Escola Portuguesa no Mindelo precisa de professores formados em Portugal

2/02/2018 01:26 - Modificado em 2/02/2018 01:26

O número de alunos na Escola Portuguesa no Mindelo, na ilha cabo-verdiana de São Vicente, quase triplicou em menos de dois anos, disse à Lusa a diretora, que se debate agora com falta de professores formados em Portugal.

A Escola Portuguesa do Mindelo, um sonho antigo da comunidade, abriu as portas em 2016 com cerca de 30 alunos e, segundo a diretora, Ana Cordeiro, conta neste momento com 84 crianças em duas turmas de pré-escolar e duas do ensino básico.

“Neste momento, a escola está a crescer em número de alunos, um bocadinho acima daquilo que eram as nossas expectativas”, salientou a diretora, indicando que no próximo ano letivo deverá chegar à centena de alunos.

“Para o ano, teremos o 3.º ano do ensino básico e, assim, a cada ano irá aumentando o número de alunos”, prosseguiu, em entrevista à agência Lusa, na cidade do Mindelo.

Devido ao crescimento, a diretora salientou que a escola precisa de professores formados em Portugal, por estarem mais adaptados aos currículos e aos manuais portugueses.

“Precisamos de professores formados em Portugal, porque estão mais adaptados aos currículos portugueses. Um professor formado em Portugal dá-nos a garantia de que está perfeitamente integrado com os manuais e isso facilita muito”, considerou.

Segundo Ana Cordeiro, todos os atuais professores da escola são formados em Portugal, sendo quatro titulares, dois auxiliares de educação e um “número grande” para atividades extracurriculares, como dança, teatro, capoeira, inglês, canto ou expressão artística.

Na entrevista à Lusa, a diretora adiantou que a escola já abriu um concurso para recrutar mais um professor formado em Portugal, tendo em conta o alargamento dos anos de ensino previsto para o próximo ano.

Ana Cordeiro explicou que o desconhecimento da realidade cabo-verdiana cria alguma dificuldade inicial de atração de professores, mas que depois de esclarecidos sobre as condições a oferta acaba por ser superior à procura.

O responsável salientou que a questão tem a ver somente com o local de formação, uma vez que em relação à nacionalidade “não tem importância nenhuma”.

A abertura da Escola Portuguesa no Mindelo tornou-se mais urgente por causa do crescimento da comunidade portuguesa na cidade, neste momento com mais de seis mil inscritos no escritório consular, e da mobilidade das pessoas de outros países e ilhas.

Por isso, a diretora destacou a importância do estabelecimento de ensino e considerou que pode ser um atrativo para mais pessoas de outros países se instalarem em Cabo Verde e mais uma oferta “com outra qualidade” para os cidadãos cabo-verdianos.

“Muitos dos estrangeiros que às vezes gostariam de ficar e trabalhar aqui têm o problema do [ensino] dos filhos, de como será quando regressarem. Esta escola pode ser um atrativo para instalação de pessoas de outros países em Cabo Verde”, disse.

 

Lusa

  1. Pedro Cruz

    Especialmente importante é que as crianças aprendam a falar, a ler e a escrever Português pelo menos tão correcta e fluentemente quanto as crianças portuguesas aprendem Alemão em Portugal, na Escola Alemã, ou as crianças portuguesas aprendem Castelhano no Instituto Espanhol, em Lisboa, ou as crianças portuguesas aprendem Francês no Liceu Charles Pierre. Porque se for para aprenderem Português como algumas crianças portuguesas aprendem em certas escolas portuguesas – em que as próprias professoras cometem gravíssimos erros de Português -, talvez seja de ponderar a contratação de professores da Guiné Equatorial… Que, como sabemos, integra a CPLP (portanto, há-de haver lá alguém que saiba falar a língua que nos une…)

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