Manuel Inocêncio : “A TACV só não foi a falência porque é uma companhia pública”

1/02/2018 00:29 - Modificado em 1/02/2018 00:29
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O antigo ministro dos Transportes e das Infra-estruturas considera que a TACV só não foi a falência por ser uma companhia pública e classifica a saída dos voos domésticos em detrimento da Binter como uma perda para o país.

Durante a sua audição à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), Manuel Inocêncio Sousa, que esteve à frente do Ministério de Transportes e das Infra-estruturas de finais de 2002 ao início de 2011, alega que a privatização da Transportadora Aérea Cabo-verdiana esteve sempre em agenda, desde a governação do Movimento para a Democracia nos últimos anos da década de 90.

Sublinha que o Governo do PAICV aprovou o decreto-lei da privatização da companhia de bandeira em 2002, mas que “não foi nada fácil” porque não houve manifestações de interesse, a não ser “uma ou outra diligência feita por potenciais interessados”, mas que ao inteirar-se da realidade da empresa não mais se manifestaram.

Afirmou que, por volta de 2004, o Governo de então acordou com o Banco Mundial uma nova estratégia, isto é, enveredar-se por um processo de estruturação da companhia, na tentativa de torna-la mais atractiva, mediante o equilíbrio da sua exploração apara sua privatização em 2009.

Para Inocêncio Sousa, a partir do estabelecimento do sistema de regulação da Aviação Civil após os atentos de 11 de Setembro de 2001 nos EUA” as exigências das companhias aumentaram de forma extraordinária, independentemente da sua dimensão, com claros prejuízos para as companhias pequenas.

Reconhece que 11 de Setembro teve um impacto “extremamente negativo” na aviação civil a nível mundial e que as variações dos preços do petróleo tiveram um peso enorme nos resultados da exploração da companhia de bandeira por estiverem intimamente ligados com o aumento significativo deste combustível.

Ainda assim, enfatiza que mesmo assim a TACV cumpria todas as exigências da Organização da Aviação Civil Internacional, ICAO, para viajar para qualquer parte do mundo e que houve sempre a vontade de privatizar a empresa, porque havia uma noção clara que continuar com a companhia a operar nas condições era insustentável.

Nesta audição, disse que ao invés do monopólio da Binter nos voos domésticos, Cabo Verde ganharia com a operação conjunta das duas companhias aéreas e afirma que os problemas da TACV da altura na qual assumiu o sector dos transportes são os mesmos que ainda hoje persistem, visando a viabilização de uma pequena companhia aérea num arquipélago como Cabo Verde.

Atesta que a TACV era e continua a ser uma empresa com exploração estruturalmente deficitária pela pequena dimensão da sua frota e pelo volume de tráfico com linhas deficitárias e que a sua situação não terá sido boa, porquanto acumulou ao longo dos anos resultados negativos.

 

Inforpress

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