, no dia 04 de Março de 2002, William Mariano desapareceu na Ribeirinha quando brincava com outras crianças e nunca mais foi visto e já vão completar 16 anos. E Yasmira desapareceu no dia 01 de Janeiro de 2000 em Vila Nova a caminho de casa. A mãe, ao chegar a casa, soube que a filha tinha desaparecido. A preocupação transformou-se em desespero. Onde estaria a filha? Ela viu Yasmira pela última vez no caminho de casa onde se separaram, há já dezoito anos.

Para estas famílias pouco importa se o calendário denuncia a passagem de um, 10 ou 15 anos. Não há marca no tempo capaz de as fazer parar de procurar. A busca por um filho é ininterrupta, assim como a dor da sua ausência. Até que a morte chegue ,Não se trata de um fenómeno : trata-se de dor . uma dor sem fim ,Daquelas dores que só a morte liberta .

Alguns cuidados a ter com a criança

Algumas medidas podem ajudar a minimizar as hipóteses da criança ou adolescente ser mais uma das vítimas do desaparecimento.

Para evitar que a criança seja levada, é importante que os pais estejam sempre atentos aos filhos. Devem ensinar que não podem conversar e nem aceitar qualquer coisa de estranhos, como brinquedos, doces ou ofertas de ir a um lugar novo.

Saiba o que a criança faz na internet, controle de perto para saber quem são as pessoas que andam em contacto com ela;

Ensine a criança a memorizar dados importantes, como o endereço de casa e o telefone;

Fique em alerta e nunca deixe de prestar atenção na criança em locais movimentados.

EC

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